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Mulher de Nem da Rocinha, Danúbia Rangel se fantasia de Mamãe Noel no presídio

r1512Danúbia de Souza Rangel, mulher do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, teve um dia de Mamãe Noel na Penitenciária Nelson Hungria, dentro do Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio. Ela e as outras detentas da unidade participaram, nesta quinta-feira, do 9º concurso Cela Brilhante de Natal, promovido pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Rio.

Danúbia — conhecida pelas fotos sensuais nas redes sociais — vestia botas pretas, meia arrastão, minissaia e colete vermelhos, luva de renda branca e gorro. Em outro momento, ela apareceu com uma tiara que trazia a imagem de Papai Noel. Isso aconteceu quando as detentas se reuniram no pátio para uma apresentação gospel com a cantora Cristina Mel, que cantou algumas músicas enquanto a direção da Seap somava as notas antes de anunciar o resultado.

Danúbia junto com outras detentasDanúbia junto com outras detentas Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

A mulher de Nem foi também a responsável por entregar lembrancinhas aos jurados do concurso: uma caixinha com passagens bíblicas e um lápis decorado. Danúbia chamava a atenção pelo bom humor — ela sorria o tempo inteiro — e também pelos cabelos que estão novamente compridos e com mechas louras. A proposta do evento realizado na penitenciária, segundo a Seap, é despertar nas internas o espírito natalino e premiar as celas mais bem decoradas e as mais criativas.

Os enfeites utilizados no concurso foram fabricados com materiais recicláveis e confeccionados pelas próprias detentas, além de itens trazidos por amigos e por familiares. A cela F, vencedora do concurso ganhou a reforma do banheiro do espaço, custeada pela Seap. Informalmente os funcionários e pessoas convidadas já consideravam essa cela como a grande favorita. A segunda colocada recebeu uma televisão e a terceira, kits de beleza.

Detenta da cela vencedora do concursoDetenta da cela vencedora do concurso Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Detentas produziram enfeites

Os dez jurados são membros da Seap e da Defensoria Pública estadual. Durante pouco mais de três horas, eles visitaram as 11 celas e, além de avaliar a decoração, assistiram a apresentações de teatro baseados em uma passagem bíblica. Os critérios de escolha foram beleza, pintura, limpeza do espaço, organização, disciplina, espírito natalino, criatividade e reciclagem. As notas podiam variar de 6 a 10.

Durante todo o ano, as detentas produziram os enfeites com materiais recicláveis guardados, como, por exemplo, potes de latas de alumínio, papel higiênico, tampas de refrigerante e folhas de jornal. Garrafas de iogurte cobertas com embalagens de quentinha deram origem a anjos. Bonecos de neve foram formados com copos descartáveis. Em algumas celas, pequenos quadros exibiam fotos de familiares das detentas.

A detenta Ieda Cristina, de 46 anos, está aguardando julgamento há quatro anos após ser acusada de participar de um homicídio junto com o marido. Nesta quinta-feira, vestida de anjo durante o evento, ela reforçou a importância de celebrar o espírito natalino:

— Às vezes, pensar no Natal dentro do cárcere pode causar um certo arrepio. Mas estar aqui também tem os seus momentos felizes, como hoje. Com dedicação e zelo, nós percebemos que podemos ser formigas trabalhadoras.

Detentas apresentaram números teatraisDetentas apresentaram números teatrais Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Danúbia aguarda progressão de regime

Presa pela última vez em outubro do ano passado, Danúbia já cumpriu o tempo de pena necessário - um sexto do total - para progredir de regime. O preso precisa também ter bom comportamento para ganhar o benefício. Caberá à Vara de Execuções Penais do Rio decidir se ela passará ou não pela avaliação, que pode incluir ainda um exame criminológico, no qual um dos critérios é saber se o preso tem chances de voltar a cometer crimes.

