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Carceragens de quatro delegacias do Oeste passam para gestão do Depen

Carceragens de delegacias de quatro cidades do Oeste paranaense são transferidas para gestão do Depen A Secretaria da Segurança Pública do Paraná concluiu na semana passada a transferência de mais quatro carceragens de delegacias da Polícia Civil para o Departamento Penitenciário. Os 202 presos condenados que ainda estavam em unidades das cidades de Ubiratã, Matelândia, São Miguel do Iguaçu e Santa Helena foram transferidos para o Complexo Penitenciário de Foz do Iguaçu.

A mudança é resultado de um projeto que prevê a desativação de 41 carceragens de delegacias e o fechamento definitivo destes ambientes em 15 municípios, permitindo o fortalecimento das investigações e elucidação de crimes. O decreto foi assinado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior em novembro do ano passado. 

O secretário da Segurança Pública, Romulo Marinho Soares, esteve na Cadeia Pública Laudemir Neves e acompanhou a transferência dos presos que estavam na Delegacia de Matelândia. “É um novo fluxo de trabalho aqui na região Oeste, pois estamos desativando as carceragens de seis delegacias da região e colocando os presos sob a responsabilidade do Depen. É um trabalho conduzido pela Regional de Foz do Iguaçu que servirá de modelo para outras regionais do Estado”, explicou.

Para o Delegado-Geral da Polícia Civil, Silvio Jacob Rockembach, a transferência permite a melhoria no fluxo das atividades de polícia judiciária e aumento na solução dos casos. “Os policiais civis vão poder se dedicar integralmente às atividades de investigação. E essa melhoria de resultados percebemos no dia a dia, frente ao aumento significativo dos índices de solução de crimes e pela quantidade de operações de repressão qualificada executadas pela instituição”, afirmou.

Segundo o delegado de Matelândia, Julio Cesar Andrade Bianchi, com o fechamento da carceragem, os investigadores poderão se dedicar ao trabalho de origem. “A retirada de presos das unidades policiais é de suma importância, pois acabávamos usando o investigador plantonista para cuidar dos presos, que não é uma atribuição da Polícia Civil e sim do Departamento Penitenciário”, disse. "A retirada de presos também reflete na maior segurança para a população que vive e trabalha no entorno das delegacias".

O coordenador regional do Depen, Marcos Aparecido Marques, detalha que o Depen criou uma logística de transferência de presos que assegura agilidade no deslocamento e segurança aos profissionais envolvidos. Com a conclusão da transferência dos 202 presos condenados, o Depen começará a transferir nos próximos dias os 103 presos temporários que ainda estão nas carceragens desses quatro municípios.

“Depois desse processo, as carceragens serão desativadas e estes municípios passarão a ser atendidos pelas Cadeias Públicas de Medianeira e Assis Chateaubriand, que estão sob nossa gestão integralmente”, explicou Marques.

Os serviços da Polícia Civil à população continuarão acontecendo normalmente nestas delegacias. Foram fechadas apenas as carceragens.

ESCOLTA – As escolas foram realizadas pela Seção de Operações Especiais (SOE). “As transferências estão sendo feitas pelo Departamento Penitenciário, a fim de que a Polícia Militar e a Polícia Civil possam cumprir suas respectivas missões constitucionais com mais intensidade em favor da população”, destacou Marques.

ESTRATÉGIA – A transferência de carceragens temporárias da Polícia Civil é uma medida planejada pelo Governo do Estado. Num primeiro momento, 37 delegacias tiveram suas carceragens transferidas para a gestão plena do Depen. Em novembro do ano passado foi prevista a desativação de mais 41 carceragens em delegacias e o fechamento completo em 15 municípios - 50% do trabalho já foi realizado.

A mudança inclui a gestão completa do Depen sobre a população carcerária, incluindo bens móveis e imóveis, despesas e contratos de alimentação. Os profissionais da Polícia Civil, que até então tinham que fazer a guarda dos presos nas delegacias, agora passam a se dedicaram completamente à investigação e à elucidação de crimes. 

Fonte: http://www.aen.pr.gov.br

Governo encaminha à Assembleia proposta para criação da Polícia Penal

Confira o audio clicando AQUI

Governo do Paraná encaminha à Assembleia Legislativa proposta para criação da Polícia Penal. Foto:SESP A criação da Polícia Penal teve mais um avanço no Paraná com o envio, pelo Poder Executivo, de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) à Assembleia Legislativa. O documento foi encaminhado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior e propõe alterações legais para oficializar este departamento como instituição policial voltada à atividade de execução penal.

