Um policial civil nomeado para cargo em comissão no Bloco Parlamentar da Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) foi condenado no fim do mês passado por extorsão praticada em 2017. Adailton Joaquim Cândido foi nomeado no início de 2025 como assessor no bloco liderado pelo pelo deputado Delegado Tito Barichello (PL). O salário é de R$ 9.609,85.
As condenações de Cândido e outro policial civil, por praticarem extorsão no valor aproximado de R$ 13 mil contra um vigilante, foram relevadas pelo telejornal Tribuna da Massa, da Rede Massa, nesta quinta-feira (9 de abril). No Portal da Transparência da Assembleia, o Plural constatou que Cândido foi nomeado no dia 1º de janeiro de 2025 como assessor parlamentar, nível G-5, no Bloco da Segurança Pública, com jornada de 40 horas de trabalho semanais.
O Plural entrou em contato com a assessoria de Tito Barichello nesta sexta-feira (10 de abril), já que os assessores de blocos parlamentares são nomeados pelas lideranças, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. A Alep também não se posicionou. O espaço fica à disposição. A Polícia Civil informou que não se manifesta a respeito de decisões judiciais.
Conhecido como Xerifão, Tito Barichello é delegado da Polícia Civil e cumprimenta apenas os “cidadãos de bem” no início de seus pronunciamentos. Em suas falas, costuma parabenizar policiais que participam de operações que resultam na morte de civis – classificados sempre como “bandidos” pelo parlamentar, mesmo sem a conclusão das investigações.
Flagrante forjado
Segundo a matéria do jornalista Wilson Kirsche, Cândido e outro policial teriam forjado um flagrante ao abordarem um vigilante, em março de 2017, no bairro Portão, em Curitiba. Eles alegaram que ele estava de posse de medicamentos abortivos com venda proibida no Brasil.
O vigilante teria sido levado para um carro descaracterizado, onde os policiais teriam recebido R$ 5,5 mil para não prendê-lo. Em seguida, ele teria ido ao banco para sacar mais R$ 400, acompanhado de um investigador da Polícia Civil, movimentação que foi captada por câmeras de segurança.
Depois disso, os policiais teriam exigido mais R$ 7 mil, pois, segundo a denúncia, “tinha mais gente para receber”, e apreendido seu celular. O vigilante rastreou a localização do aparelho e descobriu que ele estava em um lava-car no bairro Boqueirão.
O vigilante procurou o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Paraná (MPPR), para denunciar o caso. “Se você não aparecer com o dinheiro, nós temos todos os teus dados e nós vamos atrás de você”, teriam ameaçado os investigadores.

Segundo o MPPR, o dono do lava-car se passou por policial civil no momento da abordagem e vendeu o celular do denunciante. O Gaeco pediu a prisão dos três suspeitos, mas eles foram absolvidos em 2024. O MPPR recorreu da decisão e no mês passado o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) condenou os três. Os policiais foram condenados à perda dos cargos públicos, a devolver o dinheiro e ao pagamento de multa no mesmo valor.
“Considerando que a prática ocorreu mediante a utilização do cargo público, a perda deste é medida imprescindível e proporcional. Ocorre que os agentes ocupavam cargos na Polícia Civil, instituição de proteção à sociedade, a qual deve ter membros de reputação ilibada, a fim de garantir a confiança social e a respeitabilidade do aparato estatal da persecução penal”, diz a sentença.
Defesa vai recorrer
À Tribuna da Massa, o advogado dos policiais, Thiago Portugal, disse que vai recorrer da condenação. “Nos sentimos na necessidade de buscar essa reforma o máximo possível, por acreditar na Justiça, acreditar que pode ter havido um equívoco”, disse o defensor. Segundo ele, a absolvição de 2024 se deu “por não haver prova em face deles em relação àquilo que foi narrado. Somado ao fato de que o único peso que contra eles era a palavra da suposta vítima”.
Segundo o advogado, o vigilante teria dito aos policiais que o verdadeiro dono do medicamento era um médico. Ele teria ido ao banco para buscar o comprovante de uma transação, que não foi apresentado. “A forma de não apresentar qualquer nome, qualquer CPF ou qualquer dado foi alegando que o banco estava sem sistema”, disse Thiago Portugal. “É natural que o cidadão, ao ser interpelado pela polícia, ciente do que pratica, tente de todas as formas afugentar ou prejudicar aquele que pode causar qualquer espécie de ameaça”.
Fonte: Policial nomeado por Tito Barichello na Assembleia é condenado por extorsão
