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Ex-coronel da PM ligado a piloto preso admite ter voado em helicóptero que levou chefes de facção criminosa

Edson Luiz Gaspar prestou depoimento ao Deic nesta quarta-feira e também disse ter usado outra aeronave do crime organizado para renovar brevê.

oc2705O coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo Edson Luiz Gaspar foi ouvido pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (23) sobre a relação que ele tinha com o piloto Felipe Ramos Morais, acusado de ter participado da morte de dois chefes de uma facção criminosa paulista que atua dentro e fora dos presídios. 

 O assassinato dos chefes da Primeiro Comando da Capital (PCC) ocorreu em fevereiro deste ano no Ceará. Segundo a GloboNews apurou, Edson Luiz Gaspar admitiu à polícia ter voado no mesmo helicóptero utilizado para levar os traficante Paca e Gegê do Mangue para uma emboscada. O voo teria sido entre São Paulo e Goiânia, em dezembro do ano passado, dois meses antes do crime. 

O depoimento do coronel aposentado foi no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), na Zona Norte de São Paulo. Os investigadores não têm provas de que Edson Luiz Gaspar e Felipe Ramos Morais tivessem negócios juntos, mas a amizade entre os dois era de longa data, segundo disse Gaspar no depoimento.

Outra aeronave do crime organizado

Edson Luiz Gaspar era subcomandante do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar de São Paulo. Depois que se aposentou, o coronel teria usado uma outra aeronave que pertence ao crime organizado, na época administrada por Felipe Ramos Morais.

  Gaspar pilotou o helicóptero para acumular as horas de voo necessárias para renovar seu brevê de piloto. No depoimento que prestou à polícia nesta quarta, ele disse não saber quem era o dono da aeronave. O coronel disse ao delegado que Felipe Ramos apenas contava estar trabalhando para um patrão bem rico. 

  Dois inquéritos envolvendo Felipe Ramos Morais correm no Deic. Um deles trata de lavagem de dinheiro, e o outro apura associação criminosa. Nessa investigação, a polícia paulista chegou ao nome de quatro pilotos que usavam as aeronaves do crime organizado, um deles era o coronel reformado da PM. 

Empresa de piloto e filha de ex-coronel

Quando foi subcomandante do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da PM de São Paulo, Gaspar tinha, abaixo dele, mais de 400 policiais, respondendo por quase 30 aeronaves da PM em todo o estado. Em 2008, a filha dele, Tamires Correa Gaspar, abriu uma empresa em sociedade com Felipe Ramos Morais. 

Felipe é apontado pela polícia de São Paulo como piloto dessa facção e já foi condenado por traficar cocaína usando um helicóptero. Ele foi encontrado usando o documento falso de outro piloto, que estava desaparecido e era suspeito de levar drogas do Paraguai para Goiás.

  À Polícia Civil, o preso teria dito que usava o documento falso por ter feito serviços para organizações criminosas e ter medo de ser encontrado por esses grupos. 

A empresa aberta pelo piloto se chama G. F. Assessoria Aeronáutica Ltda. Felipe Ramos Morais era sócio e administrador. A filha do coronel assinava apenas como sócia – na época, ela tinha 19 anos.

Amigos desde 2012

  De acordo com o registro na Junta Comercial de São Paulo, em março do ano passado, Felipe foi retirado da sociedade e o Coronel Gaspar, agora aposentado, entrou no lugar dele. Os dois ficaram amigos numa rede social em março de 2012. Quatro meses depois, Felipe foi preso com 173 kg de pasta base de cocaína neste helicóptero. 

 Em entrevista anterior à GloboNews, o coronel afirmou que conheceu "Felipe quando ele era adolescente" e que não possui relação com o piloto. 

  "Eu até ajudei ele, conheci a família dele e tudo mais. Hoje, a gente não tem mais relacionamento nenhum. Ele era fã do grupamento aéreo, ele me conheceu fazendo demonstração com o Águia, ele vira e mexe ia no Grupamento, ia lá ver, ele apaixonado por helicópteros, começou a paixão dele com os helicópteros da polícia, como de tantos outros jovens", disse o oficial. 

Fonte: G1

 

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