O vereador bolsonarista Eder Borges (PL) usou a tribuna da Câmara Municipal de Curitiba na manhã desta segunda-feira (9) para negar a prática de nepotismo e atacar a promotora Suzane Maria Carvalho do Prado, que na semana passada moveu uma Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa contra o parlamentar. Borges é suspeito de ter nomeado a própria enteada como chefe de seu gabinete, com um salário de R$ 18 mil.
Para Borges, o caso é apenas uma “novela ridícula” e a ação movida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) é uma “patifaria”. “Hoje vou expor o circo, a patifaria que uma certa promotora do Ministério Público dessa capital está fazendo. De novo, aquela novela ridícula do nepotismo”.
O bolsonarista disse ter apresentado “provas documentais” e afirmou que não foi ouvido pelo MPPR. “Estão de palhaçada com a minha cara e com a cara dos pagadores de impostos que pagam os altíssimos salários dessas promotoras”, disse. “Noivado não é nepotismo. Eu poderia contratar a minha noiva se quisesse e se tivesse, que não é nepotismo. Namoro tampouco. Namoro que nem vingou, então, nem se fala. Qualquer estudante de primeiro ano de direito sabe disso. E uma promotora não sabe? Vão voltar a estudar.”
Segundo Borges, as denúncias foram feitas pelo ex-marido e pela ex-sogra de Victoria Lauren Maciel Almeida, sua chefe de gabinete.
“O ex-marido e a ex-sogra da Vitória, ele diz que ele foi o denunciante. Um sujeito que a Vitória tem vários boletins de ocorrência contra ele por assédio moral. Vários BOs contra esse sujeito por assédio moral. Tem pedido de medida protetiva contra esse cara. Ele tem outros boletins de ocorrência fora. Como, por exemplo, sei que ele foi expulso do quartel por briga em balada por aí. Tem um processo litigioso de guarda da filha. E ele odeia a Vitória, quer vingança. Vai lá, fala um monte de besteira, um monte de contradição. Ele e a mãe dele, sem qualquer prova, mentem. E essa promotoria dá atenção para isso”.
O que Borges chama de “um monte de besteira” está documentado: Vitória ganha R$ 18 mil por mês na Câmara e é filha de Andreia Gois Maciel, que o próprio vereador chamou de “minha mulher” durante uma sessão do Legislativo no dia 28 de novembro de 2023.
Andreia Gois Maciel tinha um cargo em comissão do Instituto Municipal do Turismo (IMT) ligado à Prefeitura, mas em maio do ano passado afirmou ao Plural que trabalhava como assessora jurídica de Eder Borges na Câmara. Ela foi exonerada em seguida.


Para o bolsonarista, trata-se de “preconceito”. “Essa promotoria envergonha o Ministério Público, compromete a idoneidade da instituição Ministério Público. Um ultraje essa exposição pública e esse preconceito contra a Vitória. Que eles dizem que, por ela, certamente por ser mulher, para início da conversa, por ser jovem, que ela não teria experiência e não teria condições para trabalhar comigo, que está lá somente por vantagem pessoal. Que vergonha ouvir isso, ainda mais de umas mulheres, de umas promotoras”.
Gabinete como “extensão da sua unidade familiar”
A ação movida pela promotora Suzane Maria Carvalho do Prado informa ainda que o gabinete de Eder Borges abrigou outras pessoas ligadas a Victoria Lauren Maciel de Almeida. Para a promotora, Borges “permitiu que a estrutura de seu gabinete fosse uma extensão de sua unidade familiar”. Ele teria contratado como estagiária a namorada do irmão de Victoria e o pai de outro filho de Andrea.
O Portal de Transparência da Câmara informa que Marlon Aldo Belotti foi nomeado em 1º de setembro de 2022 para o cargo de assessor de gabinete CC-2, com salário bruto de R$ 16.533,01.
Leticia Medeiros Michalski, que seria namorado do irmão de Victoria, foi contratada em 6 de janeiro deste ano, segundo o portal da Câmara, para o cargo de assessora parlamentar CC-6, com salário de R$ 3.099,99.
“Quanto a este ponto, mister se destacar que o Vereador Éder Borges permitiu que a estrutura de seu gabinete fosse uma extensão de sua unidade familiar, pois além de nomear Victoria Lauren Maciel de Almeida, contratou como estagiária a namorada do irmão de Victoria (Bruno Valente), Leticia Medeiros Michalski, além de nomear, como assessor parlamentar, o pai de outro filho de Andréia, Marlon Aldo Belotti”, afirmou a promotora.

Bolsonaristas arquivaram o caso na Câmara
O caso foi analisado pelo Conselho de Ética da Câmara, que sequer deu prosseguimento às investigações. Eder Borges se livrou com o voto de três bolsonaristas: Carlise Kwiatkowski (PL), Guilherme Kilter (Novo) e Bruno Secco (PMB) votaram pelo arquivamento. Toninho de Farmácia (PSD) teve o mesmo entendimento. O único que votou pelo prosseguimento da investigação foi Lórens Nogueira (PP).
