Rafaela Lupion tem parentes acusados de se beneficiar de trabalho escravo

Notícias

Responsável pelo parecer na Câmara de Curitiba contra o projeto de lei que retirava homenagens a proprietários de escravos que hoje dão nome a ruas de Curitiba, a vereadora Rafaela Lupion (União) é descendente de políticos e homens públicos que foram acusados de se beneficiar de trabalho escravo.

Representante de uma das famílias mais tradicionais da política paranaense, Rafaela é bisneta de Moysés Lupion, que teve dois mandatos como governador do Paraná. Recuando mais na linhagem histórica da família chega-se ao nome de Telêmaco Borba, um político e etnógrafo que, em finais do século 19, foi acusado de manter indígenas como escravos em suas propriedades.

No livro “O Botucudo Tibagyano”, a historiadora Ana Vanali registra que Telêmaco Borba (que hoje dá nome a um município do Paraná e também a uma rua em Curitiba) teve atritos com a igreja. Um deles “ocorreu em 1885 (…) a denúncia por parte da Matriz do Tibagi de que Telêmaco Borba mantinha cinco índios Botucudos em sua fazenda na condição de escravos”.

Ainda mais recuado na linhagem da família, o bandeirante Borba Gato ficou famoso por expedições ao interior do Brasil em que, dentre outras coisas, buscava escravos para que os brancos usassem em suas fazendas.

Em contexto bem diferente, já no século 21, em 2007, o então deputado federal Abelardo Lupion, tio de Rafaela e pai do deputado federal Pedro Lupion, atual coordenador da bancada ruralista em Brasília, foi incluído em uma relação de políticos que se beneficiaram de doações de campanha feitas por empresas autuadas por manter trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Memória

O projeto de Giorgia Prates (PT) que tramita na Câmara de Curitiba prevê que sejam canceladas as homenagens a donos de escravos em logradouros públicos. Trata-se de uma revisão que acontece hoje em grande parte do mundo, para evitar a perpetuação de homenagens a pessoas que, embora em outros períodos tenham sido vistas como merecedoras de elogios, pelos parâmetros atuais praticaram crimes contra a humanidade e contra as minorias mais vulneráveis.

Na Comissão de Constituição e Justiça, a relatoria coube a Rafaela Lupion, que se manifestou contra a aprovação da proposta por ver um risco de “apagamento histórico”. O voto da vereadora foi apoiado por quatro colegas de comissão, contra dois votos a favor do projeto. No entanto, como não houve maioria absoluta pela inconstitucionalidade, a comissão irá redistribuir o projeto para que seja analisado por um novo relator.

Fonte: https://www.plural.jor.br/rafaela-lupion-tem-parentes-acusados-de-se-beneficiar-de-trabalho-escravo/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *