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Acusado de extorquir políticos em São Paulo, delegado da PF vira réu

                Dois informantes que se passavam por policiais federais e um empresário que integrava o esquema também são réus no processo 

oc0502A Justiça Federal de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o delegado Mário Menin Júnior por organização criminosa e corrupção passiva. Menin era assessor do Superintendente Regional da PF, quando foi preso em outubro do ano passado. Também são réus no processo o empresário Sílvio Oliveira Mileo, José Celso Silva e Luis Francisco Caselli — este responde também por usurpação de função pública, por ter se passado por delegado federal.

O processo tramita na 9ª Vara Federal de Campinas. Mileo foi solto na semana passada depois de conseguir um habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. O delegado foi beneficiado pela mesma medida e vai responder ao processo em liberdade. No entanto, por decisão da Justiça Federal ele foi afastado do cargo. Silva também responde em liberdade. Caselli está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros.

Segundo a denúncia, Caselli e Silva foram até Paulínia, no interior de São Paulo, onde se apresentaram como policiais federais a um assessor do prefeito e um secretário municipal. Eles ameaçaram divulgar um dossiê com supostas irregularidades e deflagrar uma operação policial contra a administração municipal. Para evitar o escândalo, os dois teriam exigido a contratação de uma empresa de placas ligada a Mileo. Na saída do encontro, Caselli chegou a dar um adesivo “Polícia Federal contra a Corrupção” para um dos secretários.

Outra reunião aconteceu na sede da Polícia Federal, na Lapa, em São Paulo, em 21 de agosto do ano passado. Dois funcionários da prefeitura de Paulínia foram até o gabinete de Menin, onde foram recepcionados por Caselli. A sala onde ocorreu o encontro fica no 9º andar do prédio.

Investigação
O esquema começou a ser investigado em setembro de 2017, quando representantes da prefeitura de Paulínia procuraram o Núcleo de Inteligência da PF em Campinas e contaram que estavam sendo extorquidos por pessoas que se apresentaram como policiais federais. A
Corregedoria do órgão conseguiu imagens internas da sede da PF confirmando o livre acesso que Menin garantia ao falso policial nas dependências do órgão.

Segundo a investigação, o empresário Sílvio Mileo seria o real dono da empresa de placas. Os agentes apuraram que Menin é amigo do empresário. Os dois aparecem juntos em fotos publicadas em uma rede social. Os policiais também descobriram que nos últimos anos, os dois viajaram ao exterior 15 vezes nos mesmos voos.

Com autorização da Justiça Federal, os investigadores instalaram escuta ambiental (câmeras e microfones escondidos) no gabinete de Menin na PF. O ramal do telefone da sala dele também foi grampeado pelos policiais. Os outros três investigados também foram alvo de interceptação telefônica. Há diálogos em que eles se referem a supostos esquemas em outras prefeituras de cidades na Grande São Paulo e no interior do estado.

Durante as diligências, os agentes descobriram uma reunião dos envolvidos na empresa de Mileo, em Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo, no dia 4 de outubro. Segundo relatório da investigação, o delegado chegou ao encontro dirigindo uma viatura da PF. Os quatro foram presos seis dias depois em operação da Polícia Federal.

Outro Lado
A Polícia Federal informou que o delegado Mário Menin Júnior está afastado e que há uma investigação interna em andamento.
O advogado Antonio Luiz Barros de Salles Filho, que defende o delegado, enviou ao R7 a seguinte nota:

“A Defesa do Delegado de Polícia Federal MÁRIO MENIN JÚNIOR nega veementemente os fatos que lhe são imputados.
Repudia os termos da denúncia baseada em inquérito policial repleto de irregularidades, informações que não condizem com a realidade fática e desprovido de mínimos indícios de materialidade e de autoria em relação à sua pessoa.

Salienta que sempre se pautou pela retidão de conduta e de caráter, inexistindo qualquer fato que desabone sua integridade pessoal ou profissional.

Possivelmente está tendo sua reputação atacada por ter contrariado algum interesse no exercício de suas funções.
E, por fim, manifesta sua certeza de que a verdade prevalecerá e sua crença de que o Poder Judiciário atuará com imparcialidade e justiça!”

A reportagem do R7 entrou em contato com Leonardo Augusto Barbosa de Camargo, advogado de Luis Francisco Caselli, que também refutou todas as acusações do Ministério Público Federal.

Procurados pelo R7, os advogados do empresário Sílvio Milleo informaram que não vão se manifestar. O advogado Jorge Luis Lage, que defende José Celso Silva, disse que o cliente não quis se manifestar.

Fonte: R7

 

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