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STF afeta processo político e democrático ao demorar nas decisões sobre Lula e políticos na Lava Jato

2a Ediçãodo Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão-stf
 
O Supremo Tribunal Federal, mais especificamente seu presidente Ricardo Lewandowski (publicamente tido como "amigo da família" de Luiz Inácio Lula da Silva), comete o pecado mortal de não definir, com a agilidade necessária, se o ex-Presidente da República tem direito ou não ao foro privilegiado de julgamento (um privilégio absurdo que gera flagrante desigualdade perante a lei e o judiciário). Não vale a desculpinha esfarrapada de que o Supremo não quer misturar a decisão sobre Lula com polêmicas sobre o processo de impeachment de Dilma.
 
O STF adiou - e não tem data para julgar - se Lula pode virar ministro ou não (o que, providencialmente, o livraria de investigação e processo na primeira instância da Justiça Federal). A desculpa de agora, provocada pelo ministro Teori Zavascki (que cuida dos casos da Lava Jato para quem tem foro privilegiado), é que o Supremo precisa analisar todas as ações relacionadas ao mesmo tema que envolve Lula. Teori alegou que o STF não pode tomar decisões díspares sobre situações idênticas.
 
Teori propôs: "É o ideal que a gente julgue junto, inclusive para efeito final sobre o que pode acontecer. Proponho aos colegas que nós adiemos o julgamento". Todos os ministros concordaram com ele. Exceto o ministro Marco Aurélio de Mello. Isolado no ponto de vista, ele reclamou, porém perdeu: "Há uma pendência que deve ser afastada pela voz do STF, e essa voz tarda. Ela precisa vir à tona, para tentar pacificar-se o quadro".
 
Os hiper-super-bem-informados ministros do Supremo Tribunal Federal já sabem que, no começo de maio, Luiz Inácio Lula da Silva deve ser denunciado pela Procuradoria Geral da República sobre os pagamentos com grana de contratos da Petrobras, feitos por Maurício Bumlai (filho do pecuarista José Carlos Bumlai, um grande amigo de Lula), para financiar a família de Nestor Cervero, comprando-lhes o silêncio. A bronca contra Lula será baseada na delação premiada de Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral.
 
Lula tinha a certeza de que voltaria a ser ministro da Casa Civil e ganharia mais poder de negociação com o Congresso para barrar o impeachment de Dilma Rousseff no Senado. Lula continua impedido por força de uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, na qual ficou claro que Dilma cometeu um desvio de finalidade ao nomear Lula apenas para lhe conceder foro privilegiado e, indiretamente, obstruir o funcionamento normal do judiciário, livrando o companheiro "das garras malignas do juiz Sérgio Moro, que Lula acusa fazer parte de uma tal de "República de Curitiba". O STF embroma para definir se mantém ou derruba a liminar. Agora, complica ainda mais o jogo, prometendo, ainda em data incerta, uma definição sobre vários casos ligados à Lava Jato.
 
A pergunta ética, moral e jurídica que fica no ar persiste no ar: os 11 ministros do STF terão condições jurídicas de manter o foro privilegiado de Lula? A resposta se torna política e criminalmente complexa. O Presidente pode nomear quem quiser, desde que o nomeado atenda aos requisitos mínimos previstos no artigo 37 da Constituição. Pode até ser legal, mas jamais será legítimo, empossar na Casa Civil da Presidência da República alguém que é publicamente investigado pela Lava Jato. Pior que isso, é não levar em conta o ataque verbal de Lula ao judiciário, nas conversas telefônicas legalmente interceptadas e divulgadas pela ousadia jurídica de Sérgio Moro.
 
O Alerta Total já antecipou que Lula recebeu a informação que, depois do feriadão, corre o risco de que o juiz Sérgio Moro acate pedido da Força Tarefa para que a Polícia Federal promova a prisão preventiva ou provisória de um de seus filhos ou até da esposa Marisa Letícia - que não contam com o supremo privilégio de defesa. A eventual ação contra a família Lula da Silva deve ter um efeito de imagem mais devastador que a polêmica divulgação do conteúdo pornopolítico de gravações telefônicas.
 
