Os suspeitos de tentar matar um empresário em Itaberaí, no noroeste de Goiás, realizaram duas tentativas de ataque com granada lançada por drone, segundo a Polícia Civil. As ações aconteceram entre os dias 15 e 17 de janeiro, e, de acordo com a investigação, o grupo pretendia continuar os atentados. Três pessoas foram presas.
Segundo o delegado regional de Goiás, Kleber Rodrigues, os criminosos não recuaram após a falha do primeiro ataque e chegaram a retornar à região com uma nova granada e uma arma de fogo, o que levou à antecipação das prisões por risco à vida da vítima.
O processo corre em segredo de Justiça, e a defesa dos presos não foi localizada.
Granada e equipamentos apreendidos pela polícia: segundo a investigação, o mesmo tipo de artefato explosivo usado na tentativa de ataque foi encontrado dentro do carro dos suspeitos no momento da prisão, em Mato Grosso — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Dois ataques com drones e granada de guerra
De acordo com a polícia, na primeira tentativa, no dia 15, a granada ficou presa ao drone e não explodiu após o equipamento colidir com o telhado da casa do empresário. Dois dias depois, em 17 de janeiro, os suspeitos voltaram ao local com um segundo drone, tentando resgatar o primeiro equipamento e o artefato explosivo usando uma corda e um gancho.
“A granada não chegou a ser acionada por uma falha técnica. O segundo drone não teve força suficiente para puxar o primeiro e também caiu”, explicou o delegado Ricardo Ramos, do Grupo de Investigação de Homicídios de Itaberaí, GIH. A polícia ressaltou que o explosivo apreendido é do tipo fragmentário, considerado armamento de guerra, com potencial letal em um raio de até 15 metros.
Dívida milionária e escalada de ameaças
A investigação aponta que o atentado foi motivado por uma dívida de mais de R$ 1 milhão, relacionada à compra de sementes agrícolas. Após o empresário pedir prazo para pagamento, as ameaças começaram de forma velada e evoluíram para mensagens diretas enviadas à vítima e a familiares.
Mesmo após a primeira tentativa frustrada, os suspeitos continuaram fazendo intimidações, questionando se a vítima “tinha gostado do presente” e afirmando que novos ataques aconteceriam. Segundo a polícia, os criminosos usavam perfis falsos em redes sociais, com imagens criadas por inteligência artificial, além de números de telefone registrados em CPFs de terceiros.
Prisões e investigação em andamento
Os três homens foram presos em Mato Grosso. Dois deles foram detidos em Canarana, dentro de um veículo, quando retornavam em direção a Goiás. O terceiro foi localizado em Primavera do Leste. Segundo a polícia, o grupo se deslocava constantemente entre cidades para dificultar o monitoramento.
Durante a abordagem, os policiais encontraram outra granada do mesmo modelo e uma pistola, o que, segundo o delegado, demonstrou a intenção de manter a cobrança violenta. A polícia acredita que os presos atuavam como executores e investiga a existência de um mandante, apontado como o verdadeiro credor da dívida.
Os suspeitos devem responder por tentativa de homicídio qualificado, extorsão e porte de artefato explosivo de uso restrito.
