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Juíza: Mulher pode apanhar do marido 'mas ele ser excelente pai'

Resultado de imagem para Juíza diz que mulher pode apanhar do marido se "ele for excelente pai “os dois têm culpa. A culpa é dos dois. Um permitiu, o outro deixou, foi permissivo. A culpa sempre é dos dois, a culpa nunca é de um”. Isso foi o que ouviu da promotora Izabella Figueira, em uma audiência na 9ª Vara de Família da Comarca do Rio de Janeiro, onde tramita o processo de guarda do seu filho. A promotora se referia aos conflitos entre a mulher e o ex-marido, de quem ela diz ter sofrido violência doméstica.

Ouça o áudio

A criança tinha 3 anos de idade, e eles não entravam em acordo sobre como deveria acontecer as visitas paternas, já que Andressa se sentia ameaçada. A mulher havia relatado, logo no início da audiência, os episódios de violência que teriam acontecido quando era casada, além de perseguições depois da separação. Mesmo assim, ouviu da juíza Regina Helena Fábregas Ferreira que uma mulher pode “apanhar [do marido] mas ele pode ser um excelente pai”.

Ouça o áudio.

Quase cinco meses depois, Andressa foi novamente constrangida pela promotora. “A sua cliente escolheu o senhor para ser pai do filho dela”, afirmou Figueira em 2 de fevereiro de 2021. 

Andressa interveio: “Eu não escolhi, doutora”. Nem a promotora, nem a juíza Leise Rodrigues de Lima Espírito Santo, que conduzia a audiência, se interessaram em entender por que Andressa havia dito isso. A promotora se limitou a questionar: “Foi Deus?”. E a juíza emendou: “Fez sozinha, o filho?”. A vítima não teve espaço para responder. 

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Segundo Andressa, a criança seria fruto de um estupro. A informação, contudo, não constava nos autos do processo na data da audiência. Neles, via-se que Andressa já havia denunciado “relação sexual muitas vezes não consentida”, mas ela não deixara claro que a gravidez teria ocorrido por causa de um estupro.

Ainda que a mulher tenha sido vítima de violência doméstica, por lei, o pai segue tendo direito à convivência com o filho. Contudo, a forma que as autoridades se dirigiram a Andressa se caracteriza como agressão psicológica, segundo a titular do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Defensoria Pública do Ceará, Anna Kelly Nantua. 

Ela analisou os vídeos das duas audiências e afirmou: “A mulher é colocada como responsável pelos atos que a deixaram naquela situação. Na verdade, não há que se falar em culpa. Ela é uma vítima de violência doméstica”. 

Procurada por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público do Rio de Janeiro, a promotora disse que todos os processos de vara de família correm sob o segredo de justiça. “Assim, infelizmente não poderei prestar qualquer esclarecimento”.

Também procuramos as juízas Regina Helena Fábregas Ferreira e Leise Rodrigues de Lima Espírito Santo por meio da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Em nota, o TJRJ informou que as juízas não se manifestariam, pois o processo tramita em segredo de justiça, e a Lei Orgânica da Magistratura Nacional proíbe membros do Judiciário de falarem sobre casos pendentes de julgamento.

Relatos ignorados

A situação vivida por Andressa é corriqueira nas audiências das varas de família, de acordo com um mapeamento feito pela Defensoria Pública do Estado do Ceará. “A violência motivou o fim da relação amorosa e o processo, mas a mulher perde o protagonismo, e a denúncia original acaba silenciada”, afirmou Nantua.

O levantamento feito com base em processos originados no Nudem, em Fortaleza, mostra que não só a violência doméstica, mas também seu potencial ofensivo à integridade da mulher são esquecidos pelo Judiciário. Em todas as 630 ações analisadas, as vítimas mencionam a violência doméstica nos autos. Porém, das 205 em que houve acordo entre as partes, em apenas uma ação o juiz mencionou formalmente o abuso no termo de homologação. Em 71,7% das ações, também constavam pedidos de medidas protetivas, o que significa que a mulher, mesmo após a separação, ainda temia que o agressor lhe fizesse algum mal – risco que não se encerra com um mero acordo no papel.

Quando evita falar da violência sofrida pela mulher ao tratar da guarda dos filhos, o Judiciário tenta dissociar o indissociável, explicou a defensora Nantua. “As marcas da agressão saem do papel, mas não da vida e da mente daquela mulher. Para ela, é impossível separar. Existem marcas psicológicas e, muitas vezes, físicas, que estão instaladas nela”. 