O poder de polícia ao Departamento Penitenciário é tratado há mais de um ano pela Secretaria de Estado da Segurança Pública. O tema foi estudado pelo secretário Romulo Marinho Soares, junto com a direção da secretaria. A ideia é dar uma nova perspectiva ao sistema penitenciário do Paraná. Com apoio do Governo do Estado, a proposta de criação da Polícia Penal foi aperfeiçoada e adequada.

“A Secretaria da Segurança Pública organizou a minuta sobre a criação da Polícia Penal do Paraná. É um passo muito importante esse assunto ser deliberado na Assembleia Legislativa”, disse o secretário Marinho Soares. “Após a sua criação, haverá a regulamentação, que inclui a análise do plano de carreira, as promoções e progressões dos profissionais. Tudo isso envolve uma integração entre as secretarias da Segurança Pública, Administração, Planejamento, Fazenda e Procuradoria-Geral do Estado”.

O envio da mensagem do governador está em consonância com a Emenda Constitucional número 104 de dezembro de 2019, que estabelece a criação da Polícia Penal nas esferas federal, estadual e distrital. O Governo do Paraná, focado em aprimorar o texto, deliberou sobre uma gama de atividades já desenvolvidas pela Polícia Penal do Estado e que precisam ser normatizadas.

Após os trâmites legais na Assembleia Legislativa, com a aprovação do texto, será editada uma Lei Complementar para regulamentação da Lei Orgânica da instituição.

“É um avanço para o sistema penal no Brasil, principalmente no Estado do Paraná, que é um dos primeiros a elaborar um projeto de criação da Polícia Penal”, afirmou o diretor-geral do Departamento Penitenciário, Francisco Caricati. “Também significa a valorização a todos os funcionários que atuam no sistema penitenciário. Esperamos que isso venha para aprimorar o trabalho que já vem sendo realizado”.

PODER DE POLÍCIA – Com a criação da Polícia Penal, o Departamento Penitenciário do Paraná passará a se chamar Departamento de Polícia Penal (Deppen) e a instituição terá poder de polícia como os demais órgãos de segurança pública do Estado (polícias Militar, Civil e Científica).

Assim, o Deppen terá gestão sobre fiscalização, controle e segurança de unidades penais, além da fiscalização do cumprimento das medidas alternativas à prisão. O texto da proposta prevê os valores da hierarquia e disciplina como norteadores à instituição, bem com a transformação dos cargos de agente penitenciário em policial penal.

TRAMITAÇÃO – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) terá de aprovar a admissibilidade da PEC. Após isso, será criada uma Comissão Especial que vai analisar o documento. Nessa Comissão os deputados também poderão apresentar alterações ao texto. Somente após os trabalhos da Comissão Especial é que a PEC seguirá para votação em plenário, sendo necessário o voto favorável de 33 deputados, em dois turnos, para a aprovação.

Fonte: http://www.aen.pr.gov.br

 

'Militares dizem a jornalistas que não se metem em política, mas fazem isso o tempo todo'

 Versão de que Forças Amadas teriam enfrentado Jair Bolsonaro para preservar a democracia é uma “falácia” espalhada pelo “jornalismo declaratório”, afirma Acácio Augusto, professor da Universidade Federal de São Paulo

Na última semana, o troca troca de ministros da ala militar trouxe à tona novamente o debate sobre a presença dos militares na política. As discussões voltaram quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou a troca de seis ministros, tudo isso às vésperas do dia em que o golpe militar de 1964 completou mais um ano. 

O general Fernando Azevedo e Silva saiu do ministério da Defesa, sendo substituído por Braga Netto, que começou os trabalhos assinando um texto emque dizia que a ditadura militar deve ser “celebrada”. André Mendonça, deixou o ministério da Justiça para o posto ser ocupado pelo delegado Anderson Torres, aliado da bancada da bala. Já o general Luiz Eduardo Ramos foi para a Casa Civil. 

Na dança das cadeiras, Mendonça foi para a Advocacia-Geral da União (AGU) ocupando o lugar de José Levi. O embaixador Carlos Alberto Franco França assumiu o Itamaraty. E a deputada federal do centrão Flávia Arruda (PL-DF) foi para a Secretaria de Governo, no lugar do general Braga Netto.

Assistimos também a uma debandada coletiva dos comandantes das Forças Armadas, como reação à demissão do ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Os comandantes Edson Leal Pujol, do Exército, Ilques Barbosa, da Marinha, e Antônio Carlos Bermudez, da Aeronáutica, deixaram seus cargos à disposição de Bolsonaro, que preferiu trocar a cúpula de todas as Armas. 