A defesa de Lula se apega a um formalismo jurídico. O Cristiano Zanin Martins distribuiu memorais a todos os ministros do STF, alegando que o mandado de segurança (ação usada pelo PPS e pelo PSDB para anular a nomeação de Lula) não pode ser proposto por partidos políticos, segundo a legislação em vigor. Zanin também prega que o ato de nomeação de um ministro é exclusivo da presidente da República. Portanto, o Judiciário não poderia interferir. Zanin rejeita o argumento de que Dilma queria livrar Lula das investigações de Moro. O advogado ponderou que, se o STF assumir as apurações, não haverá nenhum prejuízo para a elucidação dos fatos.
 
O caso ganhou mais polêmica depois da ida e vinda do Procurador Geral da República. Inicialmente, Rodrigo Janot aceitou que a liminar de Gilmar Mendes fosse derrubada. Em seguida, entendeu que, ao dar o cargo para Lula, Dilma quis retirar as investigações contra Lula das mãos do juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Lava-Jato na primeira instância, e transferi-las para o STF, o foro indicado para processar ministros de Estado. O procurador afirmou que a atuação da Presidenta foi “fortemente inusual” e serviu para “tumultuar” as investigações.
Além da nomeação providencial, o STF deveria resolver, com a urgência que não vem adotando diante da gravidade política do caso, se ficam com o Supremo ou com o juiz Sérgio Moro as ações que investigam se as empreiteiras da Lava Jato financiaram, via grana de propinas, o apartamento no Guarujá e o sítio de Atibaia, dos quais Lula seria usuário e não proprietário. A lentidão do STF agrava o fenômeno da ”judicialização da politicagem" - um dos fatores de extrema gravidade do atual impasse institucional brasileiro, no qual os três poderes batem cabeça, e o quatro poder (o militar) apenas fica "observando atentamente".
 
Na omissão da cúpula do judiciário, agrava-se a confusão política contra Dilma - alvo de um processo de impeachment e de um pedido de impugnação da chapa reeleitoral. Agora, a ministra do Tribunal Superior Eleitoral, Maria Thereza de Assis Moura, resolveu requisitar ao juiz Sérgio Moro informações específicas - como a “tabela detalhada com as propinas recebidas em cada contrato da Petrobras que foi preparada por Pedro Barusco”. Em delação premiada, o ex-gerente da Petrobras teria demonstrado como as empreiteiras interferiram, ilegalmente, na campanha de 2014. O TSE também não tem prazo determinado para julgar se impugna ou não a chapa Dilma-Temer.
 
Resumindo a parada: a cúpula do judiciário não tem tomado decisões com a velocidade que a sociedade e a urgência do gravíssimo momento político exigem. Assim, vamos assistindo a cenas patéticas de encontros institucionais entre o presidente do STF com presidentes do Senado e da Câmara que, se houvesse mais velocidade, seriam investigados ou se tornariam réus na Lava Jato.
 
A lentidão do STF no caso de Lula e de outros políticos tem implicações perigosas e negativas para o futuro do Brasil - um País que, talvez um dia, tenha Democracia - segurança do Direito através do exercício da razão pública.
Os ministros do STF têm a obrigação de descer do ilusório olimpo e baixar na preocupante realidade de um País que se acaba na crise estrutural, muito por culpa direta do mal funcionamento do judiciário e do regramento excessivo - obedecido conforma as conveniências dos ditos poderosos. 
Haddad vai deixar crianças nadadores morrerem na praia?
Dezenas de crianças e jovens que nadam todo santo dia e competem pelo Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa da Prefeitura de São Paulo correm o risco de não participarem das próximas competições marcadas para os dias 1 de maio e 19 de junho pela Federação Paulista de Esportes Aquáticos.
O motivo é  burocrático, e não esportivo: a Prefeitura não fez o repasse financeiro ao Centro Olímpico - que funciona ao lado da sede da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, no Parque das Bicicletas, em Moema.
O valor individual da inscrição para as crianças competirem custa R$ 13 reais e 70 centavos - que o Prefeito Fernando Haddad deve ter de sobra na cidade que investe milhões em ciclovias.

O prazo fatal para o Centro Olímpico fazer o pagamento é na segunda-feira, dia 14, ou os jovens do Projeto Jovens Cielos (em parceria com o Instituto do campeão olímpico) podem morrer na praia, a não ser que os pais assumam os custos...

Fora dos Jogos

O nadador Cesar Cielo não se classificou para os jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O recordista mundial foi superado por Italo Duarte na final do torneio Maria Lenk.

