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Deputado 'da Bíblia e da Bala' disputa presidência da Câmara

cf1812João Campos (PRB-GO), deputado reeleito em outubro para o quinto mandato, entrou na corrida para presidir a Câmara no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro

E o que ele tem que outros candidatos, como o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o calouro Kim Kataguiri (DEM-SP), não têm? 

Campos, 55, é pastor evangélico e delegado civil aposentado. Já teve papéis de liderança em dois terços da chamada bancada BBB, de Boi (ruralista), Bala (segurança pública) e Bíblia (evangélica) —uma tríplice aliança que saiu fortalecida com o triunfo bolsonarista.

Acredita, portanto, que o espírito dos tempos o favorecerá. Nos bastidores, o PSL de Bolsonaro está rachado entre uma ala que respalda a recondução de Maia ao cargo e outra inclinada a Campos

Em entrevista na segunda (3) à GloboNews, o senador eleito e primogênito de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), defendeu um “presidente inédito” na Casa e apontou que a bancada do Rio tem reticências com o atual titular.

Para o deputado goiano, nem é uma questão de declarar “alinhamento puro e simples” ao próximo presidente. “Se você for pegar o que defendo no Parlamento e o que Bolsonaro defende, são coisas que a maioria da sociedade já decidiu, é uma pauta muito convergente”, diz à Folha.

E sua agenda prioritária, como a de tantos colegas que zelam pelo conservadorismo no Congresso, vai da “família natural” (casais de homem e mulher) ao endurecimento de políticas de segurança pública.

Campos conta que leu pela primeira vez a expressão “bancada BBB” em reportagem da Folha e achou “uma ideia maravilhosa”. “No mesmo dia, me reuni com gente da frente parlamentar da agricultura e da segurança: ‘Olha, temos que dialogar mais. É uma chance de passarmos a ser mais expressivos do que antes”, diz.

Ele chegou a ser, simultaneamente, presidente do bloco “da Bíblia” (ficou até 2017) e vice-presidente do “da Bala” (até hoje). Boa parte dos projetos e resoluções que apresentou em seus 16 anos na Câmara tem a ver com essas áreas.  

Convocou sessões solenes na Casa pelos dias da Bíblia, da Reforma Protestante, da Proclamação do Evangelho e da Valorização da Família, e isso só em 2018. Em junho, sugeriu ao governo Michel Temer (MDB) que o Brasil transferisse sua embaixada em Israel para Jerusalém, uma promessa eleitoral de Bolsonaro.

Uma ementa se destaca pela curiosidade: os votos de pesar pela morte do delegado goiano Eurípedes Barbosa Nunes, um importante grão-mestre da maçonaria brasileira.

Em 2012, protocolou seu projeto de lei que mais deu o que falar, apelidado de “cura gay”. Então à frente da bancada evangélica, Campos queria sustar dois artigos do Conselho Federal de Psicologia que proíbem profissionais do campo de emitir opiniões públicas ou tratar a homossexualidade como um transtorno.

Acabou desistindo do projeto porque, diz agora, a cúpula do PSDB (seu partido à época)  soltou uma nota contrária a ele “sem nenhum diálogo”. Para ele, o texto "garantia a cidadania plena da pessoa homossexual, que poderia decidir por ela, que tem 18 anos, se quer procurar psicólogo”.

O certame volta a 1990, quando militantes LGBTI passaram a denunciar os autointitulados psicólogos cristãos, que prometiam curar homossexuais. Sua orientação sexual, diziam, não era doença para ser tratada —em consonância com a Organização Mundial da Saúde, que retirou a homossexualidade de seu rol de doenças mentais naquele ano.

Para Campos, seu projeto tratava do “livre exercício da profissão, um direito constitucional”. O texto original encontrou resistência no próprio partido e em pleno governo petista (de Dilma Rousseff). Agora que ventos conservadores sopram no país, poderia reapresentá-lo, claro, mas afirma que descarta a ideia.

Diz que sua relação com a comunidade LGBTI “foi sempre de muito respeito” e que “quem assume posições com certa acidez são os militantes”.

O ex-tucano migrou para o PRB, costela política da Igreja Universal do Reino de Deus, em 2016. Ele próprio é pastor em outra igreja com cacife político, a Assembleia de Deus —Ministério Madureira— para onde políticos costumam correr na temporada eleitoral, de João Doria a Eduardo Cunha.

Campos acha “muito positivo” que evangélicos tenham acordado para a vida política. “Há duas décadas, quase não participavam da questão partidária, compreendiam que a  política era algo do diabo.”

Se um dos filhos do presidente eleito, o deputado reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), defende que o modus operandi do próximo presidente da Câmara seja “tratorar” a oposição de esquerda, o candidato opta por um discurso mais pacificador.

Eduardo só usou uma “força de expressão”, disse, reproduzindo expediente de aliados ao se referir a falas polêmicas da família Bolsonaro. 

“Tenho o sentimento que o Parlamento só funciona se a gente respeitar as regras. Pode até atropelar uma vez, mas na segunda, terceira, o plenário não vai aceitar”, afirma. 

Descarta o disse-me-disse em Brasília sobre o PRB fechar um acordo com Maia e rifá-lo. “Possibilidade zero.”

Se eleito para suceder o colega do DEM, diz que sua prioridade será ajudar o novo governo a aprovar as reformas tributária e da Previdência.

Para amealhar votos, promete conversar com os 512 colegas da próxima legislatura, sejam de direita (como ele), sejam de esquerda (a oposição fustigada pelos Bolsonaros).

Um deles terá sua atenção especial: o xará João Campos (PSB-PE), filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente de avião quando disputava a Presidência, em 2014. No último dia 14, aliás, achou prudente já requerer à Câmara “preferência na escolha do nome paramentar em virtude da eleição de outro parlamentar homônimo”.

Nada pessoal, claro. “Ao contrário, quero até o voto dele.” Imagina o papelão que seria uma manchete “João Campos vota contra João Campos”?

Fonte: UOL

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