Uma pesquisa do Conselho Nacional de Justiça, o CNJ, e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgada em 2019 avaliou o atendimento prestado pelo Judiciário às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Com base na observação de audiências, a conclusão foi de que as vítimas têm pouco espaço de fala e seus relatos são ignorados. 

Embora as mulheres não fossem interrompidas, e “aquelas mais espontâneas” conseguissem se manifestar “para além daquilo que era perguntado”, a pesquisa identificou “uma espécie de indiferença” dos membros do sistema de justiça. Eles não demonstram interesse pelo que é dito. Em vez disso, “se ausentam da audiência, distraem-se em seus computadores ou celulares, não estabelecem contato visual, nem pedem esclarecimentos”. Isso pode ser constatado em uma das audiências virtuais a que tivemos acesso. Em alguns momentos, a juíza Ferreira e a promotora Figueira desligaram suas câmeras. 

Andressa denunciou as juízas Ferreira e Espírito Santos ao CNJ, por “extrema parcialidade” e descuido com o seu caso, mas o ministro Luiz Fux determinou o arquivamento da ação, justificando que Andressa utilizou uma via inadequada. Em vez de Arguição de Suspeição e Impedimento, a denunciante deveria ter pedido abertura de Processo Administrativo Disciplinar. Ela entrou com o novo pedido em março de 2023, dessa vez destacando violência institucional, psicológica e abuso de autoridade. Agora, aguarda resposta do CNJ. 

A pesquisa do CNJ e do Ipea evidenciou que o perfil dos magistrados é decisivo para a qualidade do atendimento prestado às mulheres. Eles foram classificados em três categorias: resistentes, moderados ou comprometidos. O relatório aponta que um processo que tramita em vara não especializada, conduzido por um magistrado comprometido, tende a ser mais qualificado do que aquele que corre em vara especializada, mas é conduzido por um juiz resistente, por exemplo. “Apesar de o fenômeno da violência doméstica usualmente seguir uma dinâmica pouco variada, a resposta do Judiciário é muito heterogênea, a depender de fatores pessoais e institucionais”, diz o documento. 

A promotora Figueira também foi denunciada ao Conselho Nacional do Ministério Público. Em julho de 2023, o corregedor Oswaldo D’Albuquerque determinou “instauração de reclamação disciplinar visando apurar os fatos”.

‘Não tentei te matar’

Andressa e Júlio tinham pouco mais de um ano de relacionamento quando ela foi à delegacia pela primeira vez, em novembro de 2015, registrar queixa por ameaça, lesão corporal e injúria. De acordo com o boletim de ocorrência, ele a teria chamado de vagabunda e prometido arrebentá-la se a visse “com outro na rua”. 

Ele ainda a teria puxado pelo braço e a empurrado em direção a uma mesa. O exame de corpo de delito constatou que as manchas roxas e escoriações no antebraço direito, na perna e no tórax eram compatíveis com o que Andressa narrou no registro de ocorrência.

Em 2016, Ester Andrade era vizinha do casal. Ela morava no apartamento de baixo e “de tempos em tempos” se assustava com o barulho de coisas quebrando. “Parecia que ia furar o teto e, a qualquer momento, as coisas cairiam na nossa cabeça. Eu estava grávida e foi muito ruim ouvir aquela loucura”, disse.

Os vizinhos chegaram a chamar a polícia em uma das ocasiões, mas o casal disse aos policiais que estava tudo bem. “Depois, quando nos encontrávamos, eu via na cara da Andressa a vergonha estampada, mas nada era dito. Com certeza ela tinha medo dele”, acredita Andrade. 

Em um e-mail de fevereiro de 2016, anexado ao processo, Júlio admitiu suas atitudes violentas. Ele havia quebrado várias coisas do apartamento e jogado uma lata de verniz em direção à Andressa, quase atingindo seu olho. “Você sabe que não tentei te matar. Perdi a noção quando estourei a lata na parede, mas me machuquei também […]. Me perdoe por ter te feito mal e por ter te machucado”, ele escreveu. Segundo Andressa, o estupro que teria gerado a gravidez aconteceu alguns meses depois disso. 

Uma amiga de mais de 20 anos, que pediu para não ser identificada, me disse que Andressa rompeu o silêncio sobre o que sofria na relação depois do estupro que conta ter acontecido em 2016. Segundo essa amiga, a mulher entrou em contato com ela e desabafou tudo que sofrera calada até então.