Cielo chorou e pedir desculpas à família por não ter conseguido a vaga para a Rio-2016:
 
"Vou pedir desculpas pra vocês (o público), fiquei muito aquém do que sei fazer. Tive um ano difícil o ano passado, não nadei bem hoje, é muito difícil estar conversando com vocês, de verdade. Eles (os pais) são a razão de eu chegar onde cheguei, a um recorde olímpico a um recorde mundial. Desculpa, pai, desculpa, mãe, dessa vez não deu".
Enquanto isso, na corrida maluca pelo lugar da Dilma...
 
 

Quando o PT será o que prometeu ser?

Plínio Bortolotti

ptprometeuPesquisa do Datafolha mostrando Lula em primeiro lugar em quatro cenários traçados pelo instituto para as eleições presidenciais de 2018 – e a queda acentuada dos candidatos do PSDB – repete o fenômeno das eleições de 2014. (O ex-presidente só perde um pouco a força com Marina Silva no cenário: em um deles, fica empatado; em outro, um ponto percentual abaixo, dentro da margem de erro.)

O que acontece é o seguinte.

A chamada “nova classe média”, os beneficiados com acesso à universidade, (incluindo a política de cotas) e os favorecidos pelos programas sociais podem estar putos com o PT. Estão frustrados com a corrupção que assolou o governo, imaginando o que mais poderia ter sido feito se a dinheirama não houvesse sido desviada.

Entretanto, eles desconfiam em demasia do PSDB, temendo que o partido faça uma limpa nos programas sociais, que acabe com direitos trabalhistas, entre outras medidas. Assim, quando os tucanos ameaçam chegar ao governo, os “de baixo” se arrepiam.

Além do mais, existe o efeito Lula. A tendência é culpar a pessoa do presidente pelos erros e acertos de um governo. E Lula deixou a Presidência com percentual altíssimo de aprovação. Portanto, se – para muita gente – Dilma é antipática ou incompetente, Lula continua sendo “o cara”.

Um amigo, jornalista, contou que o porteiro do prédio dele, com O POVO em punho, abordou-o para comentar a conjuntura política. Declarou-se decepcionado com a corrupção petista, mas repetiu o bordão “roubar todo mundo rouba” e fez sua análise: “Presidente bom mesmo era o Lula, o erro dele foi deixar aquela mulher lá”.

É claro que a eleição ainda está muito longe, em termos de tempo político, e muita coisa vai acontecer. Além de ser necessário lembrar que a chamada opinião pública é volúvel: tanto afaga quanto apedreja.

No mais, PT deveria refletir sobre quantas oportunidades seus eleitores estão dispostos a conceder-lhe para que o partido seja o que prometeu ser.

PS. Para ver a pesquisa, clique aqui. 


Brasília, a natureza das coisas

Posted:13 Apr 2016 05:43 AM PDT

Reprodução de artigo publicado na seção “Ponto de Vista”, editoria de Política, edição de 13/4/2016 do O POVO.

A natureza das coisas
Plínio Bortolotti

Como venho repetindo, em tom de brincadeira (mas nem tanto), vivemos uma semana em que é preciso ter coração forte, cabeça fria e disposição para participar de muitos plantões, como será o dia de domingo para os jornalistas do O POVO.

Se eu fosse sociólogo, para entrar na moda, diria que Vivemos tempos líquidos, em que nada é sólido, nada é feito para durar e todas as certezas se esfumam no ar. Se eu fosse poeta popular, diria que amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada.Claro que estamos falando de Brasília.

Conte: quantas vezes o impeachment estava nas biqueiras e depois recuou; subiu de novo e desinflou-se? Neste momento, Dilma está firme no governo ou prestes a cair, dependendo a quem se pergunte.

Eu, se fosse economista, diria que, no momento em que escrevo este texto, o impedimento está em viés de alta (mas quando o leitor deitar as mãos neste jornal já poderá ser diferente).

De qualquer modo, a partida não acabou e ainda se verá roer de unhas e se ouvirá ranger de dentes.

Os negociadores de ambos os times estão em campo. De um lado, o governo realmente existente, oferece cargos; do outro o reserva, aspirante a titular, nos brinda com um discurso salvacionista (ou seria selvático, por sua antecipação?), sem esquecer-se das promessas de um arranjo melhor para quem segui-lo, pois políticos também são filhos de Deus.