Logo, uma série de teorias começaram a circular nas redes e nas telas de televisão, alguns veículos afirmaram que a principal justificativa para a derrocada dos comandantes foi a recusa de Azevedo e Silva de apoiar a intenção de Bolsonaro tomar medidas duras contra os governadores que decretassem fases emergenciais ou lockdowns contra a Covid-19. 

Por outro lado, houve aqueles que apostaram em uma nobreza dos comandantes pelo zelo à democracia e à República ao saírem dos altos postos, que também foi interpretada como uma negação à política

Todo esse cenário é contestado pelo professor Acácio Augusto, do Departamento de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenador do Laboratório de Análise em Segurança Internacional e Tecnologias de Monitoramento (LASinTec/EPPEN-UNIFESP). 

Em boletim recém publicado pelo grupo de pesquisadores do LASinTec chamado “Militares no Brasil: o golpe de Estado permanente”, eles ressaltam: “As Forças Armadas brasileiras sempre estiveram envolvidas na política nacional e quase sempre no comando”. Em entrevista à Ponte, Acácio lembra que os militares formam uma organização com interesses políticos, com intervenção nas mais diversas áreas da sociedade ao longo da história. 

Confira a entrevista:

Ponte –  Recentemente o presidente Jair Bolsonaro trocou vários ministros colocando militares novamente no governo. Quais as razões dessas trocas na sua visão?

O Bolsonaro não à toa é um presidente sem partido, ele é o candidato do “Partido Militar”. Então, todos esses militares da ativa e da reserva, que durante todo esse tempo influenciam na política brasileira, tentam influenciar mais ou menos ao longo da história. Tentam garantir as suas verbas, tentam manter seus postos de poder, ampliar a sua zona de influência. 

O Piero Leiner, um antropólogo professor titular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que pesquisa as relações entre militares e governos, conta que quando um clube de reformados lá do Rio de Janeiro, do qual Mourão faz parte, publicou uma nota comemorativa ao 31 de março, a o que eles chamam de “Revolução Gloriosa “,decidiram apostar com Bolsonaro como o candidato deles desde 2014. Tanto que o Bolsonaro só usou o partido para se candidatar, porque o programa que ele representa é dos militares. 

Então, quando a imprensa fica dizendo “os militares não querem se envolver na política”, é uma falácia, eles se envolvem o tempo todo. Segundo, obviamente que existem disputas internas entre eles. Uma ala que é mais radical, uma ala é menos radical, uma é mais simpática ao bolsonarismo, outra é menos simpática. Mas a questão é inversa, Bolsonaro sabe o quanto que ele depende dos militares. E depende cada vez mais, conforme ele vai se tornando um presidente fraco. 

Ele [Bolsonaro] cria situações com as Forças Armadas para dizer que ele está comandando tudo, mas no fundo ele não vai fazer nada que desagrade os militares, ele sabe mais do que ninguém que ele depende desses caras. Em relação às trocas, pode ter sido um acordo interno, um pequeno desentendimento.

É um jogo complexo, mas chega a ser mais simples, é como uma mobilização de partido. Se um partido ocupa um governo e ele vai trocando membros do próprio partido especula-se que tem algum racha dentro do partido. Eu acho que não chega a ser um racha, mas chegam a ser adequações, porque a maior preocupação dos militares é manter essa boa imagem que tem com a população civil brasileira, mesmo com ele [Bolsonaro] sendo um sanguessuga do Estado.

Ponte –  Em governos anteriores à ditadura civil-militar os militares se envolviam na política com tanta intensidade?

Os militares sempre foram uma força importante na política nacional. Na verdade, a história recente do Brasil marca essa participação desde sempre. O próprio Estado brasileiro é fundado por uma missão militar de massacre do seu próprio povo que é a campanha contra Canudos, de lá pra cá a República foi feita por marechais. Na primeira República, o Estado Novo foi permeado por militares, houve um pequeno interregno ali no governo Juscelino, mas com presença também de militares. 

E obviamente, a Ditadura Civil Militar de 1964 a 1985 e no que se chamou de transição democrática, que os próprios militares nomearam como lenta, gradual e segura. Lá já havia uma disputa no interior das forças militares que ocupavam o governo, entre uma ala mais radical, que era a ala do porão, que queria manter o regime, e uma ala favorável à abertura. De qualquer maneira, eles conduziram a abertura, que inclusive garantiu a presença deles na própria formulação da Constituição e os artigos 142 e 144, são a marca da presença dos militares. 

Ponte –  Da ditadura civil-militar para cá, como se deu a influência deles na política? 