Com a gravidez, os dois reataram o relacionamento e casaram em setembro de 2016, mas a violência continuou. Segundo a amiga, Júlio queria que Andressa abortasse. Em uma mensagem de WhatsApp que consta em um dos processos de violência doméstica, ele disse para a mulher tirar logo “essa merda que veio de mim”, mas ela se recusou.  

A separação definitiva aconteceu em 2019. Segundo Andressa relatou no processo, ela teria descoberto ser violentada enquanto estava dormindo, o que lhe deu forças para tomar a decisão após quatro anos de um relacionamento de aparências. Ela suspeita que Júlio a drogava, pois “acordava diversas vezes com sêmen em várias partes do meu corpo”. Ela mostrou no processo uma conversa de WhatsApp de janeiro de 2019, antes da separação, em que Júlio disse: “Te encoxei com o pau duro e você nem sentiu”. 

Outro motivo, segundo ela ainda mais forte, foi descobrir que Júlio levava pessoas para usar drogas dentro de casa, na frente do filho. Em uma troca de mensagens também anexada ao processo, o ex admitiu o ocorrido. “Um dia, ele foi buscar meu filho na escola e, assim que eu abri a porta, senti o cheiro. Ali, eu senti Deus falando comigo. De que adianta aturar ser estuprada e tudo o que vinha passando, se meu filho estava em risco?”.

Romper com o ciclo de violência é o primeiro grande passo que uma mulher dá quando denuncia seu agressor. Mas ela ainda vai ter que enfrentar o julgamento, a culpabilização ou o descrédito de muitas pessoas, inclusive de alguns membros do sistema de justiça. 

Para a defensora pública Nantua, titular do Nudem, a cultura machista faz as pessoas terem dificuldade de enxergar a vítima como tal. “A Lei Maria da Penha e várias legislações e políticas públicas que surgiram depois dela ajudaram, mas ainda precisamos avançar, inclusive no amparo e acolhimento à mulher que denuncia uma violência, para que ela nunca se sinta culpada”.  

Andressa entrou com o pedido de guarda definitiva e afastamento do filho do ex em julho de 2019. Foi nesse processo que aconteceram as audiências em que, como caracterizou a titular do Nudem, ocorreram as agressões psicológicas. A vítima já tinha conseguido uma medida protetiva de urgência por violência doméstica. A decisão era de distanciamento físico e eletrônico por 90 dias, mas isso valia apenas para ela, e as visitas de Júlio à criança foram mantidas.

Ele chegou a ser preso em outubro de 2019, após denúncia de que continuava perseguindo Andressa, tanto na escola do filho, quanto por mensagens. Foi solto 72 dias depois, com tornozeleira eletrônica. Em fevereiro de 2020, contudo, foi absolvido da acusação de violência doméstica. 

Em outubro de 2021, um inquérito policial que investigava a acusação de estupro concluiu que “o fato de a vítima ter sofrido violência doméstica ficou claro”, mas não havia “indícios suficientes de autoria e materialidade” do estupro, e o caso foi arquivado. 

Sem medida protetiva contra si e livre das denúncias criminais, Júlio alegou estar sendo vítima de alienação parental, porque Andressa não entrega o filho para as vistas paternas. Em junho de 2023, ele pediu inversão da guarda “para que sejam restabelecidos os laços paterno filial, que vem sendo destruídos por um capricho”. 

A juíza Ferreira não atendeu ao pedido. Ela justificou que é necessário analisar melhor a situação “antes de aplicação de medida mais drástica” – mas o processo ainda não acabou.

Fonte:https://www.intercept.com.br/2023/07/27/juiza-diz-mulher-pode-apanhar-do-marido-mas-ele-ser-excelente-pai/

Delegado que trabalha com Moraes pediu busca e apreensão de trio

Ministro Alexandre de Moraes Hiroshi Sakaki atua no inquérito das fake news e assina o requerimento enviado a Rosa Weber para que fossem apreendidos itens dos 3 acusados de hostilizar o ministro do STF

O delegado Hiroshi Araújo Sakaki foi o responsável por solicitar os mandados de busca e apreensão contra o trio que hostilizou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes no aeroporto internacional de Roma, na Itália, na última 6ª feira (14.jul.2023). 

Sakaki integra a Diretoria de Inteligência da PF (Polícia Federal) e atua em outras investigações sob a relatoria de Moraes, como o inquérito das fake news. Sua função na corporação envolve assuntos de contra-inteligência.