No meio da briga, o cidadão, aturdido, tenta entender o que está acontecendo e já deve estar rezando por um fim, qualquer que seja. Dizem que não há situação que não possa piorar. Mas, pelo jeito essa é uma exceção: como diria Tiririca, “pior do que tá não fica”.

PS.A citação sobre o “tempo líquido” tem como base entrevistas de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, mencionado por nove entre dez sociólogos e outros acadêmicos, qualquer que seja o assunto. O “poeta popular” é Accioly Neto, cujo trecho está na música “A natureza das coisas”, que dá título a este artigo.

 

PF acha prova de que Lula, presidente, atendeu a pedido de lobista da Odebrecht

E-mail recuperado pela Lava Jato é novo indício de tráfico de influência do ex-presidente, ainda no poder, em favor da Braskem – controlada pela Odebrecht – em negócio no México

lulaeodeEm um ato rotineiro, em dezembro de 2009 Cleantho de Paiva Leite Filho, diretor comercial da Braskem no México, enviou um e-mail pedindo ajuda a Roberto Prisco Ramos, seu colega de trabalho na empresa petroquímica controlada pela empreiteira Odebrecht. Naquele fim de ano, ao saber do teor da conversa, Ramos rapidamente encaminhou o pedido a outro colega, mais bem posicionado para resolver a questão, chamado Alexandrino Alencar. Diretor de relações institucionais da Odebrecht, Alexandrino tinha os contatos certos. “Preciso de sua ajuda em relação a este tema. Dar uma força para que LILS aceite um convite especial do Calderon e vá ao México no início de fevereiro”, dizia o texto de Ramos. Alexandrino era o homem da empresa designado para as relações com LILS – hoje a sigla que denomina uma conhecida empresa de palestras; na ocasião, era a sigla para Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente da República.

>> Propina do PT no petrolão bancou chantagista em Santo André, revela Lava Jato

Em miúdos, a Odebrecht queria muito que LILS – para ela; presidente Lula, para os brasileiros – estivesse no México com o então presidente do país, Felipe Calderón, em uma reunião para assinatura de um contrato da Braskem com a mexicana Idesa. O acerto previa a construção de um complexo petroquímico de US$ 5,2 bilhões em Coatzacoalcos, no Estado de Veracruz. A presença de Lula daria um peso especial ao negócio, de grande interesse da empresa brasileira. Dois meses depois, nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2010, Lula esteve no México para a 2a Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento. No dia 23, Lula teve uma reunião com Calderón, na qual o principal resultado foi a comemoração da assinatura do contrato entre a Braskem e a Idesa.

A caixa de e-mails de Alexandrino havia sido apagada, mas foi recuperada graças a uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, motivada pela Lava Jato. Os dados foram enviados à PF no início de março. “O e-mail supra aponta indícios de que Luiz Inácio Lula da Silva era incentivado a atender compromissos de interesse do Grupo Odebrecht ainda quando ocupava a cadeira de presidente”, diz o relatório da polícia enviado ao juiz Sergio Moro e obtido por ÉPOCA. O texto curto constitui um novo elemento na investigação sobre a suspeita de que Lula fez tráfico de influência para a Odebrecht – não só após deixar o cargo, mas desde que era presidente da República.

O negócio se encaixa no padrão detectado pelo Ministério Público Federal. Inclui os interesses da empreiteira no exterior, uma conversa de Lula com um chefe de Estado do país onde a obra será realizada e um financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No projeto da Braskem, o BNDES compareceu com US$ 700 milhões.

Em maio de 2015, o Ministério Público Federal em Brasília abriu uma investigação para examinar se Lula fizera tráfico de influência internacional. O MPF suspeitava que, após deixar o cargo, Lula passara a usar seu prestígio nacional e internacional para favorecer empreiteiras a obter obras em países da América Latina e da África, financiadas com dinheiro do BNDES. As palestras, pelas quais era contratado pelas empreiteiras, seriam na verdade a remuneração pelo tráfico de influência. Entre 2011 e 2015, Lula viajou para países onde as empreiteiras tinham interesses imediatos, como Cuba, Gana, Angola e República Dominicana. A maioria das andanças foi bancada pela Odebrecht, a campeã de negócios estrangeiros financiados pelo BNDES.

