A Jamaica apresentou ao rei Charles 3º um pedido para que a Justiça britânica analise possíveis reparações pelos danos causados pela escravidão durante o período colonial. A solicitação pretende levar três questões ao Comitê Judicial do Conselho Privado, órgão que ainda atua como instância jurídica máxima para alguns antigos territórios britânicos. O rei não decidirá pessoalmente sobre o caso, pois deve seguir a orientação do governo do Reino Unido.
A iniciativa faz parte de uma campanha jamaicana para levar o debate sobre reparações do campo político para o jurídico. O pedido foi apresentado em uma data simbólica, relacionada à viagem do navio Zong, em 1781, quando 132 africanos escravizados foram lançados ao mar durante a travessia para a Jamaica.
O governo britânico, porém, tem rejeitado pedidos de desculpas e indenizações, argumentando que acontecimentos históricos devem ser analisados conforme as leis existentes na época. Paralelamente, o primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, pretende transformar a Jamaica em uma república e romper os vínculos com a monarquia britânica. Uma eventual rejeição do pedido de reparações pode fortalecer esse movimento.
Em resumo: a Jamaica está aumentando a pressão sobre o Reino Unido para obter reconhecimento e possíveis reparações pelos efeitos da escravidão, enquanto também discute deixar de ter o rei britânico como chefe de Estado.