A ação policial foi autorizada pela presidente da Corte, ministra Rosa Weber. Moraes se declarou impedido de atuar no caso, mas manifestou interesse “na apuração de crimes contra a honra e contra a liberdade pessoal”, conforme trecho da decisão de Weber que o Poder360 teve acesso.

A ação dos agentes foi realizada em 2 endereços no município de Santa Bárbara d’Oeste (SP), a cerca de 140 km de São Paulo. Em nota oficial (íntegra – 110 KB), a corporação informou que “as ordens judiciais estão sendo cumpridas no âmbito de investigação que apura os crimes de injúria, perseguição e desacato praticados contra ministro do STF”.

DEPOIMENTOS

O empresário Roberto Mantovani Filho prestou depoimento à PF na última 3ª feira (18.jul.2023). Afirmou ter afastado o filho de Moraes com os braços porque, na sua avaliação, sua mulher, Andreia Mantovani, havia sido desrespeitada.

O outro investigado, Alexandre Zanatta, foi ouvido no domingo (16.jul). Informou aos agentes da PF que teve apenas um “encontro fortuito” com Moraes e que os xingamentos ao ministro partiram de outras pessoas que estavam perto dele.

O CASO

Moraes retornava de uma palestra no Fórum Internacional de Direito, realizado na Universidade de Siena, quando foi hostilizado pelo grupo, segundo a PF.

Os suspeitos teriam xingado o ministro de “bandido, comunista e comprado”. Roberto Mantovani teria inclusive agredido fisicamente o filho de Moraes com um golpe no rosto, quando ele interveio na discussão em defesa do pai.

Os 3 brasileiros identificados como Roberto Mantovani, Andreia Mantovani e Alex Zanatta desembarcaram na manhã de sábado (15.jul) no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Agentes da PF estiveram no local no momento do desembarque. Agora, a corporação apura se houve crime contra honra e ameaça.

Fonte: https://www.poder360.com.br/justica/delegado-que-trabalha-com-moraes-pediu-busca-e-apreensao-de-trio/


Tony Garcia divulga suposto áudio de Moro e o chama de “criminoso”

Sergio Moro O empresário curitibano e ex-deputado Tony Garcia publicou na 6ª feira (7.jul.2023) um suposto áudio com ex-juiz e atual senador Sergio Moro (União Brasil), no qual, segundo ele, mostra uma “ligação perigosa” do então magistrado com o réu.

“Confirmando que, eu, seu “réu”, tínhamos [sic] ligações perigosas nos bastidores de uma falsa justiça. Moro foi justiceiro criminoso, jamais juiz. Enquanto na magistratura, foi um juiz ladrão!”, publicou.

Assista (3min12s):

Durante o diálogo de Moro com Tony, são feitas supostas combinações de estratégia de divulgação com o réu. Além disso, o conteúdo trata sobre informações de uma sentença que, possivelmente, ainda não havia sido tornada pública.

Na ocasião, o ex-juiz faz uma promessa de não prejudicar uma empresa ligada ao réu.

O Poder360 procurou Sergio Moro por meio de sua assessoria para perguntar se gostaria de comentar o caso. A assessoria informou que o senador não irá se manifestar. O espaço segue aberto caso o congressista queira enviar uma posição.

Leia um trecho do diálogo de Moro com Tony Garcia:

Tony Garcia – “Uma coisa só que me preocupa, quando for a sentença, seja ela qual for, o senhor vai dar publicidade para isso?”

Sérgio Moro – “Assim, tu é uma pessoa publicamente exposta né, aí assim, o que é que acontece, se eu não divulgar o pessoal vai ficar me cobrando e tal, então eu prefiro divulgar, entendeu”.

Fonte:https://www.poder360.com.br/congresso/tony-garcia-divulga-suposto-audio-de-moro-e-o-chama-de-criminoso/

STF torna réus ladrão de toga, réplica de Constituição e destruidor de relógio

Homem levanta réplica da Constituição Federal após atos de 8 de janeiro A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou réus mais 45 acusados de participação nos atos antidemocráticos. Entre eles, estão nomes que ficaram conhecidos durante no dia 8 de janeiro por atentarem contra símbolos emblemáticos da República.

