Durante a ditadura militar, em dezembro de 1968, o cantor Caetano Veloso foi preso sem mandado judicial e sem acusação formal, após uma denúncia falsa de que ele e Gilberto Gil teriam desrespeitado o Hino Nacional durante um show.
Caetano permaneceu preso por 69 dias, enfrentando isolamento e sofrimento psicológico. Durante esse período, um militar permitiu que ele tivesse um encontro reservado com sua então esposa, Dedé Gadelha, contrariando as regras da prisão e arriscando sofrer punições.
O gesto marcou profundamente o cantor, que considerou aquela atitude fundamental para recuperar seu equilíbrio emocional. Por quase 60 anos, Caetano não soube a identidade do militar.
A reportagem do UOL, por meio do podcast O Sargento, investigou arquivos militares e encontrou informações sobre o homem: Vivaldo Bispo de Jesus, um sargento baiano que foi punido por sua atitude humanitária.
Vivaldo continuou sua carreira militar, chegou a subtenente e morreu em 1991, aos 46 anos, sem saber a importância que seu gesto teria na vida do artista.
Emocionado com a descoberta, Caetano agradeceu à família do militar e destacou a bondade de alguém que, mesmo em um período de repressão, demonstrou humanidade e coragem.
Fonte: UOL – O Sargento: a busca pelo militar que se arriscou por Caetano na ditadura