Danúbia está presa desde 2017Danúbia está presa desde 2017 Foto: Divulgação

No regime semiaberto, o detento pode sair do presídio e retornar para a unidade prisional, no fim do dia, para dormir. Há, ainda, a possibilidade de ficar até sete dias fora do presídio durante as datas comemorativas, como Dia das mães, Páscoa e Natal. Os benefícios, no entanto, não são automáticos. Após a progressão de regime, a Justiça também precisa autorizar as saídas do presídio.

Ela já havia ficado presa preventivamente entre março e julho de 2014, e de agosto daquele ano a março de 2016. Esses períodos também são contabilizados para conceder o benefício do semiaberto.

Em abril deste ano, os desembargadores da 7ª Câmara Criminal do Rio absolveram Danúbia pelo crime de tráfico de drogas. No entanto, ela ainda responde por outros dois delitos: associação para o tráfico de drogas e corrupção ativa. Com a decisão, a pena inicial de 28 anos foi reduzida para 17 anos e quatro meses. A mulher de Nem foi capturada num dos acessos ao Morro do Dendê, na Ilha do Governador, Zona Norte da cidade.

Danúbia está atualmente em presídio no Complexo de Gericinó

Fonte: EXTRA

Conselho da Comunidade realiza Natal para os presos e agentes pelo 4ª ano

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O Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba realiza pelo quarto ano consecutivo o Natal de 11.400 presos e agentes das penitenciárias e delegacias. É a maior celebração dessa natureza de todo o Brasil.

A festa consiste em uma apresentação musical da dupla Bruno César & Leandro, uma mensagem ecumênica das pastorais católica e evangélica e um lanche que leva uma esfiha, uma cuca de goiabada e um refrigerante.

De acordo com Isabel Kugler Mendes, presidente do órgão, a iniciativa visa normalizar a execução da pena em consonância com o princípio da dignidade humana. “Esse é um momento difícil para os presos. Eles pensam muito na família. Também é uma data que tem uma mensagem simbólica de perdão, esperança, renovação. Para os agentes penitenciários também, que são um população invisível. A execução penal tem que ser satisfatória para todos, servidores e apenados, esse é um princípio cidadão”, afirma.

O objetivo final do projeto é desenvolver uma atividade de efetiva integração social, possibilitando aos apenados e agentes um dia de resgate de cidadania, de normalidade da vida cotidiana. “É o momento em que o Conselho da Comunidade escuta os apenados e os agentes e busca solucionar eventuais problemas para o novo ciclo, principalmente nas questões relacionadas aos acessos (sol, estudo e trabalho), dificuldades internas e relacionamento com os familiares”, afirma.

“E nesse ano é ainda mais primordial porque o país vive um dilema em relação ao sistema penitenciário. Ele é encarado como um grande problema nacional que precisa ser remodelado, mas os novos legisladores querem desenvolver essa mudança a partir da retirada da cidadania. Nós nunca experimentamos um sistema penitenciário ideal para se falar em cortes e privilégios”, completa Isabel Kugler Mendes, que separa duas semanas por ano, todos os anos, para ouvir e conversar com mais de 10 mil presos.

“Se a realidade que temos é de uma indústria do encarceramento fortemente subsidiada por uma indústria do crime, ambas alimentadas por uma sociedade doente, com vontade de punir, precisamos trabalhar com esse público da maneira mais humanizada possível. Isso se chama política pública. Esses ambientes não podem mais ser consumidos pela violência e submissão. A mensagem que levamos a estas pessoas é de que é possível recomeçar. E o Natal é a melhor data para isso”, completa a presidente do órgão.