Willian da Silva Lima, que roubou a toga de um dos ministros; Marcelo Fernandes, que levou réplica da Constituição Federal de 1988 da sede da Corte, durante os atos golpistas de 8 de janeiro; e Antônio Cláudio Alves Ferreira, investigado sob suspeita de ter quebrado um relógio histórico no Palácio do Planalto se tornaram réus no inquérito.

O julgamento ocorre no plenário virtual, modalidade na qual os ministros inserem os votos no sistema eletrônico da Corte e não há deliberação presencial. A votação vai até as 23h59 desta segunda-feira.

Cerca de 250 acusados continuam presos sob a acusação de atuarem como autores e instigadores dos atos.

Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/stf-torna-reus-ladrao-de-toga-replica-de-constituicao-e-destruidor-de-relogio

Veja quem são os militares que aparecem nas conversas de Mauro Cid sobre golpe

Jair Bolsonaro e Mauro Cid em imagem de março de 2020 — Foto: Alan Santos/PR Cid está preso desde maio em uma operação que apura suposta fraude em registros de vacina para favorecer o ex-presidente.

Registros encontrados no aparelho mencionam cinco militares em diálogos sobre atos e movimentos contra a democracia, em uma tentativa de manter Bolsonaro no poder. Um deles foi transferido para a reserva em abril deste ano.

Os militares citados pela Polícia Federal no relatório do celular de Mauro Cid são:

Coronel Jean Lawand Junior

Coronel do Exército Jean Lawand Júnior. — Foto: Reprodução

Coronel do Exército Jean Lawand Júnior. — Foto: Reprodução

O coronel do Exército Jean Lawand Junior é mencionado pela Polícia Federal em uma troca de mensagens com Mauro Cid sobre um possível convencimento de Jair Bolsonaro para uma tomada autoritária de poder.

"Pelo amor de Deus, Cidão. Pelo amor de Deus, faz alguma coisa, cara. Convence ele a fazer. Ele não pode recuar agora. Ele não tem nada a perder. Ele vai ser preso. O presidente vai ser preso. E, pior, na Papuda, cara", afirmou em dezembro de 2022 a Cid.

Em resposta, o então auxiliar de Bolsonaro disse que o "PR [Presidente da República] não pode dar uma ordem...se ele não confia no ACE [Alto Comando do Exército]".

Na última troca de mensagens com Cid, Lawand demonstrou estar decepcionado com a inação de Bolsonaro. "Soube agora que não vai sair nada. Decepção irmão. Entregamos o país aos bandidos". Cid respondeu: "Infelizmente".

Coronel de Artilharia, Lawand atualmente exerce o cargo de supervisor do Programa Estratégico ASTROS do Escritório de Projetos do Exército.

Ele se formou, em 1996, em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Tem pós-graduado em Ciências Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).

Entre 2017 e 2020, chefiou o 6º Comando de Mísseis e Foguetes. Antes, foi Oficial de Ligação do Exército na empresa Avibras Aerospacial. Também exerceu o cargo de comandante do Corpo de Alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas (SP).

Em março de 2021, o então presidente Jair Bolsonaro concedeu a ele a Ordem do Mérito Militar no grau de cavaleiro.

General Édson Skora Rosty

General da reserva do Exército Édson Skora Rosty. — Foto: Reprodução/Exército Brasileiro

Então general de Divisão do Exército, Édson Skora Rosty é apontado pela Polícia Federal como o militar mencionado em um áudio encaminhado por Lawand a Cid.

Em dezembro de 2022, o coronel do Exército escreveu ao então ajudante de Bolsonaro que "ele [em referência ao então presidente] tem que dar a ordem", em alusão a tentativas de mantê-lo no poder.

Na sequência, Lawand encaminha o áudio, que afirma ter recebido de um "amigo do QG [Quartel-General]".

“Meu amigo, na saída do QG [Quartel-General] encontro bom o ROSTY, SCmt COTER. Foi uma conversa longa, mas para resumir, se o EB [Exército Brasileiro] receber a ordem, cumpre prontamente. De moto próprio o EB [Exército Brasileiro] nada vai fazer porque será visto como golpe. Então, está nas mãos do PR [presidente da República]", diz a mensagem.

Segundo a PF, o "nome ROSTY pode estar relacionado ao General de Divisão, Subcomandante de Operações Terrestres do Comando de Operações Terrestres do Exército Brasileiro, EDSON SKORA ROSTY".

Rosty foi Subcomandante de Operações Terrestres do Exército Brasileiro entre julho de 2022 e abril de 2023. Ele foi transferido para a reserva no mesmo mês pelo presidente Lula.