Houve tentativas a partir do governo Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002) de estabelecer algum tipo de controle civil sobre eles, com a própria criação do Ministério da Defesa, que deveria ser comandado por um civil. Mas em nenhum momento houve total tranquilidade em relação a isso. 

Em 2004, no primeiro governo Lula (2003-2007), casos como a renúncia do José Viegas, que era ministro da Defesa e pediu demissão por desentendimento com o comando do Exército, quando o Exército divulgou uma nota em 17 de outubro de 2004 com elogios às práticas adotadas durante o regime militar contra militantes de esquerda. Viegas também era contra a formulação da política de defesa nacional em 2005, onde se mantinha a nomenclatura da doutrina de segurança nacional dos militares. 

Talvez o imbróglio mais tumultuoso foi em torno da demarcação da Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol, que fazia de fronteira com a Venezuela e com a Guiana., onde os militares viram ali uma possibilidade de ameaça à soberania. À época, em 2005, o responsável pelo comando da Amazônia era o general Augusto Heleno, que se pronunciou contra a demarcação da TI. 

Em 2008, houveram reações ao então ministro da Justiça, Tarso Genro, no que ele chamou de Caravana da Anistia, em que buscou-se resolver as violações de direitos humanos cometidas pelos militares, seguida da proposta de Comissão da Verdade, que acabou acontecendo em 2010, no final do segundo governo Lula e que deixou um monte de militar incomodado. 

Mas a presença deles na política continuou por meio das operações de Garantia da Lei e Ordem (GLO), recorrentes pelo menos desde 2013, quando tivemos as manifestações, e uma recusa a cooperar com a Comissão da Verdade já em 2014. 

Em megaeventos, como nas Olimpíadas de 2016, o general Augusto Heleno tinha um salário volumoso, só para participar do Comitê Olímpico Brasileiro. Então, hoje no governo Bolsonaro, eles participam mais diretamente, mais visivelmente, mas eles nunca deixaram de ser uma força importante do governo civil no Brasil.

Desde 2014 existe o envolvimento político de Bolsonaro nas tropas, por exemplo, ele frequenta as formaturas na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), onde se lançou candidato em 2014. O Mourão chegou a fazer declarações contra o governo [Dilma] em 2015 e ficou super conhecido. Além da atuação do general Villas Bôas, ainda quando era comandante do Exército, em todo o processo de julgamento do Lula. 

Até chegarmos à volta direta dos militares no governo Temer com a reativação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) nomeando à frente o Sérgio Etchegoyen, um dos grandes opositores da Comissão da Verdade, que vinha de família de torturadores e a própria volta de um militar no Ministério da Defesa. 

No fundo os militares sempre procuraram influenciar mais direta ou indiretamente o governo civil e foram cidadãos “vip” na população brasileira, quer dizer, tendo benefícios de previdência, de moradia, de se reformarem muito novos, com aposentadoria integral, essas coisas todas. E voz ativa na política a todo momento. O que é bastante complicado para uma democracia no Estado de Direito. 

Ponte –  No Boletim vocês citam que parte da imprensa tem tentado “limpar” a imagem dos militares. Por que isso vem acontecendo? Existem interesses por trás disso?

Acho que não tem exatamente uma questão por trás da imprensa ser benevolente com os militares. Eu acho que uma parte disso é mau jornalismo. Eles ouvem um general reformado, algum integrante das Forças Armadas e compram o que o cara fala acriticamente. Uma parte que explica isso é o jornalismo mal feito. Segundo, esse jornalismo é declaratório, de comentarista, então veja que as principais fontes ouvidas entre os militares, que eu não vou revelar, são os comentários da GloboNews, a CNN, entre outras. 

E terceiro, eu acho que é um misto de medo e interesse. Porque como eles são uma força política muito decisiva hoje e eram uma força política quando a Globo foi criada em 1965, acho que existe um jogo de ciclo de poder, eles não vão fazer a crítica radical, porque mais para frente pode ser ruim para eles. Vamos lembrar que, por exemplo, uma emissora de TV depende de concessão estatal. Então, por ser uma força política que tem tanta influência no governo, os jornalistas dessas emissoras vão ter medo de falar mal dos militares. Eu acho que são esses três pontos, mau jornalismo, jornalismo declaratório e um misto de medo e interesse em relação a continuidade dos seus postos e dos seus empregos.

Ponte –  Quais são as estratégias dos militares para se manterem em altos postos do governo?

