Uma família de Eusébio (CE) é acusada de manter uma mulher de 62 anos trabalhando como empregada doméstica por 55 anos sem salário, em condições análogas à escravidão. O caso foi descoberto após uma denúncia anônima ao Disque 100 e resultou em uma ação da Auditoria-Fiscal do Trabalho.
Segundo a reportagem, a família é composta por aposentados e profissionais de diferentes áreas, incluindo um advogado, uma servidora pública, um médico-veterinário e uma empregada pública. Após o resgate da trabalhadora, os envolvidos assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho.
Pelo acordo, os empregadores se comprometeram a:
- Regularizar os recolhimentos previdenciários do período reconhecido;
- Pagar R$ 50 mil em verbas rescisórias;
- Comprar um imóvel para a trabalhadora;
- Iniciar o pagamento de salário e indenização.
De acordo com os auditores, a mulher passou a viver com a família ainda na infância e dedicou a vida aos serviços domésticos e ao cuidado das crianças da casa. Ela começava a trabalhar por volta das 4h30 da manhã e realizava tarefas como limpeza, preparo de refeições e organização da residência.
A fiscalização constatou que a vítima vivia em situação de extrema dependência: não sabe ler, nunca teve conta bancária, tinha pouco contato com o mundo exterior e não construiu vida social ou afetiva própria. Uma das empregadoras chegou a afirmar aos auditores que ela havia sido “dada pela mãe”.
Após o resgate, a mulher permanecerá temporariamente na residência sob acompanhamento psicossocial, enquanto passa por um processo de escolarização e reinserção social para recuperar sua autonomia.
Em resumo: a notícia relata o resgate de uma mulher que trabalhou por mais de cinco décadas sem remuneração para uma família de profissionais e servidores públicos, em um caso investigado como trabalho doméstico em condição análoga à escravidão.
