Um estudo da Transparência Brasil concluiu que a Câmara dos Deputados registrou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão em 2025 sem identificar os parlamentares que realmente decidiram o destino dos recursos. Em vez dos autores das indicações, os documentos públicos mostram apenas os nomes dos líderes partidários.
Segundo a entidade, esse mecanismo reproduz características do antigo“orçamento secreto”, pois dificulta a identificação de quem efetivamente direcionou as verbas. O valor representa cerca de 16% das indicações das comissões da Câmara naquele ano.
Os partidos com maiores volumes de recursos associados às lideranças foram:
- PP: R$ 427,7 milhões
- União Brasil: R$ 288,7 milhões
- PL: R$ 254,3 milhões
- Republicanos: R$ 218,5 milhões
Juntos, esses quatro partidos concentraram quase 95% do total identificado pelo estudo.
A Transparência Brasil argumenta que a distribuição dos recursos por vários estados sugere que diferentes deputados decidiram os destinos das emendas, mas seus nomes permaneceram ocultos, ficando a autoria formal registrada apenas nas lideranças partidárias.
O levantamento também aponta outro problema: R$ 821 milhões em emendas empenhadas em 2025 não tiveram os beneficiários finais identificados, devido à falta de mecanismos de rastreamento nas bases públicas.
Por fim, a ONG afirma que a prática continuou em 2026. Até maio daquele ano, já haviam sido identificados R$ 373,8 milhões em emendas registradas apenas em nome de líderes partidários, incluindo pela primeira vez o PT, com R$ 107,5 milhões.
Em uma frase: a reportagem mostra que a Transparência Brasil vê nas chamadas “emendas de liderança” um mecanismo que reduz a transparência sobre quem realmente decide a destinação de parte dos recursos públicos, lembrando o funcionamento do antigo orçamento secreto.