A estratégia deles é continuarem relevantes em vários temas. Os militares estavam envolvidos na realização dos megaeventos, estão envolvidos em empreendimento com a Petrobras, em mobilizações de defesa da Amazônia, preservação do meio ambiente, na elaboração de políticas públicas de segurança. Então, a estratégia deles, desde a chamada redemocratização, na verdade, desde a transição, é continuarem sendo uma força influente na política brasileira, sem necessariamente ocupar os cargos. 

Na verdade eles descobriram a grande mágica, que é: sem ter que desgastar a imagem deles diretamente, terem influência por ocuparem cargos na burocracia, por terem influência em várias áreas diferentes, existem uma série de Projetos de Lei relativos aos mais diferentes assuntos do meio ambiente, até a questão tecnológica. 

Por exemplo, o controle aéreo civil no Brasil é feito por uma gestão mista de civis e militares, não haveria a menor necessidade de ter militares no controle de tráfego aéreo comercial e turístico e eles estão lá. E quando se tentou tirar houve uma crise das companhias aéreas, que cancelaram voos, e eles não quiseram mais largar isso. A estratégia deles é se manterem nos postos, principalmente na burocracia, de maneira que eles garantam seus privilégios e a sua influência na política nacional. 

Ponte –  Por que a sociedade brasileira tolera esse tipo de intervenção até hoje? Mesmo após 21 anos de ditadura civil-militar.

Várias pesquisas de opinião têm mostrado que os militares são, junto com a Igreja e a Polícia Federal, a instituição em que os brasileiros mais confiam. Os motivos são vários, mas me parece que um deles é um certo imaginário nacional de que os militares são corretos, honestos, disciplinados e assim por diante. Da mesma maneira que a gente pode encontrar em territórios periféricos das cidades gente que é super a favor da polícia mesmo sendo alvo deles.

Ponte –  Um golpe militar aos moldes de 1964 seria possível hoje em dia? 

Eu acho que a chance de uma quebra institucional, que poderia chamar de um golpe, é zero por dois motivos. Primeiro, porque a própria composição das democracias contemporâneas aprendeu, via ativação dos dispositivos de segurança, formas de exercer um governo que seja autoritário sem precisar deixar de ser uma democracia, por isso que um dos temas no LASinTec é essa categoria analítica da democracia securitária, onde você pode ir de um governo mais autoritário, para um menos autoritário, dentro do que se reconhece institucionalmente como uma democracia. 

E segundo porque eles não têm a necessidade de dar um golpe. Eles estão no comando das ações, digamos que, o momento onde essa influência deles foi mais ameaçada foi no período de 20 anos entre o primeiro mandato do governo Fernando Henrique em 1994 até o segundo mandato da presidente Dilma em 2014, quando eles reagiram. Começaram a soltar nota de dentro do clube militar, a ocupar redes sociais, criaram um candidato próprio. 

Então, na verdade, não vai ter golpe, porque não se solucionaram as questões que ficaram penduradas no período civil militar onde os militares que quebraram financeiramente o Estado, praticaram violações regulares de direitos humanos, tortura institucionalizada e continuaram, mesmo assim, presentes na vida civil. 

Seja via GLO, via as participações em missão da ONU, via a influência direta que eles têm nas políticas de segurança pública, nas políticas de meio ambiente, nas de controle informacional, eles não têm porque dar um golpe. Então acho que muito do que aparece nos blogs, na imprensa, está muito mais ligado a um debate público atual do que propriamente uma ameaça real. Desde que o Bolsonaro assumiu, quando chega março, abril [época das comemorações do golpe de 1º de abril de 1964], essa ameaça aparece e desaparece. E nada se faz em relação aos militares e a uma série de violações que eles mesmo provocaram. 

Enfim, a própria influência regular de comandantes do Exército da ativa e na política nacional via redes sociais, é uma coisa que em tese em uma democracia de Estado Democrático de Direito, não seria aceitável. Pior que isso, já tivemos militar da ativa ocupando o Ministério da Saúde até outro dia, ele comanda tropas, não poderia estar lá. Essa coisa que os próprios militares repetem para suas fontes jornalísticas, que os militares não se metem na política é irreal, eles se metem na política o tempo todo. 

Até quando eles dizem “os militares não se metem na política”, eles estão fazendo política. Eu não acho que haja uma possibilidade de ter um golpe, mas isso não quer dizer que a gente não viva o período mais autoritário da democracia brasileira. Então, essa perseguição a jornais, a ONGs, aos grupos de movimentos sociais, a repressão regular entre os mais pobres via polícia, é uma prova de que a gente vive em uma democracia com traços altamente autoritários, por isso que chamamos de democracia securitária e não de ditadura.