Programação

3 de dezembro (segunda-feira)

Penitenciária Central do Estado (PCE) – parte 1

4 de dezembro (terça-feira)

Penitenciária Central do Estado (PCE) – parte 2

5 de dezembro (quarta-feira)

Penitenciária Central do Estado – Unidade de Progressão (PCE-UP)

Penitenciária Estadual de Piraquara II (PEP II)

6 de dezembro (quinta-feira)

Casa da Custódia de Piraquara (CCP)

Penitenciária Feminina do Paraná (PFP)

10 de dezembro (segunda-feira)

Penitenciária Estadual de Piraquara I (PEP I)

Colônia Penal Agroindustrial (CPAI)

11 de dezembro (terça-feira)

Casa de Custódia de Curitiba (CCC)

Casa de Custódia de São José dos Pinhais (CCSJP)

13 de dezembro (quinta-feira)

Complexo Médico Penal (CMP)

14 de dezembro (sexta-feira)

Delegacias de Curitiba

Internos da PCE-UP acompanham celebração do Natal

 

Presos da PCE-UP: 250 internos do regime fechado sem nenhuma algema

 

Presos e agentes convivem normalmente na PCE-UP

 

Preso usa espelho para observar movimentação do corredor

 

Isabel Kugler Mendes na Penitenciária Central do Estado, maior unidade de regime fechado do Paraná

 

Isabel Kugler Mendes conversa com presos da PEP II

 

Pastores da Igreja Batista conversam com presos na solenidade de Natal

 

Representantes da Pastoral Carcerária da Igreja Católica conversam com presos

 

Fonte: conselhocomunidadecwb

Deputado de Goiás quer acabar com banho de sol, visita íntima e casamento de pessoas condenadas

r0212O deputado Delegado Waldir (PSL-GO) propôs entre setembro e novembro três projetos de lei na Câmara dos Deputados que pretendem acabar com o banho de sol (PL 10.825/2018), a visita íntima (PL 10.857/2018) e o casamento de condenados até a extinção da pena (PL 10.999/2018). Ele foi o parlamentar mais votado de Goiás nas eleições 2018.

A primeira proposta afirma que o “condenado permanecerá na cela o tempo todo, admitindo-se sua saída apenas para o trabalho ou para receber a assistência, vedado o banho de sol ou atividades recreativas”.

Segundo o texto, o “Estado procura, muitas vezes, compensar sua omissão em relação às vagas para o trabalho com dias de recreação, banhos de sol e lazer, o que não é benéfico ao condenado, que não recebe o benefício da remissão e tampouco à sociedade que tem que arcar com por mais tempo com as despesas do encarceramento”.

A justificativa ainda afirma que o horário do banho de sol é utilizado para “acertos de contas, homicídios e fugas”. “O que não se admite é que o condenado passe todo o dia jogando futebol, praticando atividades recreativas, enquanto o cidadão cumpridor das leis tem que trabalhar o dia inteiro para pagar o ócio dos condenados”.

A proposta será analisada pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Leia a íntegra do projeto. 

É verdade?

Não. O banho de sol é um direito consagrado pela Lei de Execução Penal e sucumbiu diante da realidade da superpopulação prisional do país.

O Art. 41 da Lei de Execução Penal afirma que constituem direitos do preso alimentação suficiente e vestuário; atribuição de trabalho e sua remuneração; Previdência Social; constituição de pecúlio; proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação; exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena; assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa; proteção contra qualquer forma de sensacionalismo; entrevista pessoal e reservada com o advogado; visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados; chamamento nominal; igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da individualização da pena; audiência especial com o diretor do estabelecimento; representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito; contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes; e atestado de pena a cumprir, emitido anualmente, sob pena da responsabilidade da autoridade judiciária competente.

As determinações são claras em admitir que o preso deve sair da cela porque a pena pressupõe reequilíbrio social e não uma gaveta.

Mas o banho de sol foi incorporado definitivamente em 2003 pela Lei nº 10.792, que destaca a determinação de acesso a duas horas de sol por dia nos direitos previstos mesmo diante das faltas disciplinares. Ou seja, o entendimento é de que esse direito se estendeu a todos os provisórios e condenados.

