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Maiores dividem cela com menores em abrigos superlotados e com ratos no Rio, dizem agentes do Degase

Internos de 17 a 20 anos que estavam em educandário fechado são transferidos. Número de internos é o dobro da capacidade e unidades estão 'à beira do colapso', diz servidor.

 ratoabrigoA determinação do fechamento gradual do Educandário Santo Expedito (ESE) pode levar o sistema socioeducativo do Rio ao colapso. É o que dizem servidores do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) que foram ouvidos pelo G1 e estão preocupados com a mistura entre jovens de 12 a 16 anos com internos de 17 a 20 anos nas mesmas celas e galerias. 

O Educandário chegou a ter 532 adolescentes, tendo capacidade para 226 vagas. Em março, uma decisão judicial proibiu a entrada de novos internos devido a superlotação da unidade e por duas mortes ocorridas em brigas. Desde abril, os menores estão sendo transferidos para abrigos como a Escola João Luiz Alves, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio. 

De acordo com um agente que trabalha no João Luiz Alves e preferiu não ser identificado, muitos dos jovens do Santo Expedito são considerados mais perigosos, e a transferência tem alterado o comportamento dos internos no João Luiz. 

"Os menores estão ficando mais agressivos, começou a ter mais brigas entre facções. E não tem nenhum tipo de separação. Na mesma cela ficam os internos que têm mais de 18 anos e os internos menores de idade”, disse um agente, que pediu para não ser identificado.

Segundo a advogada especialista em processo penal Isadora Mendes, menores infratores e maiores presos podem dividir a mesma unidade, desde que haja espaços determinados para cada grupo. 

"Contanto que menores e maiores fiquem em celas, galerias e locais separados, inclusive com horários diferenciados para atividades físicas e banho de sol, não há problema", explicou. 

Apesar de o Degase realizar a separação tentando seguir critérios como idade, porte físico e periculosidade, a mistura entre maiores e menores de idade tem se intensificado. 

"É uma questão de matemática. Com essa situação de superlotação, não tem como não haver mistura", afirmou um servidor que não quis se identificar. 

Isso já está acontecendo, principalmente, na Escola João Luís Alves, também na Ilha do Governador. De acordo com o agente do Degase ouvido pelo G1, os recém-chegados e maiores de idade estão influenciando negativamente os mais novos na unidade. 

“Eles perderam qualquer respeito pela gente. Na sexta um deles chegou a me ameaçar sério. Isso aqui tá a ponto de explodir.” 

Internos de até 20 anos

O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece em até três anos o tempo de internação máxima em uma unidade voltada a menores de idade. Mesmo que completem 18 anos, seguem internados até o cumprimento total da medida. 

"Existe uma percepção que o menor apreendido deixa essas instituições quando completa 18 anos, o que não é verdade. Por exemplo, se ele for detido com 17 anos e for condenado a cumprir medida socioeducativa de três anos, ele só sairá da instituição quanto estiver com 20 anos", explicou. 

Segundo a coordenadora de Infância e Juventude da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, Maria Carmen de Sá, desde 2012 a Lei 12.594, que regulariza a aplicação de medidas socioeducativas no Brasil, impede a existência de unidades destinadas a menores de idade em locais contíguos a presídios. 

Como os internos com mais de 18 anos foram apreendidos antes da maioridade, não há ilegalidade na transferência. Mas é uma preocupação a ida de internos mais velhos para unidades onde há muitos jovens de 12 a 16 anos, diz Carmen. 

"É uma situação delicada, que exige nossa atenção. Talvez essa transferência seja o início de um processo para se repensar o aprisionamento exagerado que ocorre no Rio de Janeiro." 

Um ato do Degase, do dia 27 de abril, determina que o Centro de Socioeducação (Cense) Dom Bosco passe a "executar as medidas socioeducativas de internação provisória e definitiva". Na prática, o centro também receberá os internos do Educandário. 

"À medida que o Santo Expedito for diminuindo e não tiver onde colocar novas internações, vai se misturar regimes diferentes, adolescentes que são de primeira passagem se misturam com aqueles que são muitas vezes maiores de idade, com diversas passagens pelo sistema e já altamente comprometidos com a criminalidade", explicou João Luiz Pereira Rodrigues, presidente do Sind-Degase, sindicato dos servidores do sistema socioeducativo. 