Fonte: https://ponte.org

Mulher de deputado que apalpou Isa Penna diz que quem sofre assédio não 'escancara' e vira estrela

1 A mulher do deputado estadual Fernando Cury (Cidadania), Renata Meneguella Cury, saiu em defesa do marido após a Assembleia Legislativa de São Paulo ter ampliado a pena de afastamento dele de três para seis meses.

A punição foi decidida pela Casa depois que ele apalpou a deputada Isa Penna (PSOL) em plenário, em dezembro passado.

Em postagem no Facebook na sexta (2), Renata Cury disse que "enquanto de um lado a atriz ganhava holofotes com olhares serenos e se vitimizando de tamanho sofrimento que passava, aqui tinha força e fé que segurava um lar que estava sendo apedrejado".

Ela criticou pessoas que sofrem assédio e trazem a situação a público. "Quem sofre assédio fica indignada, não escancara [a situação] e vira estrela."

A postagem da esposa não está mais disponível em seu perfil —após ser procurada pelo pela reportagem do UOL, Renata bloqueou o acesso à sua publicação no Facebook.

Em dezembro, a deputada Isa Penna foi apalpada por Cury no plenário e registrou um boletim de ocorrência contra ele por assédio sexual, além de o denunciar ao Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro.

Nesta quinta-feira (1), durante a sessão, Isa afirmou que a votação foi uma vitória do feminismo. "A gente comemorar essa pequena vitória de ter, pela primeira vez na história do Brasil, um parlamentar sendo suspendido por assédio, isso ninguém vai me tirar", disse.

Com a decisão, assume o cargo o suplente de Cury, padre Afonso Lobato (PV), que poderá exonerar os servidores do gabinete do colega. Cury ficará sem salário durante o período e seu gabinete, sem verba.

Isa Penna e parte dos deputados defendiam a cassação do mandato de Cury, mas a pena máxima prevista pelo regimento não alcançaria a maioria absoluta de 48 votos (entre 94 deputados) para ser aprovada. Segundo a deputada, 44 parlamentares apoiariam a cassação.

"Fico feliz, não posso deixar de sentir felicidade. Qualquer deputado e qualquer homem vai pensar duas vezes agora. A questão não é a quantidade de meses, mas a mensagem aos assediadores de que não é aceitável. É uma derrota para o machismo", disse Isa à Folha ao final da votação.

A deputada afirmou ainda que chegou a temer que o caso fosse arquivado, mas que a mobilização da sociedade foi grande. Cansada, mas aliviada, Isa disse também que quase não dormiu na última noite, devido a uma crise de tendinite.

Em sua página no Facebook, Renata Cury disse ser "Fernando até o fim", que tem orgulho do marido e que está "aliviada com a suspensão e muito grata a Deus por tirá-lo desse meio por 180 dias" e deixá-lo em casa com a família.

"Aos que queriam me ouvir e que esperavam condenação e julgamento, infelizmente pra vcs aqui tem Mulher de verdade!" Em seu post, a profissional do mercado financeiro criticou mulheres que denunciam assédio e disse não mais se considerar feminista.

"As fêmeas quando convém se 'cegam' e se unem para levantar bandeiras", disse. "Trabalhei 15 anos numa instituição e vi tanto, aliás, acho que sofri [assédio], mas, me lembrei de situações que resolvi tão simplesmente. Quem sofre assédio fica indignada, não escancara [a situação] e vira estrela. Lembrei também quantas vezes na vida um homem errou e se desculpou comigo e quantas vezes respondi 'o que é isso, não foi nada!'."

Renata Cury diz que o feminismo que "quando convém" vira vítima é vergonhoso, também fez insinuações semelhantes a que deputados colegas de seu marido fizeram sobre Isa Penna, insinuando que a parlamentar teria um comportamento inadequado por, entre outras coisas, dançar funk.

"Feminismo pra mim é saber se posicionar e resolver. Aliás, ter postura sempre! Isso pra mim é ser mulher. Esse 'feminismo' que quando convém vira vítima é vergonhoso. Quando acha que deve 'rebolar até o chão'...Podre! Feminista que não aceita desculpa, mete a faca na garganta e grita por sangue! Isso pra mim é ridículo!"

Na sessão que ampliou a punição, o advogado de Cury, Roberto Delmanto, afirmou que o deputado "não é assediador e não existe crime". A defesa falou em linchamento e disse que as sessões "já estão significando uma punição indelével" a Cury.

A ampliação da pena no plenário foi costurada em reunião na manhã de quinta, horas antes da sessão, com líderes de bancadas e membros do Conselho de Ética. Tratou-se, na verdade, de uma brecha acordada pelos deputados para driblar a pena engessada de 119 dias.