A determinação também aparece nas Regras Mínimas das Nações Unidas para Tratamento de Presos (Regras de Mandela), que determinam que “todos os presos devem ser tratados com respeito, devido a seu valor e dignidade inerentes ao ser humano”. A Regra 23 afirma que “todo preso que não trabalhar a céu aberto deve ter pelo menos uma hora diária de exercícios ao ar livre, se o clima permitir”.

As regras 1 e 5 completam as assertivas anteriores. “Nenhum preso deverá ser submetido a tortura ou tratamentos ou sanções cruéis, desumanos ou degradantes e deverá ser protegido de tais atos, não sendo estes justificáveis em qualquer circunstância”, diz o texto inaugural. “O regime prisional deve procurar minimizar as diferenças entre a vida no cárcere e aquela em liberdade que tendem a reduzir a responsabilidade dos presos ou o respeito à sua dignidade como seres humanos”, completa o quinto tópico.

As Regras de Mandela foram incorporadas à jurisdição brasileira pela  Resolução 14/1994 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP).

Na prática a teoria é outra. Essas determinações legais continuam a não ser cumpridas no país. São raras as penitenciárias que permitem banho de sol diário aos presos em função da falta de estrutura adequada ou de pessoal para realizar as movimentações.

Das dez penitenciárias de regime fechado atendidas pelo Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, apenas duas permitem banho de sol diário a todos os presos. Os detentos chegaram a mandar uma carta para a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatando que a determinação de banho de sol não é cumprida na maior penitenciária do Paraná.

Visita íntima

Já a justificativa do projeto de lei da visita íntima afirma que ela configura “um dos meios pelos quais o crime organizado repassa mensagens para seus asseclas e permite que seus integrantes tenham direito à visita de prostitutas que se cadastram como companheiras, situação corriqueira que é tratada como não existente pelas autoridades”.

O deputado ainda diz que “o direito à visita íntima é tratado quase como uma obsessão pelas autoridades responsáveis pelo sistema prisional, colocando o Brasil como um país de vanguarda neste quesito, embora as prisões continuem como o centro de comando do crime organizado e em situação de calamidade pública”.

O texto será analisado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Leia a íntegra do projeto.

O que é verdade?

A visita do cônjuge aparece no mesmo Art. 41 da Lei de Execução Penal, que versa sobre o direito dos presos, mas a visita íntima, propriamente escrita, nunca vislumbrou legislação na execução penal. Ao mesmo tempo nunca foi apontada por especialistas em segurança pública e Direito como preponderante para as organizações criminosas.

A base legal no país é a Resolução 01/1999 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que afirma que a direção do estabelecimento prisional deve assegurar ao preso visita íntima de, pelo menos, uma vez por mês. O direito de visita íntima só foi conquistado pelas mulheres em 2001, depois da instituição do modelo em penitenciárias paulistas.

No Paraná o direito é assegurado pela Portaria 499/2014 do Depen.

No entanto, dos 720 mil presos do país, pelo menos um terço foram detidos por crimes sem violência ou grave ameaça, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O número de faccionados, apesar de alto, não representa a totalidade do sistema criminal, o Ministério da Justiça não tem um levantamento de quantos presos recebem visita íntima no país e nenhum estudo correlaciona o sexo na prisão do aumento do poder das facções. Afinal, a pena retira do apenado apenas a liberdade de ir e vir.

Casamento

Por fim, o projeto de lei que proíbe o casamento de apenados afirma que a celebração “é uma instituição incompatível com o cumprimento de pena privativa de liberdade, não importa qual seja o regime”.

“Muito foi feito para diminuir a importância do casamento, mas o esforço foi em vão, pois continua sendo a base da entidade familiar brasileira, uma instituição regida por normas de ordem pública que exige a exclusão daqueles que se mostraram destruidores de direitos fundamentais, os quais têm garantia constitucional”, destaca o texto.

O documento ainda não foi enviado para nenhuma comissão. Leia a íntegra do projeto.

Pode?

Pode, mas deve ser declarado inconstitucional. O Art. 1.521 do Código Civil afirma que são impedidos de casar os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; os afins em linha reta; o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; o adotado com o filho do adotante; as pessoas casadas; e o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.