Ratos e alagamento

A situação precária das unidades também preocupa. Imagens gravadas por um agente mostram 16 jovens entrando em uma cela com quatro camas. Outros vídeos obtidos pelo G1 mostram ratos em um pátio do Educandário Santo Expedito, em Bangu, na Zona Oeste. Em outra imagem, um rato aparece nadando na piscina do Centro Socioeducativo Dom Bosco, na Ilha do Governador, onde internos também andam no meio da água suja para entrar e sair das celas (veja no vídeo acima). 

Aumento de apreensão

A distribuição atual de vagas e internos nas seis unidades masculinas de internação no Rio, de acordo com o sindicato dos servidores da categoria, é alarmante: para 868 vagas, há 1.697 internos (veja no infográfico abaixo). 

A superlotação, segundo o sindicato, está ligada ao aumento da apreensão de menores nos últimos 10 anos. Enquanto em 2008 pouco mais de 1,8 mil adolescentes foram apreendidos, em 2017 o número chegou a mais de 8 mil

"Se nos anos anteriores nós já tivemos assassinatos por questões de brigas de facções, agentes agredidos, agentes assassinados, todo um contexto de violência, hoje a gente teme que o pior aconteça: que a segurança dos internos e dos servidores estejam altamente comprometidas, e para a gente, da ponta, é uma tragédia anunciada", afirmou João Luiz, que diz temer um "colapso". 

Muitos internos, poucos agentes 

Toda a rede, incluindo abrigos femininos e de semiliberdade, também sofre com a lotação. São 1.451 vagas, mas o número de internos é de 2.390. 

“Há uns três anos, eu chegava a cuidar de até oito internos. Hoje fico [responsável] com 20, 25 menores”, afirmou o agente, destacando que em dias nos quais os menores precisam comparecer em audiências na Justiça, o contingente de agentes na unidade é ainda menor. 

“Alguns agentes acompanham os menores e outros ficam aqui na cadeia. Esses dias são tensos. Na semana passada, aconteceram duas fugas num dia que teve audiência”, contou. 

As condições de trabalho, segundo ele, não são favoráveis. 

“Ficamos aqui dentro sem uma arma. O máximo que temos é um spray de pimenta para ser dividido por 10 agentes. Do jeito que a cadeia está tem dado medo sair para trabalhar todos os dias. A gente vem na cara e na coragem”, afirmou.

Para a defensora Maria Carmen, a redução das apreensões é uma solução. 

"O encarceramento de menores foi banalizado. E é sempre bom lembrar: a prisão tem que ser exceção, não regra. Já está mais que comprovado que não há relação entre o número de menores de idade encarcerados e a queda dos índices de criminalidade. Os jovens que cumprem medida socioeducativa sem terem cometido atos de violência deveriam responder em liberdade", finalizou. 

Divisão de facções 

A lógica da divisão em facções, muito presente nos presídios do Rio, também já é uma tradição em unidades socioeducativas. No Educandário Santo Expedito, que está em processo de desativação, a divisão entre as galerias A e B é muito clara: a primeira é de uma facção, a maior do tráfico de drogas no Rio, e a segunda possui duas facções que jamais se misturam com os internos da primeira. 

"De manhã, os internos das duas facções estão na escola, enquanto os da outra façção tomam banho de sol. De tarde é o contrário", afirmou outro servidor ouvido pelo G1

O presidente do sindicato diz, assim como em presídios de adultos, a mistura de quadrilhas rivais causaria brigas e rebeliões. 

"Não podem se misturar porque pode ocorrer e certamente ocorreria um banho de sangue."

O que diz o Degase

G1 questionou o Degase sobre os vários problemas. Em nota, o departamento não comentou a mistura de presos maiores e menores em celas. Informou apenas que "está garantindo o atendimento a todos os jovens que cumprem medidas socioeducativas" e citou que faz atividades de cultura, esporte e lazer e que há uma escola estadual dentro de cada unidade de internação. 

O Degase diz que foram criadas, desde 2010, 445 vagas com a "inauguração do Núcleo de Audiência de Apresentação (NAAP), em parceria com o Tribunal de Justiça, no Centro do Rio; a ampliação do Centro de Socioeducação Gelso Carvalho de Amaral (GCA), localizado na Ilha do Governador; além da construção de duas unidades de internação, uma em Campos dos Goytacazes e outra em Volta Redonda". 