O encontro foi convocado pelo presidente da Casa, Carlão Pignatari (PSDB), após pressão dos deputados que queriam punição mais dura —grupo que incluiu além de membros de PT, PSOL, PCdoB, Novo e Rede, nomes de peso como Janaina Paschoal (PSL), Barros Munhoz (PSB) e Campos Machado (Avante) e ainda parlamentares mulheres de partidos de direita.

Isa contava com a pressão popular pela cassação de Cury. No último domingo (28), um grupo de 64 artistas e personalidades publicou uma carta a Carlão pedindo a cassação do mandato do deputado.

Há ainda a campanha Por Uma Punição Exemplar (porumapunicaoexemplar.com), que busca pressionar os parlamentares por uma pena mais dura por meio de disparo de emails. Segundo a assessoria de Isa, mais de um milhão de mensagens foram disparadas.

Além da ação no Conselho de Ética, Cury é investigado pelo Ministério Público de São Paulo, após Isa acusá-lo de importunação sexual

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Filósofo Michel Foucault ‘abusou sexualmente de meninos na Tunísia’, diz testemunha

https://i0.wp.com/xibolete.org/wp-content/uploads/2021/03/intelectuais_foucault.jpg?resize=1024%2C576&ssl=1 O filósofo Michel Foucault, ícone da ideologia identitária atual, tornou-se a mais recente personalidade francesa a enfrentar um acerto de contas retrospectivo por abusar sexualmente de crianças.

Um colega intelectual, Guy Sorman, causou uma tempestade na intelectualidade de Paris com sua alegação de que Foucault, que morreu em 1984 aos 57 anos, era um estuprador pedófilo que fez sexo com crianças árabes quando morava na Tunísia no final dos anos 1960.

Sorman, 77, disse que havia visitado Foucault com um grupo de amigos num feriado de Páscoa, na vila de Sidi Bou Said, perto de Tunis, onde o filósofo estava morando em 1969. “Crianças pequenas corriam atrás do Foucault dizendo ‘e eu? Me pegue, me pegue'”, lembrou o intelectual na semana passada, numa entrevista a The Sunday Times.

“As crianças tinham oito, nove, dez anos, ele atirava dinheiro nelas e dizia ‘vamos nos ver às 22h, no lugar de sempre’.” O lugar de sempre revelou-se o cemitério local: “Ele fazia amor lá, nas lápides, com meninos pequenos. A questão do consentimento não foi nem levantada.”

Sorman alegou que “Foucault não ousaria fazer isso na França”, comparando-o a Paul Gauguin, o impressionista acusado de fazer sexo com as meninas jovens que pintou no Taiti; e a Andre Gide, o romancista que abusou de meninos na África. “Há uma dimensão colonial nisso. Um imperialismo branco.”

Sorman diz se arrepender de não ter denunciado Foucault à polícia na época, ou à imprensa, e chama o comportamento dele de “ignóbil” e “feio moralmente ao extremo”.

Mas, acrescentou, a mídia francesa já sabia do comportamento de Foucault. “Havia jornalistas presentes naquela viagem, havia muitas testemunhas, mas ninguém escrevia matérias assim naquela época. Foucault era o filósofo-rei. Ele é tipo o nosso deus na França.”

Com suas golas-altas características, careca e óculos, Foucault, filho de um cirurgião, foi uma das primeiras celebridades intelectuais do século XX, lembrado não apenas por suas análises controversas das prisões, da loucura e da sexualidade, mas também por ter assinado uma petição em 1977 para legalizar o sexo com crianças de 13 anos.

A mais conhecida biografia dele, A Paixão de Michel Foucault (1993), de James Miller, descreve seu interesse em saunas gays sadomasoquistas dos Estados Unidos — ele foi uma das primeiras figuras abertamente gays na vida pública e morreu de AIDS — mas não menciona suas peripécias sexuais na Tunísia.

Foucault é o acadêmico mais citado do mundo, muitas vezes associado à ascensão da política identitária nos EUA, onde o rapper MC Hammer é um de seus fãs. “É quase invariavelmente a Foucault que os departamentos de estudos ativistas contemporâneos atribuem suas fundações intelectuais”, escreveu Daniel Miller na revista The Critic. “No nível mais básico, Foucault, o famoso professor francês, fornece uma marca de seriedade a disciplinas sem padrões acadêmicos claros ou tradições.”

Nos EUA dos anos 1980, os “foucaultianos”, como são conhecidos seus seguidores acadêmicos, “canonizaram Foucault como um tipo de santo padroeiro… cuja autoridade rotineiramente invocam para legitimar, em termos acadêmicos, seu próprio tipo de política progressista”, escreveu Miller em sua biografia.