Mas, para todos os demais brasileiros, o casamento é um direito civil. O projeto de lei pretende incluir nas proibições “as pessoas condenadas ao cumprimento de pena privativa de liberdade, enquanto não extinta a pena”, mas essa tese não pressupõe que a pena não pode passar da figura do apenado, conforme a legislação brasileira e a jurisprudência internacional. A pena também não pode servir para segregar parte da população brasileira.

Qual a necessidade?

O Conselho da Comunidade vê com extrema preocupação as alterações propostas na Lei de Execução Penal nos últimos meses porque elas versam sobre retirada dos direitos conquistados ao longo das últimas décadas e até hoje não entregues aos presos. O Brasil nunca experimentou a cidadania no sistema prisional para querer reformá-lo com os olhares voltados para o século passado.

Ademais, direitos não são privilégios dentro de uma unidade penitenciária, mas conquistas para efetivar a recuperação social do apenado, pressuposto do Art. 1° da Lei de Execução Penal. “Que ser humano o deputado quer encontrar depois de privá-lo do sexo, do sol e da comunhão? Alguém que possa conviver em sociedade e trabalhar em prol de um futuro mais digno para todos ou alguém revoltado com a censura que tornará insustentável a vida dentro da penitenciária e depois em liberdade?”, questiona Isabel Kugler Mendes, presidente do órgão.

“O país fala do sistema penitenciário com muito desconhecimento, como um espaço dotado de privilégios onde os presos passam os dias planejando novos crimes. Isso é restrito à minoria. A maioria já está privada de seus direitos e tolhida de muitas privações além da liberdade. Com projetos como esses caminharemos mais firmemente rumo à consolidação do Estado de Coisas Inconstitucional dos presídios brasileiros”.

Fonte: conselhodacomunidadecwb.

Internet na prisão: A penitenciária alemã onde cada detento tem o próprio tablet

r2711  Enviar emails para familiares e amigos, pesquisar receitas para cozinhar no almoço ou jantar, fazer cursos de línguas e profissionalizantes, procurar emprego ou moradia: todas essas possibilidades rotineiras de uso da internet estão disponíveis agora a um grupo de presos em Berlim.

Numa iniciativa inédita na Alemanha, a capital testa desde junho um projeto piloto para a digitalização de penitenciárias. Nesta primeira fase, 70 detentos de um presídio no sudoeste de Berlim foram selecionados para receber os tablets disponibilizados pelo governo.

O projeto faz parte do processo de ressocialização dos criminosos. Além de disponibilizar cursos profissionalizantes e contribuir para a manutenção dos laços entre detentos e suas famílias e amigos, o uso da internet permite que eles possam sair da prisão com perspectivas de emprego e moradia.

"A internet é necessária para fazer contatos quando se deseja que um preso, depois de cumprir a pena, viva sem cometer crimes. Não adianta nada se um detento após duas semanas solto volta para a prisão porque não encontrou um emprego ou uma casa e, por isso, precisou cometer algum delito", afirma Sebastian Brux, porta-voz da Secretária Estadual para Justiça, Proteção ao Consumidor e Antidiscriminação, que coordena o projeto.

Mas não é somente a importância para a ressocialização que motivou a digitalização nas penitenciárias berlinenses. A legislação alemã prevê o princípio de igualdade, pelo qual presídios devem proporcionar aos detentos um ambiente o mais próximo possível da realidade fora das grades. Uma vida sem internet é difícil de imaginar nos dias atuais.

Para Heinz Cornel, professor de diretor e criminologia da Faculdade Alice Salomon, em Berlim, a iniciativa é extremamente necessária diante a expansão digital das últimas décadas.

"Para ressocialização é importante que os presos mantenham referências de fora da prisão e que sua comunicação não seja reduzida ao mundo interno dos presídios. Além disso, toda a preparação para a saída da prisão, como a busca por moradia ou emprego, só é possível por meio da internet. É ruim quando eles saem da prisão e não sabem para onde ir e o que fazer", avalia o especialista.