No início deste ano, os procuradores ampliaram o foco: apuram agora se Lula começou a ajudar a Odebrecht quando ainda era presidente da República. Tal investigação é possível, entre outros fatores, graças a provas colhidas e compartilhadas pela Operação Lava Jato, tocada pela PF e pelo MPF em Curitiba. Entre os arquivos que a turma da Lava Jato compartilhou, os dirigentes da Odebrecht, especialmente o presidente Marcelo Odebrecht, tentavam incluir demandas da empreiteira em pautas de reuniões de Lula com autoridades de Angola, Argentina, Bolívia, Peru e Venezuela, entre outros países. No caso da Braskem no México, Alexandrino conseguiu o que a empresa queria.

Procurada, a Braskem afirma que “o encontro de Lula com o então presidente do México, Felipe Calderón, se deu em 23 de fevereiro de 2010 para uma reunião da Cumbre Latinoamericana e Caribe, em Cancún. Na ocasião, entre outros assuntos bilaterais, o projeto Etileno XXI foi apresentado aos presidentes dos dois países”. O Instituto Lula preferiu não comentar o assunto.

Fonte: Época

Empresas generosas; políticos inocentes

Reprodução da coluna “Menu Político”, caderno “People”, edição de 3 de abril de 2016 do O POVO.

Plínio Bortolotti

empresasgenerosasCreio que já contei por aqui o meu hábito de trocar ideias regularmente com o Guálter George, editor executivo do Núcleo de Conjuntura (Política) doO POVO. Em tempos de crise, essas reuniões informais têm sido diárias, agregando-se outros jornalistas ao grupo, da própria editoria e de outras, que se aprochegam, como é o caso de Fátima Sudário, coordenadora da equipe de repórteres especiais da Casa, e de Erick Guimarães, diretor adjunto da Redação.

Para vocês verem como um encontro entre divergentes, porém dialógicos, é muito positivo: posso garantir que o nível de acerto de nossas análises é bastante elevado. Com a ponderação de cada um, é possível ter um quadro um tanto mais completo da situação e abrir os olhos para detalhes que alguém percebe e para outros passam em branco.

Depois dessas conversas, sempre tenho assunto para meus artigos, como foi o caso em que antecipei o desenho de um acordo PMDB/PSDB, que se seguiria ao possível impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Outro tema de nossas conversas, antes que viesse a público a lista da Odebrecht, é que seria explosiva a “delação premiada” de Marcelo Odebrecht, caso ele resolvesse falar. Não se tratava, por óbvio, de pajelança adivinhatória. E por que seria explosivo o depoimento de Marcelo Odebrecht? Porque o negócio espirraria para todos os lados.

Somente os cegos por inocência ou por excesso de esperteza ou os acometidos de cegueira ideológica aferravam-se fervorosamente ao dogma de que o PT era o pai, a mãe e o avô da corrupção. Digo isso, pois, a “lista da Odebrecht”, com mais de 20 partidos, é conhecida há muito tempo, desde que as empresas foram obrigadas a tornar transparentes as doações que faziam para campanhas eleitorais.

É público, porém não notório o suficiente, que, entre as dez maiores empresas doadoras para campanhas políticas, cinco são construtoras: OAS (R$ 75,082 milhões), Andrade Gutierrez (R$ 61,987 milhões), UTC (R$ 43,786 milhões), Norberto Odebrecht (R$ 33,431 milhões) e Queiroz Galvão (R$ 45, 185 milhões). Referente à eleição de 2014; entre parênteses o valor doado.

Observe-se ainda, além da prodigalidade, que as empresas são absolutamente “democráticas” na distribuição do dinheiro. Elas não olham para diferenças ideológicas, nem se o partido recebedor está no governo ou é oposição. Assim, tanto recebe dinheiro o “comunista” PCdoB como o direitista DEM e, por óbvio, os grandes partidos: o que está no governo (PT) e aquele que está sempre nas biqueiras (PSDB).

Os partidos e candidatos, todos eles, alegam que receberam recursos por meio de “doações legais”, o que se saberá quando forem concluídas as investigações. Mas será que nenhum deles – situação ou oposição – desconfiou que tamanha generosidade talvez escondesse interesses inconfessáveis? Políticos calejados acreditaram piamente que as construtoras tornaram-se ávidas por fortalecer a democracia financiando todos os partidos? Ou que, de repente, haviam decidido a socializar sua riqueza?