Ainda de acordo com o Degase, as unidades recebem visitas da Defensoria Pública e Comissariado do Poder Judiciário, além das inspeções do Ministério Público, Conselhos de Direito e demais mecanismos de controle. "Todas as exigências para melhoria no atendimento aos adolescentes são prontamente atendidas", diz a nota, enviada pela assessoria de imprensa. 

Fonte: g1.globo.com

‘Objetivo é louvável, mas não condiz com a realidade’, diz advogada sobre salário mínimo para presos

 Parlamentar sugere que o trabalho desempenhado por presidiários seja subordinado à CLT

r0505Uma alteração na Lei de Execução Penal, proposta pelo deputado federal Glauber Braga (PSOL/RJ), está causando polêmica no Congresso e também fora dele. O parlamentar sugere que o trabalho desempenhado por presidiários seja subordinado à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o que garantiria a remuneração de pelo menos um salário mínimo, além de 13º e férias.

O objetivo, de acordo com o texto, é beneficiar os detentos que trabalham nos presídios. Para justificar o projeto, Braga usou artigos da Constituição que afirmam que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” e que o “salário mínimo é direito de todos os trabalhadores, urbanos e rurais, para atender as suas necessidades vitais básicas e da família”.

Segundo a norma vigente, o preso não pode ter vínculo empregatício com base na CLT e, até 2016, tinha um pagamento inferior a 75% do salário mínimo ou não recebia dinheiro algum.

Diante de opiniões a favor e contra o projeto de Braga, uma dúvida surge diante da proposta do deputado federal: ela funcionaria no Brasil? Para a advogada Isabel Mendes, presidente do Conselho da Comunidade, o objetivo do projeto é louvável, mas não condiz com a realidade do sistema penitenciário do país.

“Sobre o impacto da justiça social, nós batemos palma para essa ideia, as normas da CLT são um direito defendido por todos os trabalhadores do país. Mas a nossa realidade não é essa, não existem políticas públicas para proteger o trabalhador encarcerado. Para se ter uma ideia, dos 626 mil presos no Brasil, apenas 15% têm uma ocupação. Aqui no Paraná, 1,5 mil detidos, de um total de mais de 20 mil, têm emprego. Mesmo se somarmos o serviço feito na manutenção das penitenciárias, o número não chega a 15%, e lá eles recebem R$ 45 por mês”, explicou a advogada em entrevista à Banda B nesta quinta-feira (3).

Além disso, hoje, 25% do pagamento dos presos vão para o fundo penitenciário. Na visão de Mendes, se houver a cobrança de pelo menos um salário mínimo por trabalhador, como defende o projeto, as empresas vão deixar de contratar detentos. “As poucas corporações que decidem usar esse tipo de mão de obra veem como vantagem justamente a não necessidade do pagamento de encargos sociais. Ou seja, se isso acontecer, essas empresas vão sumir e quem tem serviço ficará sem”, completou.

Políticas públicas

Para a advogada, antes de pensar em inserir os presos nas leis trabalhistas, o governo teria que desenvolver políticas públicas que garantam o cumprimento do que já está na Lei da Execução Penal.

“O detento precisa ter todos os direitos assegurados, antes de qualquer coisa. A lei diz que o preso tem o direito ao trabalho, ao estudo, à saúde, ao banho de sol… Mas isso não acontece. Os detidos na Casa de Custódia de Piraquara, por exemplo, que vivem em contêineres, têm duas, três horas de sol a cada 15 dias, às vezes um mês”, comentou.

Segundo ela, políticas públicas que tornem possível a ressocialização dos presidiários são o único meio de fazer com que as penitenciárias deixem de ser uma “escola” ou “faculdade do crime”. “Hoje, um menino entra lá com 19, 20 anos, por um furto ou problema por dependência química, fica preso por cinco anos, e sai de lá um bandido formado. Nós precisamos acabar com isso”, finalizou.

O projeto do deputado federal Glauber Braga ainda precisa passar por votação no Congresso.

Fonte: bandaB

Após vistoria, OAB conclui que presos passam fome e escovam dentes com sabão em presídios de Anápolis e Formosa

Segundo instituição, detentos estão sem acesso a itens de higiene pessoal e direitos básicos; DGAP nega situação e diz que detentos recebem 'alimentação balanceada'.