Cornel destaca ainda que a internet contribui para a formação profissional de detentos e lembra que vários estudos mostram que, quanto mais preparados os presos estiverem para a vida fora da prisão, menor é o índice de reincidência entre aqueles que já cumpriram pena.

Apesar de ser inédita na Alemanha, iniciativas semelhantes já existem na Dinamarca e na Noruega, segundo Cornel. Nestes dois países nórdicos, os detentos que cumprem pena em penitenciárias de regime semiaberto já tem acesso à internet. Além do exemplo europeu, presídios em diversos Estados americanos também estão começando a disponibilizar tablets aos presos.

Sites, anexos e câmera bloqueados

Em Berlim, os tablets são de uso pessoal e guardados pelos presos dentro das suas celas. Cada um dos participantes do projeto possui uma senha individual para ter acesso ao aparelho. Para evitar o uso dos computadores em golpes ou atividades criminosas, um filtro de segurança foi desenvolvido pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Comunicação Abertos.

Este sistema possibilita apenas o acesso a cerca de 30 sites, entre eles cursos online, de receitas, de notícias, e parte do serviço de streaming de uma emissora de televisão alemã. Além disso, não possível enviar ou receber anexos por email e a câmera do aparelho é bloqueada.

Segundo Brux, nestes primeiros meses de teste, a busca por receitas culinárias foi um dos usos mais populares da internet por detentos. Nas penitenciárias de Berlim, os presos estão divididos em estações onde há uma cozinha comunitária e, apesar de receberam as refeições prontas, eles podem optar por cozinhar por conta própria. Nesse caso, eles fazem uma lista dos ingredientes de que precisam e, a cada duas semanas, é feita a entrega.

O teste revelou ainda que o outro uso bastante popular dos tablets foi o do email como uma plataforma de chat, substituindo assim o WhatsApp. Cerca de 24 mil mensagens foram enviadas neste período. "Há presos que trocam cerca de 50 emails por dia com a esposa ou amigos", destaca Brux.

Esse uso, porém, é baseado na confiança. Como o sigilo é garantido por leis de proteção de dados e pelo segredo de correspondência, que está determinado na Constituição alemã, as autoridades não têm acesso ao conteúdo das mensagens trocadas. Apenas quando há suspeita de que a plataforma está sendo utilizada para atividades criminais, a Justiça possibilita o monitoramento.

"Um preso que realiza atividades ilegais vai usar meios ilegais para isso, como um celular, e não os tablets que estamos disponibilizando", afirma Brux.

De acordo com o porta-voz, mais de mil celulares ilegais são encontrados por ano durante controles em prisões berlinenses, apesar de há anos as celas serem equipadas com telefones fixos, que também não podem ser monitorados por autoridades devido à legislação.

Os aparelhos são geralmente utilizados por detentos que tentam continuar tocando seus negócios criminosos de dentro da prisão. Quando um celular é encontrado, o aparelho é confiscado e o preso pode sofrer medidas disciplinares.

Resultados positivos

O resultado preliminar desta primeira fase de teste foi considerado positivo pelas autoridades. Nenhum aparelho foi danificado e não foram cometidos crimes com eles. Apenas um caso de abuso foi registrado: um dos participantes emprestou seu tablet e senha para outro preso que não foi selecionado para a iniciativa. Neste caso, os dois foram excluídos do projeto e transferidos para outra estação da penitenciária.

Brux ressalta que o sistema de segurança desenvolvido para os aparelhos se mostrou altamente confiável.

De acordo com o porta-voz, 450 mil euros (mais de R$ 1,9 milhão) foram investidos no projeto neste ano e mais 450 mil euros já foram destinados para 2019. Diante dos resultados positivos da primeira fase de teste, no futuro, o governo pretende, conforme for recebendo verbas, ir ampliando o acesso à internet até alcançar todos os cerca de 4.000 presos de Berlim.