Sorman, escritor prolífico, primeiro publicou suas alegações sobre Foucault em Meu Dicionário de Papo Furado, um livro publicado este mês, e falou mais uma vez dos delitos sexuais do filósofo na Tunísia num talk show de tarde da noite na televisão. O apresentador ficou atônito: “Você está falando de Foucault, um pedófilo de acordo com você, o que não é algo que as pessoas geralmente lembram quando pensam nele.”

As alegações de Sorman surpreenderam a especialistas na Grã-Bretanha, onde o último volume de quatro partes da história da sexualidade de Foucault acaba de ser publicado pela primeira vez em inglês.

“Há um grande potencial disso ter um impacto sobre ele”, diz Phil Howell, professor de geografia histórica da Universidade de Cambridge. “Foucault tinha interesse na sexualidade e escreveu sobre ela, mas abuso infantil é outra coisa.”

Para Sorman, o comportamento de Foucault era sintomático de um mal distintamente francês, que data de Voltaire. “Ele acreditava que há duas morais, uma para a elite, que era imoral, e outra para o povo, que deve ser restritiva.”

Prosseguiu Sorman: “A França ainda não é uma democracia, tivemos a revolução, proclamamos a república, mas ainda há uma aristocracia: é a intelligentsia, e ela desfruta de um status especial. Vale tudo.” Mas agora, “o mundo está mudando de repente”, acrescenta.

Foucault estava longe de ser a única celebridade francesa com um senso inflado de importância. Nos últimos anos, vários relatos visando a contar tudo motivaram investigações criminais de figuras dos mundos literário e artístico acusadas de abusar sexualmente de crianças no rescaldo inebriante da revolta de estudantes de 1968.

O desabafo começou em 2016, quando Flavie Flament, apresentadora de rádio e televisão, escreveu um livro acusando David Hamilton, o fotógrafo britânico, de estuprá-la quando ela tinha 13 anos. “Na época eu ainda chupava meu polegar”, contou-me numa entrevista logo após o lançamento do livro. Hamilton se matou alguns dias depois.

Pouco mais de um ano atrás, Vanessa Springora, 48, uma editora, descreveu num livro como ela foi abusada quando adolescente nos anos 1980 por Gabriel Matzneff, um romancista de pouco mais de 50 anos que estava na moda na época. Ele se gabava da própria pedofilia na televisão e ganhava prêmios literários pelos livros inspirados nela.

Quando isso emergiu, a elite parisiense já estava em choque com as revelações de Camille Kouchner, 46, filha de Bernard Kouchner, ex-primeiro ministro, de que seu padrasto, Olivier Duhamel, 70, influente intelectual e comentarista político, havia abusado sexualmente dela e de seu irmão gêmeo no final dos anos 1980, quando tinham 13 a 14 anos.

Matzneff e Duhamel não comentaram as alegações, nem foram condenados por qualquer crime.

Os manifestantes de 1968 estão na defensiva. Luc Ferry, 70, filósofo e ex-ministro da educação, argumenta que os seus contemporâneos têm muito a explicar. “As pessoas esqueceram que o pensamento de 1968 promovia a pedofilia”, escreveu no jornal Le Figaro. “Todo adulto tinha o direito, até o dever, defendiam eles, de despertar a sexualidade que a burguesia estava reprimindo.”

As acusações motivaram um novo projeto de lei, sob discussão no parlamento, que criminalizaria todas as relações sexuais com menores de 15 anos — atualmente, uma vítima infantil de estupro precisa provar que foi forçado.

Na semana passada, no entanto, houve uma discussão sobre uma assim chamada “cláusula de Romeu e Julieta”, uma emenda para proteger namorados adolescentes. Ela não criminalizaria as relações sexuais com alguém com menos de 15 anos se a diferença de idade entre os dois “protagonistas” for menor que cinco anos.

O presidente Macron defendeu essa mudança na lei — o que provocou deboche pois Brigitte, sua esposa, poderia ter violado esta lei quando o relacionamento com o futuro marido começou nos anos 1990: ele tinha 15 anos e ela era sua professora, com 40 anos, e casada.

Quanto a Foucault, ele não deve ser “cancelado”, defendeu Sorman. “Tenho grande admiração pela obra dele, não estou convidando ninguém a queimar seus livros, mas simplesmente a entender a verdade sobre ele e como ele e alguns desses filósofos usavam seus argumentos para justificar as próprias paixões e desejos”, disse. “Ele pensava que os argumentos dele davam permissão para fazer o que ele quisesse.”

Fonte: https://xibolete.org

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