É enganoso afirmar que ex-delegado da PF foi obrigado a deixar o Brasil após denunciar fraude nas urnas
Uma checagem do Estadão Verifica desmentiu publicações nas redes sociais que afirmam que o ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado Protógenes Queiroz precisou deixar o Brasil após comprovar fraudes nas urnas eletrônicas.
Segundo a reportagem, Protógenes não apresentou provas das supostas fraudes eleitorais que alegou terem ocorrido nas eleições de 2014. A denúncia foi investigada pelo Ministério Público Federal (MPF), mas acabou arquivada em 2015 por falta de evidências. Uma auditoria solicitada pelo PSDB também não encontrou indícios de fraude naquele pleito.
A mudança de Protógenes para a Suíça teve outro contexto. Ele foi exonerado da Polícia Federal em 2015 por infrações disciplinares relacionadas à Operação Satiagraha e foi condenado por violação de sigilo funcional. Em 2016, solicitou asilo político à Suíça, alegando temer pela própria segurança.
A publicação enganosa voltou a circular após uma entrevista recente de sua ex-mulher, Roberta Luchsinger, que mencionou que ele vive na Suíça. A entrevista, porém, não relacionou a mudança de país às alegações sobre as urnas eletrônicas.
Conclusão: não há comprovação de que Protógenes tenha descoberto fraudes nas urnas ou sido obrigado a deixar o Brasil por esse motivo. A publicação mistura acontecimentos distintos para sugerir uma relação que não foi demonstrada.