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Operação revela estratégias de parlamentares para esconder dinheiro de corrupção

Na casa de um deles, malotes foram jogados pela janela 

cf1211 RIO - A fim de eliminar qualquer suspeita, parlamentares envolvidos no grande esquema de corrupção, comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral, se valiam de algumas estratégias. Nesta quinta-feira, no entanto, o que o procurador federal Carlos Aguiar chamou de “propinolândia” começou a ruir, com a prisão de 22 pessoas numa nova etapa da Lava-Jato no Rio. Entre os acusados, estão dez deputados estaduais, sendo que três deles — Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo, todos do MDB — já estavam detidos, acusados de corrupção. Na ação, o vereador Daniel Martins (PDT-RJ) também foi preso.

Coleção de relógios

Relógios e dinheiro encontrado no gabinete do vereador Daniel Martins Foto: Divulgação PF
Relógios e dinheiro encontrado no gabinete do vereador Daniel Martins Foto: Divulgação PF

Se o vereador Daniel Martins (PDT) permanecer preso por muito tempo, poderá perder a noção das horas. A Polícia Federal apreendeu no gabinete do parlamentar, no Palácio Pedro Ernesto, uma caixa branca com mais de dez relógios que pertenceriam ao pedetista. Acusado de ser o operador do padrasto, o deputado Luiz Martins (PDT), também detido, o vereador, que até 2009 foi servidor da Alerj, também guardava em seu gabinete vários maços de dinheiro. Eram notas de real, de dólar e de euros. O valor, no entanto, ainda não foi contabilizado pela polícia.

Dinheiro na meia

O deputado Chiquinho da Mangueira escolheu uma portadora de confiança para receber suas propinas — a própria mãe. Para evitar que Maria Celeste de Oliveira percebesse que estava transportando dinheiro obtido ilegalmente, o parlamentar pedia a Sergio Castro Oliveira, o operador de Sérgio Cabral na Alerj, que disfarçasse as notas dentro dos envelopes entregues a Celeste. Quando não usava o serviço materno, Chiquinho recebia diretamente a propina, escondida em meias compridas, onde cabiam até R$ 150 mil. Com as duas estratégias, ele teria recebido, entre dezembro de 2013 e fevereiro de 2014, R$ 3 milhões.

Malotes pela janela

A Polícia Federal cercou a casa do deputado Marcos Abrahão (Avante), em Rio Bonito, alguém tentou evitar que dois malotes, cheios de dinheiro, fossem encontrados no imóvel. Disfarçadamente, abriu uma janela e lançou pelos ares os pacotes. Não adiantou: eles foram descobertos e apreendidos. Segundo o Ministério Público Federal, Abrahão também tenta esconder um bem mais vistoso — uma fábrica que ocupa um quarteirão inteiro na cidade. Segundo os procuradores, a Metal Bonito Metalúrgica pertence ao parlamentar, mas está em nome de um “laranja”, assessor de Abrahão e motorista de aplicativo nas horas vagas.

'O estado é um bolo'

Atribuída a uma assessora de um dos dez presos ontem, uma frase captada por escutas telefônicas marcou tanto as investigações que virou epígrafe da decisão que autorizou a operação Furna da Onça: “Um dia eu vou ter a oportunidade de te explicar que o estado é um bolo. Ele é dividido em fatias. Cada um tem uma fatia”. A força-tarefa da Procuradoria Regional da República da 2ª Região e a Polícia Federal mostraram que o “bolo” era dividido desde 2007 e continuou sendo servido aos parlamentares, via loteamento de cargos, até hoje, mesmo após as prisões de Cabral e do ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani. 

Fonte: oglobo

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