Professora de dança de salão, juíza internacional em competições e presença constante em torneios pelo mundo, Tetiana Khimion viu a própria vida mudar radicalmente com a invasão russa à Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022. Aos 47 anos, mãe de dois filhos, deixou os palcos e o estúdio em Sloviansk, na região de Donetsk, para se alistar nas Forças Armadas ucranianas.
No Exército, escolheu uma função incomum para quem vinha da dança: treinou para se tornar sniper.
— Quando passeava com os meus filhos menores no parque, às vezes atirava num pequeno campo de tiro que havia lá. Conseguia acertar no centro do alvo e até ganhar pequenos prêmios. Pensei: talvez eu consiga fazer isso — contou à agência Associated Press.
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Mulher andando de bicicleta em meio a destroços após bombardeio na vila Novopavlivka, na Ucrânia — Foto: Roman PILIPEY / AFP
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Bombeiros apagando incêndio em prédio após ser atingido por míssil, em Poltava, na Ucrânia — Foto: Sergey Bobok / AFP
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Mulher limpando destroços de prédio após ataque de míssil em Izyum, na região de Kharkiv na Ucrânia — Foto: Roman Pilipey / AFP
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Homem filma escombros de um shopping em Kharkiv, na Ucrânia, após ataque de drone — Foto: SERGEY BOBOK / AFP
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Moradores de Poltava, na Ucrânia, limpando escombros de prédio após ser atingido por míssil — Foto: Sergey Bobok / AFP
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Militar ucraniano em meio aos destroços de prédio, após ataque de míssil em Izyum, na Ucrânia — Foto: Roman PILIPEY / AFP
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Equipes de resgate trabalham em escombros de prédio atingido por míssil russo em Poltava, na Ucrânia — Foto: SERGEY BOBOK / AFP
Imagens mostram escombros das cidades ucranianas após recentes ataques da Rússia
Tetiana afirma que a profissão de sniper reúne dois elementos centrais da sua trajetória pessoal: precisão e criatividade.
— A profissão de sniper é, na verdade, muito criativa e eu sou uma pessoa criativa. Preciso me expressar. Ao mesmo tempo, é muito matemática, e eu adoro matemática. Estudei Física e Matemática na universidade, por isso essa combinação de precisão e criatividade fez todo o sentido para mim.
Em agosto de 2023, ela passou a integrar o 78.º Regimento de Assalto Aéreo como atiradora de curto alcance, responsável por dar cobertura a grupos de assalto em missões de combate.
Tetiana começou a praticar danças de salão aos seis anos. Tornou-se juíza de provas em nível internacional e abriu o próprio estúdio, onde treinava crianças. A rotina era marcada por viagens constantes e competições no exterior.
— Meus dias eram muito preenchidos. Viajávamos para competir e representar a Ucrânia. Todas as semanas íamos para uma cidade diferente, descobríamos a Europa, a China. Era muito intenso, mas parecia rotina — recorda.
A invasão russa pôs fim a essa normalidade. Naquela manhã de fevereiro, percebeu que não poderia continuar dançando enquanto o país estava sob ataque.
Tetiana diz que encara cada missão com disciplina e sangue-frio — postura que atribui aos anos de trabalho com crianças e à exigência do esporte.
Ainda assim, admite que a guerra a transformou profundamente.
— Tornei-me uma pessoa completamente diferente. Sinto que já vivi todas as minhas emoções, sensações e momentos mais fortes. Quero continuar vivendo, viajar para as montanhas, nadar no oceano. Mas percebo que não vou conseguir sentir as emoções como antes, porque as mais intensas já foram vividas.
