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Projeto em Minas aposta na arte do origami para recuperar detentos

Programa quebra preconceitos e oferece aulas no Palácio das Artes.
‘Recuperandos’ mostram como o origami tem mudado suas vidas.

projetoUm pedaço de papel, mãos e criatividade para o bem. São estes os ingredientes usados pela assistente social Rosemary Ramos no projeto "Mãos Pela Paz" para recuperar internos que estão no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Para ela, o poder de transformação do papel também pode mudar vidas.

opção foi aceita por alguns detentos do presídio. Bruno, Elvis, Luiz, Marcelo Paulo, e Willian foram selecionados pela equipe de atendimento e ressocialização que faz as classificações de perfis para os diversos trabalhos dentro da unidade. Eles têm aulas diárias e trabalham no ateliê como “origamistas”. A cada três dias de trabalho um será reduzido da pena, caso sejam condenados pelos crimes para os quais os detentos esperam julgamento.

Em depoimento, eles contam como percebem o próprio comportamento. “Está me fazendo pensar de forma diferente, controlo mais minha ansiedade, o convívio com os outros presos está melhor”, afirma Elvis. “Isso me trouxe vínculo com minha família, o pessoal me enxergou de outra maneira”, revela Luiz Gonzaga, que acrescenta: “Tudo depende da gente”.

O projeto pretende diminuir a reincidência criminal e nortear o futuro profissional dos “recuperandos”, como são chamados. “A pessoa encarcerada não tem a possibilidade de retomar as suas atividades para o bem na sociedade, não só pelo preconceito, mas também por falta de uma oportunidade que não teve no passado”, analisa a pedagoga e diretora de ensino e profissionalização da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Tânia Castro

omo exemplos desta situação, a pedagoga, que atua no setor há cerca de oito anos, cita a falta de acesso à educação e a própria estrutura familiar. Tatiane Lídia Costa é a diretora de atendimento e ressocialização do Ceresp Betim e vê o projeto de origami no complexo prisional como uma conquista, pois oferece aos presos novas oportunidades de aprendizado e profissionalização.

Conforme explica Tatiane, os crimes cometidos [assaltos, tráfico de drogas, furto e roubo, entre outros] não são negados, mas o que se busca são oportunidades de evitar a repetição destas falhas. “Eles já são julgados pela Justiça”, ela explica.

No caminho da mudança, 'recuperandos' ensinam a arte do origami

A fim de quebrar paradigmas, a partir desta terça-feira (5), dois ‘recuperandos’ e um ex-detento que já participava da oficina no Ceresp antes de receber a liberdade condicional, ministram aulas sobre origami no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

Na palestra inicial, um dos monitores ensina a história da arte. “Origami significa dobradura de papel. Com os quatro lados iguais, é feito o [modelo] tradicional. Com pedaços menores, é montado o 3D”, explicava Elvis.

Entre os inscritos na oficina, estão pedagogos e educares de creches, escolas municipais e estaduais, e faculdades. O programa de aulas tem duração média de um mês. A atual condição dos monitores foi exposta no anúncio da atividade, mas contrariando “pré-conceitos”, as vagas se esgotaram rapidamente, afirma Lúcia Ferreira, coordenadora de pesquisa e extensão da Fundação Cloves Salgado, entidade que oferece o curso.

Andrea Dário é uma das educadoras participantes. Formada em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais, ela trabalha em um centro de referência em saúde mental na capital mineira. “É muito importante esse trabalho de inclusão, seja qual for”, aponta ela sobre o curso. “Eu acredito no resgate do ser humano e acho importante compartilhar, participar”, disse.

“Parece que nos dá uma nova vida. Te dá uma certa tranquilidade, estabilidade de você saber que tem valores. E acreditar em um futuro de esperança”, resumiu Paulo, que está em liberdade condicional.

Fonte: G1

 

 

 

 

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