Ele tem mestrado em ciências militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército e pela Academia de Guerra do Exército do Chile. Foi comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva das Missões em Tefé (AM) e comandante da 12ª Região Militar da Amazônia Ocidental, em Manaus.

Durante o governo Bolsonaro, exerceu ainda os cargos de diretor de Ensino e diretor de Civis, Inativos, Pensionistas e Assistência Social do Ministério da Defesa. Recebeu ainda do então presidente, em maio de 2022, a Ordem do Mérito da Defesa no grau de Grande-Oficial.

Tenente-coronel Marcelino Haddad

Coronel do Exército Marcelino Haddad. — Foto: Reprodução/Exército Brasileiro

O tenente-coronel Marcelino Haddad Aquino Carneiro é apontado pela Polícia Federal como o responsável por encaminhar a Cid um conjunto de arquivos sobre o emprego das Forças Armadas para a "garantia dos Poderes constitucionais". À época, ele era tenente-coronel de Comunicações

Os arquivos defendem a tese das Forças como "poder moderador". Há ainda documento com uma consulta ao jurista Ives Gandra.

Nas respostas às questões, ele defende a tese de que o artigo 142 da Constituição Federal dá às Forças o papel de poder moderador, que poderia ser empregado em caso de "inimigo externo ou crise entre poderes".

Essa tese, entretanto, já foi refutada por juristas de diversas tendências, como o ministro Joseli Camelo, presidente do Supremo Tribunal Militar (STM), ministros do STF e entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Atualmente, o tenente-coronel Haddad é comandante do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro da Reserva do Rio de Janeiro. Antes, foi assessor da Cooperação Militar no Paraguai.

Iniciou a carreira no Exército em 1996. Foi instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO). Também comandou o 16º 1º Pelotão de Comunicações de Selva, em Tefé (AM) e a 20ª Companhia de Comunicações Paraquedista, no Rio.

Major Fabiano da Silva Carvalho

O relatório da Polícia Federal menciona o major Fabiano da Silva Carvalho como o destinatário inicial da mensagem do jurista Ives Gandra sobre a tese de que o artigo 142 da Constituição Federal dá às Forças o papel de poder moderador, que poderia ser empregado em caso de "inimigo externo ou crise entre poderes".

O Portal da Transparência, que reúne dados dos servidores públicos da União, no entanto, indica a existência de somente um Fabiano da Silva Carvalho vinculado ao Ministério da Defesa.

Ele, porém, é tenente-coronel — patente acima de major — e exerce o cargo de adjunto da Seção de Doutrina e Estudos do Centro de Comunicação Social do Exército.

Sargento Luis Marcos dos Reis

Sargento do Exército Luis Marcos dos Reis. — Foto: Reprodução

O sargento do Exército Luis Marcos dos Reis ganhou seção especial na análise feita pela PF do conteúdo do celular de Cid. Dos Reis foi um dos presos pela PF na operação que apura fraude em cartões de vacina do ex-presidente e ajudantes, em maio.

Ele aparece pela primeira vez em uma conversa com Cid sobre manifestações de cunho golpista em frente ao Quartel do Exército de Goiânia (GO).

"Ao ser questionado sobre a manifestação Mauro Cid diz: 'Mais fácil eu ajudar os caras do que tirar de lá'", destacou a PF.

Segundo a PF, Dos Reis também participou dos atos golpistas de 8 de janeiro e chegou a subir na cúpula do Congresso. Ele ainda esteve no acampamento no Quartel-General do Exército em Brasília e incentivou a "tomada de poder pelas Forças Armadas".

O documento enviado pela PF ao ministro Alexandre de Moraes indica que o sargento enviou vídeos e imagens com a participação dele nas invasões às sedes dos Três Poderes.

"Eu estou no meio da muvuca! Não sei o que está acontecendo! O bicho vai pegar!", escreveu em uma das mensagens.

Dos Reis ingressou no Exército em 2004, no Rio de Janeiro. Participou de missões no Haiti. Entre 2013 e 2016 foi motorista e segurança pessoal do comandante do Exército.

De janeiro de 2020 a julho de 2022, foi supervisor na Ajudância de Ordens da Presidência da República 8 – diretamente ligado a Cid. Em julho de 2022, assumiu cargo de coordenador-geral de Mobilidade e Conectividade Turística no Ministério do Turismo. Foi exonerado pelo governo Lula em janeiro.

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