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Fonte: R7

Sorridente, ex-detento vende meias e cuecas usando tornozeleira em MS: 'Não me envergonho, tô trabalhando'

Paulo é conhecido no centro como "O cara da tornozeleira" e diz que não se importa: "Trabalhar com isso não é problema, é o preço para eu estar aqui, do lado de fora".

r1811 "Vergonha é errar e não consertar. Eu não tenho vergonha de trabalhar, vendo mercadoria na rua desde os 13 anos". Palavras de Paulo Eduardo Mendes, ex-detento, que há 2 meses vende meias e cuecas no centro de Campo Grande usando uma tornozeleira eletrônica.

 2x"> Paulo é conhecido no centro de Campo Grande pela simpatia e pela tornozeleira: "Não tenho vergonha, tô trabalhando" — Foto: Jaqueline Naujorks/G1MS

Paulo é conhecido no centro de Campo Grande pela simpatia e pela tornozeleira: "Não tenho vergonha, tô trabalhando" — Foto: Jaqueline Naujorks/G1MS

Segundo o advogado de defesa, Guilherme Feldens, Paulo foi preso acusado de vender substância ilícita. Ficou no presído de segurança máxima de Campo Grande por 1 ano e meio e, há 2 meses, ganhou o direito de responder em liberdade com restrições. Logo que saiu da prisão, Paulo foi procurar trabalho e encontrou muitas portas fechadas. "Quem quer dar emprego pra ex-detento"?

"Sabia que não seria fácil, então procurei um amigo para comprar cueca e meia, que é baratinho, e revender na rua. Sou ambulante desde adolescente, já vendi rede, chinelo, óculos, mas cueca e meia é bom porque não custa muito, sempre tem alguém precisando e dá pra fazer um dinheirinho no fim do dia", conta.

Na perna com tatuagens da "Turma do Chaves", a tornozeleira chama a atenção de quem passa ouvindo Paulo oferecer os produtos.

A tornozeleira de Paulo, na perna cheia de tatuagens da turma do Chaves: "Ela machuca um pouco mas não me importo" — Foto: Jaqueline Naujorks/G1MS

A tornozeleira de Paulo, na perna cheia de tatuagens da turma do Chaves: "Ela machuca um pouco mas não me importo" — Foto: Jaqueline Naujorks/G1MS

O ambulante conta que ficou conhecido como "O cara da tornozeleira" no centro da cidade: "Muita gente passa, fica olhando, outros tiram foto, outros perguntam, é normal. Eu não me envergonho, tô trabalhando", declara.

"Ela machuca um pouco o tornozelo mas isso não é difícil. Difícil mesmo é estar lá dentro, preso numa cela com mais 18 pessoas, sem poder ver o filho, sem sair. Viver com a tornozeleira não é um problema."

Segundo o advogado de Paulo, ele vai ficar com o objeto até a próxima decisão da Justiça, que pode mandá-lo a júri popular. "Ele pode ser condenado ou absolvido, nesse caso, há uma chance dele voltar para a prisão", explica Feldens.

Com 3 pares de meia a R$5, Paulo diz que é possível "fazer um dinheirinho no final do dia" — Foto: Jaqueline Naujorks/G1MS

Com 3 pares de meia a R$5, Paulo diz que é possível "fazer um dinheirinho no final do dia" — Foto: Jaqueline Naujorks/G1MS

Paulo diz que é otimista: "Tenho fé em Deus que serei absolvido e vou poder cuidar do meu filho, que quase esqueceu de mim no tempo que fiquei preso".

Para o futuro, o ambulante tem planos simples. "Quero só ganhar meu dinheiro aqui, honestamente, e cuidar do meu filho, recuperar o tempo que perdi longe dele. Agora mesmo, assim que eu sair daqui, vou fechar minha banquinha e buscar o moleque para passar o final de semana comigo", finaliza, sorridente. 

Fonte: G1

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