 

r2604A Ordem dos Advogados do Brasil Seção Goiás (OAB-GO) concluiu, após inspeções feitas nos presídios de Anápolis e Formosa, que detentos estão passando fome e sem acesso a itens de higiene pessoal. De acordo com o advogado Gilles Gomes, membro da Comissão de Direitos Humanos da instituição, a OAB-GO deve enviar, nesta terça-feira (24), uma recomendação às autoridades responsáveis. 

Em nota ao G1, a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) informou que ainda não foi comunicada pela OAB-GO. Disse ainda que os presídios custodiam presos de alta periculosidade, têm regulamento próprio, mas respeitam-se os direitos dos detentos. O órgão informou que os reeducandos recebem "alimentação balanceada", e que os parentes podem levar itens de higiene pessoal. (veja íntegra da nota ao final da reportagem).

Responsável pelas vistorias, Gilles, que também é o presidente eleito do Comitê Estadual de Repressão Combate à Tortura, disse, em entrevista ao G1, que há, em ambas unidades prisionais, indícios de violação à Lei de Execução Penal. Ele afirmou que, além do alimento escasso e da falta de higiene, detentos não estão conseguindo ter contato físico com seus filhos. 

“Eles estão passando fome, a alimentação não é suficiente para alimentar todo mundo. Nestes presídios, a família não pode levar nada de comer, ou seja, eles só têm aquilo. Não foi oferecido papel higiênico, não tem água filtrada. Não tinham creme dental, e os presos estão escovando o dente com sabão. Eles estavam passando frio, porque a coberta não é suficiente”, contou o advogado. 

As duas unidades foram inauguradas pelo Governo de Goiás em fevereiro deste ano. A última vistoria, segundo o advogado, foi feita nas unidades na última sexta-feira (20). Segundo ele, para que a Comissão tivesse elementos para comparar, o mesmo procedimento foi feito em semanas anteriores, no dia 13 de abril, no início e no fim do mês de março deste ano. 

Conforme Gomes, todas as visitas identificaram irregularidades. Ele afirma que, além da falta de acesso a direitos básicos, os detentos não estão podendo receber os filhos tendo contato físico, e recebem visitas íntimas de, no máximo, 15 minutos. O advogado disse ainda que os detentos são submetidos a procedimentos semelhantes a métodos de tortura. 

Além disto, Gilles Gomes afirmou que grande parte dos detentos não estão tendo direito à defesa, conforme previsto em lei. Para o advogado, a série de irregularidades viola a Lei de Execução Penal. 

“A gente entende que é uma nova política, que são novos presídios, mas eles estão tentando condicionar os presos a um normativo moral que não tem base científica e viola os direitos humanos. O que mais chama atenção é que há uma doutrina que posso chamar de tortura”. 

“Eles são obrigados a seguir procedimentos padrão que têm que levantar e sentar por várias vezes, uma situação não tem base em nenhuma normativa relacionada à execução penal”, afirmou.

 

Condições de trabalho

A visita da Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO também identificou que faltam instrumentos de trabalho adequados para os agentes prisionais, tanto no presídio de Formosa, quanto em Anápolis. Ele afirma que, além disto, o alimento, que é escasso, é dividido entre as equipes que trabalham no local e os próprios presos. 

“Os agentes não têm coletes balísticos, não têm material suficiente, comem da mesma comida que os presos. Enfim estão em condições de trabalho precárias e colocando em risco não só a saúde, pela má alimentação, como a própria integridade física”. 

“A gente teme que este contexto de tantas irregularidades provoque novas rebeliões. O que a gente quer é que a lei de Execução seja cumprida. A OAB é parceira, mas a gente preza para que a lei vigore, o que não vem ocorrendo em muitos aspectos”, disse o advogado.

 

O diz a DGAP

"A propósito de reclamações feitas por representantes da OAB-GO aos veículos de comunicação sobre as condições nos presídios estaduais de Anápolis e Formosa, a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) esclarece que até o presente momento não recebeu nenhuma manifestação formal por parte da entidade.

