Cuba começou a libertar presos nesta sexta-feira, horas depois do anúncio do governo de um indulto a 2.010 detentos como “gesto humanitário” por ocasião da Semana Santa, sua segunda medida deste tipo em menos de um mês em meio à pressão dos Estados Unidos.
Mais de 20 detidos deixaram a prisão de La Lima, no leste de Havana, na manhã desta sexta, constataram jornalistas da AFP. Os libertados se abraçaram e choraram com familiares que os esperavam do lado de fora.
Estas libertações ocorrem pouco depois que o governo do presidente americano, Donald Trump, aliviou o bloqueio petrolífero de fato que impõe à ilha desde janeiro, com a permissão de entrada de um petroleiro russo no país nesta semana.
Em 12 de março, o governo cubano anunciou a libertação antecipada de 51 presos como gesto de “boa vontade” com o Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington.

Os Estados Unidos declararam estar cientes das solturas iniciadas nesta sexta-feira e exigiram de Havana “a libertação imediata das centenas de outros corajosos patriotas cubanos que permanecem detidos injustamente”, segundo um porta-voz do Departamento de Estado.
O governo cubano não divulgou os nomes dos indultados nem especificou os crimes abrangidos pelo indulto, mas ressaltou que as libertações levam em conta o tipo de crime, a conduta na prisão, motivos de saúde e o tempo já cumprido.
“Obrigado por esta oportunidade que nos deram”, declarou Albis Gaínza, de 46 anos, que foi condenado a seis anos de prisão por roubo e cumpriu metade da pena.
Entre os beneficiados há “jovens, mulheres, adultos com mais de 60 anos”, assim como “estrangeiros e cidadãos cubanos residentes no exterior”, segundo o texto do indulto.Continua após a publicidade
“Esta é uma oportunidade que só aparece uma vez na vida (…) a gente já sofreu demais, e as nossas mães também”, disse Brian Pérez, de 20 anos, que cumpria pena por agressão.
Damián Fariñas, também de 20 anos, disse que sua libertação é “uma bênção muito grande” que “enche de felicidade” sua família. O jovem havia sido condenado por roubo e permaneceria preso por mais um ano e dois meses.
– “Troca política” –
O indulto descarta pessoas que cometeram “crimes de agressão sexual, pedofilia com violência, assassinato, homicídio, drogas, furto e (…) roubo com violência ou força com utilização de armas”, bem como “corrupção de menores, crimes contra a autoridade, reincidentes e multirreincidentes”.
O grupo de defesa dos direitos humanos Justicia 11J considerou “especialmente preocupante a menção dos chamados ‘delitos contra a autoridade’, que incluem figuras como atentado, resistência e desacato”.
Em um comunicado, a ONG ressaltou que estas figuras delitivas são usadas pelas autoridades cubanas para “criminalizar” a atividade da oposição.