O fato é que frases como “eu não sabia”; “só recebi doações legais”; “apareço na delação por vingança”; “fui citado porque sou (do governo ou da oposição)” soam cada vez mais falsas, e cada vez menos gente acredita em inocência ensaiada. E também fica cada vez mais difícil saber onde essa situação vai desaguar.

É possível que a presidente caia e surja um “acordão” entre PMDB e PSDB ou Dilma continue se arrastando até 2018. Situações assim costumam ser porta aberta para aventureiros de toda espécie, mas esperemos que os brasileiros estejam vacinados contra os salvadores da pátria.

NOTAS

Lava Jato
Outro efeito possível é que a Lava Jato seja cada vez mais pressionada para suspender seus trabalhos, pois gente de quase todos os partidos ver-se-á implicada nas investigações, se mais documentos vierem à tona ou Marcelo Odebrecht resolver falar.

Renda
Lembrando o sociólogo alemão Robert Kurz: “A política é sempre cúmplice do dinheiro, já que não tem renda própria”.

Crédito
Da Transparência Brasil.As quinze principais empresas doadoras e o financiamento dos partidos;Poder econômico e financiamento eleitoral no Brasil.

Fonte: http://blog.opovo.com.br/

A CONJUNTURA DO GOLPE

por Bernardo Cotrim, no Democracia e Conjuntura

golpe1O tempo da política se acelera brutalmente: o desembarque do PMDB da base do governo, com estardalhaço e aclamação, numa reunião que durou 4 minutos, segue o roteiro do acordo firmado em cima de 3 eixos: a recomposição do bloco de forças políticas que sustentou os governos FHC 1 e 2, de maneira a implementar com ampla sustentação no parlamento uma reforma neoliberal radical; a interrupção das investigações, garantindo que os corruptos de sempre salvem a pele, sendo Eduardo Cunha, o maquinista da locomotiva golpista, o caso mais escandaloso; e uma brutal ofensiva anti-esquerda, com a criminalização do PT sendo seguida por iniciativas como uma grande “CPI dos movimentos sociais”, destinada a desmoralizar e quebrar as pernas de sindicatos e movimentos.
Tudo isso legitimado pela narrativa construída pelas empresas de comunicação, amparado nos setores reacionários incrustados no aparelho de Estado, em especial no Judiciário, e financiado explicitamente pelo 1% mais rico do país – vide a torneira aberta da FIESP, jorrando dinheiro e irrigando as mais diversas iniciativas golpistas, inclusive ações de pequenos grupos fanáticos que costeiam o alambrado do fascismo. A vitória do golpe fará jorrar a céu aberto o esgoto da sociedade brasileira, despertando as piores e mais reacionárias energias acumuladas no subterrâneo da vida democrática.
Longe de acreditar que o desfecho deste processo já está escrito, no entanto, sigo acreditando que a potência das mobilizações da resistência democrática da sociedade brasileira poderá imprimir um novo rumo ao roteiro idealizado pela direita. Desde os grandes atos do dia 18, um turbilhão de ações colocou em movimento amplíssimos setores da sociedade, que passaram a ocupar a esfera pública e a denunciar o atentado contra a democracia. Sindicatos, movimentos de juventude, intelectuais, artistas, movimentos comunitários, feministas protagonizaram, por todo país, manifestos, atos, passeatas, festas, recitais, furando o discurso único da mídia oligopolizada e tecendo uma rede de informação alternativa na internet que se mostrou fundamental para denunciar a conspiração antidemocrática impulsionada pelo núcleo duro do neoliberalismo tupiniquim, cuja ilegitimidade após 4 derrotas eleitorais consecutivas transborda por todos os poros.
É a radicalização desta ocupação de ruas e praças, do diálogo criativo, da combatividade de quem sempre lutou por mais direitos e não aceitará perdê-los todos numa quartelada sem farda, impulsionada por uma gente sedenta de mudanças para que tudo permaneça como sempre foi. É esta sociedade democrática que se organiza e constrói novas convergências, o legítimo bloco histórico capaz de construir uma sociedade mais livre, igualitária, que pode, a luz do dia, alterar o script gestado nas sombras pelo submundo do capitalismo selvagem.
A las barricadas, portanto; e que façamos, todos e todas, um dia 31 ainda maior. Não passarão!

Fonte: Associação Brasileira dos Jornalistas

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