Entretanto, a DGAP faz questão de prestar os seguintes esclarecimentos:

  • Os presídios estaduais possuem regime diferenciado e cumprem a função de custodiar presos considerados de alta periculosidade;
  • Por suas características, as unidades possuem regulamento próprio com horários e disciplinas diferenciadas, respeitando-se, porém, os direitos dos apenados que ali cumprem pena;
  • Os presos recebem alimentação balanceada baseada em cardápio elaborado por especialistas. Diariamente, eles são alimentados com leite achocolatado e pão com manteiga no café da manhã, almoço servido por empresa especializada (600g) acompanhado de uma fruta, achocolatado e pão com manteiga no lanche da tarde, e jantar (600g) fornecido por empresa terceirizada;
  • Além das visitas normais para todos os detentos, também é franqueada uma visita no período matutino para atender presos que têm filhos pequenos;
  • Os parentes dos presos estão autorizados a levar produtos de higiene pessoal;
  • A DGAP destaca a importância de manter a separação de presos de acordo com a conveniência do sistema prisional, de forma a preservar e garantir a segurança dentro e fora das unidades prisionais."

 

Fonte: G1

 

 

 

 

Conselho da Comunidade doa remédios, microondas e notebooks para o sistema penitenciário

r2304Entre janeiro e março deste ano, o Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba doou microondas, notebooks, registros hidráulicos, roçadeiras, colchões e inúmeros remédios para o sistema penitenciário paranaense. Os projetos têm intuito de melhorar a vida daqueles privados de liberdade no cárcere e é um dos pilares do órgão, de acordo com a Lei de Execuções Penais (LEP).

As doações respondem demandas das próprias unidades e constatações feitas pelo Conselho da Comunidade em inspeções semanais.

As principais doações envolveram remédios que não precisam de prescrição médica para três unidades da Polícia Civil: 11º DP, na Cidade Industrial de Curitiba, 8º DP (unidade feminina), no Portão, e Centro de Triagem, no Centro. O apoio atende a falta de medicamentos que combatem dor, febre, problemas estomacais e de pele causados pelo isolamento em lugares insalubres e superlotados.

O órgão também destinou às mulheres presas no Portão remédios que precisam de prescrição, como antibióticos. Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade de Curitiba, esteve na unidade um dia após um médico do município receitar fármacos para tratamento de moléstias do útero para duas presas que não contam com apoio da família. Com as receitas, a advogada conseguiu comprar os produtos e ainda absorventes, sabonetes, escovas e pastas de dente.

À Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, na Vila Izabel, o Conselho da Comunidade doou vinte colchões, a pedido do delegado da unidade. O Centro de Triagem também ganhou kits de higiene e colchões.

Ainda no campo dos provisórios, o Conselho da Comunidade reforçou o compromisso assumido com o Juízo das audiência de custódia. A cada dois meses o órgão entrega um kit de alimentação em favor dos presos que passam pelo primeiro julgamento.

Sistema penitenciário

Quatro unidades do sistema penitenciário foram contempladas com doações nos primeiros meses do ano: Penitenciária Estadual de Piraquara II (PEP II), Casa de Custódia de Piraquara (CCP), Casa de Custódia de Curitiba (CCC) e Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste (Peco) – excepcionalmente.

Para a PEP II o órgão destinou material de construção para a organização do almoxarifado e uma roçadeira para melhorar o ambiente externo e oportunizar remição de trabalho para os presos. Já a CCP ganhou um registro hidráulico para regularizar o fluxo das torneiras, com intuito de beneficiar toda a unidade.

A CCC ganhou um microondas para os familiares esquentar a comida que trazem em dias de visita e um notebook para uso do sistema biométrico, que facilita o trabalho dos agentes penitenciários de sexta a domingo.

O Conselho da Comunidade de Curitiba também doou barbante e agulha para o projeto Mãos Que Tecem Liberdade, desenvolvido pelo Conselho da Comunidade de Cruzeiro do Oeste com presos da Peco. Os internos trabalham com tecelagem para obter remição de pena.

Fonte: conselhodacomunidadecwb

PM é expulso após denunciar tortura e diz que hoje teme pela vida; corporação cita indisciplina

pmdenuncia"Fui torturado dentro deste batalhão de Polícia Militar. Torturas físicas e torturas psicológicas. E as minhas denúncias não foram apuradas", afirmou em um vídeo divulgado em 4 de setembro do ano passado o soldado Adriell Rodrigues Alves Costa, 36, que atuava no litoral paulista. Costa também disse ter sido vítima de homofobia e registrou queixas na Corregedoria e na Ouvidoria da corporação.

