Câmeras de monitoramento que confundem pessoas com sacos de lixo foram contratadas pelo governo do Estado do Ceará. Os registros foram feitos por policiais que operam o sistema público e denunciam o problema. Nas imagens congeladas, a precisão do reconhecimento facial supera os 86%.
Mas o que se vê é confusão de gênero, sacos de lixo, pessoas de costas e até uma calçada sinalizada. A resposta do sistema ao detectar os objetos indica pessoas, local, hora e identidade com nome completo, mas que não condiz com a foto captada pelas câmeras.
Câmeras que confundem pessoas com sacos de lixo têm custo milionário
O modelo fornecido pela empresa IPQ, foi autorizado pela ALECE (Assembleia Legislativa do Ceará), que aprovou uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), no fim de 2025. A PEC autoriza o governo estadual a superar os gastos do teto com segurança pública.
Diante dessa aprovação, os deputados estaduais permitiram que o governo cearense contratasse 513 pontos de videomonitoramento ao custo mensal estimado em R$ 2,6 milhões. Para piorar o cenário, a mesma proposta coloca em risco o orçamento público do Estado. Isso porque nos últimos quatro anos, o setor já consumiu cerca de R$ 1,5 bilhão.
Modelo de câmeras com reconhecimento facial no Ceará causa preocupação em agentes de segurança públicaFoto: Divulgação/ND Mais
Essas câmeras que confundem pessoas com sacos de lixo e demonstram ineficiência operacional colocam em risco os agentes de segurança pública, que deslocam equipes, organizam operações demandadas por um sistema falho.
Embora o percentual de confiabilidade no reconhecimento seja superior a 86%, o risco maior é para os cidadãos que podem ser confundidos sem garantias de segurança.
Em 2023, o deputado estadual Sargento Reginauro (União) defendeu o sistema de reconhecimento facial, desde que era vereador, em Fortaleza. Mas sem força política para fazer a proposta avançar, o projeto morreu na casca.
O modelo atual surgiu de proposição do governador Elmano de Freitas (PT) e os efeitos contrários ao que se esperava só reforçam os motivos que fizeram o projeto de Reginauro não avançar. Setores temiam que o sistema de identificação facial confundisse pessoas e causasse constrangimento. De fato essa teoria foi comprovada pelo sistema adquirido por valores milionários.
