Com sede em Quitandinha, IMC Tecnologia venceu concorrência de R$ 431 milhões para bloquear telefonia móvel em presídios
A IMC Tecnologia em Segurança Ltda, empresa com sede em Quitandinha, na Região Metropolitana de Curitiba, ganhou uma licitação do governo do Rio de Janeiro, no valor aproximado de R$ 431 milhões, para fornecer bloqueadores de telefonia móvel para o sistema penitenciário do Estado. A IMC, que tem entre seus sócios o deputado federal Ricardo Barros e a mulher, a ex-governadora Cida Borghetti, venceu os cinco lotes da licitação. Em nota, Barros afirmou que sua relação com a empresa é de “incentivador da startup paranaense”.
O caso foi revelado pelo ex-governador do Rio Anthony Garotinho. Nas redes sociais, Garotinho (que chegou a ser preso quatro vezes entre 2016 e 2019 por suspeita de corrupção) levantou a possibilidade de “maracutaia”. “Ao analisar com atenção e um mínimo de conhecimento técnico, salta aos olhos uma licitação que desperta questionamentos: quase R$ 500 milhões destinados a uma empresa sediada no Paraná, vencedora de um contrato para o sistema penitenciário do Rio de Janeiro”, afirmou Garotinho. “Chama atenção o vínculo político envolvido.”
No portal do Ministério da Fazenda, consta que a IMC Tecnologia em Segurança Ltda, com um capital de R$ 40 mil, tem com sócios Maria Aparecida Borghetti (Cida Borghetti), Isabela Mordaski Cordova, Paulo Roberto Ferrari e a empresa RC10 Tecnologia Ltda. Os sócios da RC10 são Cida Borghetti e Ricardo José Magalhães Barros.
A IMC venceu os cinco lotes da licitação no Rio, nos valores de R$ 114.989.292,00 (Lote 1); R$ 135.087.064,20 (Lote 2); R$ 78.997.716,00 (Lote 3); R$ 69.991.435,80 (Lote 4) e R$ 32.449.569,12 (Lote 5). O valor total pelo cinco lotes é de R$ 431.515.077,12 e a vigência dos contratos é de 36 meses. A concorrência foi concluída em julho do ano passado.
Em nota, Barros destacou que o processo é público e legal e que atua como incentivador de uma startup do Paraná. Segue a nota:
Em relação ao assunto, o deputado Ricardo Barros esclarece que se trata de contrato obtido pela startup IMC Tecnologia, empresa paranaense sediada em Quitandinha, por meio de processo público e regular.
O objeto do contrato é a prestação de serviço de sistema de bloqueio de sinal em 48 unidades prisionais.
Até o momento, os equipamentos já foram instalados em dois presídios e estão em funcionamento, dentro do cronograma previsto.
Por fim, o deputado reforça que não participa da gestão nem da operação do contrato. Sua relação com a empresa é de incentivador da startup paranaense.
Problemas no RS
Em maio do ano passado, o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, revelou que a IMC Tecnologia em Segurança assinou um contrato semelhante com o governo do Rio Grande do Sul em março de 2024, com o prazo de 270 dias para instalar bloqueadores de sinal em 23 unidades prisionais, mas não havia concluído o serviço em nenhuma unidade mais de um ano depois. Segundo a matéria, em maio de 2025 havia apenas testes na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).
Em nota enviada ao Zero Hora, a IMC, afirmou que a PASC exigia um projeto específico, por ser um presídio vertical. O cronograma de instalação em outras unidades teria atrasado em função das cheias no Estado em 2024, o que levou à assinatura de uma reprogramação a partir do final de agosto. Os projeto tiveram que ser refeitos e aprovados, segundo a empresa.
Principal liderança do PP no Paraná, Ricardo Barros foi prefeito de Maringá de 1989 a 1992 e está em seu sexto mandato como deputado federal. Foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer, de 2016 a 2018, e duas vezes secretário estadual de Indústria e Comércio, nas gestões de Beto Richa e Ratinho Júnior. Ele é filho do ex-prefeito de Maringá Silvio Magalhães Barros e irmão do atual prefeito da cidade, Silvio Barros. Cida Borghetti foi deputada estadual, deputada federal, vice-governadora durante o governo de Beto Richa e governadora de 2015 a 2018.
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