Sete meses depois da divulgação do vídeo, o Comando da PM, em uma portaria publicada no Diário Oficial estadual do último dia 5, penalizou o soldado Costa com a expulsão da corporação "pelo cometimento de atos atentatórios à instituição, ao estado, aos direitos humanos fundamentais e desonrosos".

Ainda segundo a portaria, o soldado cometeu uma "transgressão disciplinar de natureza grave". Segundo a corregedoria da PM, ele foi expulso porque, durante uma consulta médica dentro do batalhão, virou uma mesa e agrediu dois médicos que prestavam atendimento a ele.

Durante a consulta, foi sugerido a ele um tratamento psiquiátrico, o que teria provocado a revolta. Segundo ele, os médicos sugeriram que as denúncias que ele apresentou contra os superiores eram "alucinação".

De acordo com a corregedoria, um dos médicos foi empurrado pelo soldado contra uma janela, e os estilhaços feriram seu braço. Ele tentou ainda agredir os PMs enfermeiros que tentaram contê-lo. Foi solicitado exame de sanidade mental ao soldado, mas ele não compareceu aos dois agendamentos.

"Cabe esclarecer que ele já tinha respondido a um processo administrativo demissório em que foi punido disciplinarmente, dando-lhe uma nova chance de permanecer na instituição. Suas condutas resultaram na instauração total de dez processos demissórios", disse o corregedor da PM, o coronel Marcelino Fernandes.

Por essa agressão, o soldado chegou a ser preso em flagrante, ficou 34 dias no presídio militar Romão Gomes, na zona norte da capital, e respondia pelo caso em liberdade até a expulsão. "Ele deverá, ainda, ser condenado [por este caso] pelas robustez de provas", disse o corregedor.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) confirmou as informações da corregedoria. "Após a instauração de PAD (Processo Administrativo Disciplinar) pelo CPI-6 (Comando de Policiamento do Interior), o soldado foi expulso da instituição por ameaçar e agredir uma equipe de saúde e outros policiais militares durante uma consulta médica", diz a secretaria..

Ainda segundo a SSP, "o soldado também faltou em avaliações clínicas requisitadas pela PM sem apresentar justificativas para as faltas. A conclusão do PAD considerou a conduta do policial militar incompatível com o trabalho realizado pela instituição".

"A instituição é uma quadrilha fardada"

O soldado Costa afirma que ter sofrido tortura e assédio moral na corporação por cerca de dois anos. Foi o período em que ficou no batalhão de Santos. Ferido seriamente quando foi atropelado em 2011 durante uma diligência, em Diadema, na Grande São Paulo, ele pediu transferência para São Vicente, na Baixada, onde a mãe vive. Ali, sua vida mudou.

Por ser homossexual, Costa afirmou que seus superiores e colegas de batalhão não permitiam, por exemplo, que ele usasse o banheiro do local. Também havia restrições para o horário de almoço. Mesmo com restrições para fazer trabalhos pesados por causa de um acidente de trabalho que deixou sequelas na mão, ele conta que era obrigado a efetuar trabalhos braçais, sob risco de ser penalizado por não obedecer seus superiores. 

"Pedia que pudesse exercer com dignidade a função de policial militar. O médico me dava injeção na veia para conter a dor, e, mesmo assim, me mandavam fazer obras no batalhão", disse. "Meu crime foi denunciar o que a PM estava fazendo comigo. Ninguém me socorreu, nem Direitos Humanos, nem Corregedoria. Deixaram fazer o que quisessem comigo. A instituição acabou com a minha vida. Hoje eu sei que é uma quadrilha fardada", afirma.

Aos 36, hoje o ex-soldado vive escondido e é sustentado pela mãe. "Vivo de maneira vergonhosa. Eu tenho medo de ir até ao supermercado, porque sei que eles podem me matar a qualquer momento", disse Costa. "Eles podem me matar", repetiu, chorando.

Sobre a agressão feita contra o médico, que segundo a corregedoria causou sua expulsão, Costa se diz vítima de uma situação forjada. "Eles forjaram. Me enforcaram. Eu peço ajuda. Quero ajuda dos Direitos Humanos porque minha vida está por um fio", afirmou

Ele também diz durante o processo a PM cortou seu salário. Com isso, não pôde pagar sua defesa. "Meu advogado foi um sargento indicado por aqueles que me perseguiam. Hoje, eu não confio mais na Polícia Militar. É uma grande formação de quadrilha."

Fonte: noticias.uol.com.br

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