Baseada em apuração da Folha de S.Paulo, afirma que o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) destinou R$ 210 milhões em emendas parlamentares para obras de ampliação da BR-230, na Paraíba. Parte dessas obras acabou sendo executada por empresas subcontratadas que têm vínculos com familiares e ex-sócios de antigos assessores do senador.
Do total, R$ 160 milhões vieram de emendas de relator e outros R$ 50 milhões da Comissão de Infraestrutura do Senado, ambos no Orçamento de 2023. Entre as empresas subcontratadas estão a Selecta Construções, ligada ao cunhado de um ex-assessor, e a Comtech, que teve como sócio Rodrigo Neves, ex-integrante do gabinete de Veneziano. Uma sucessora da Comtech, a Com Infraestrutura e Mineração, pertence a um ex-sócio de Rodrigo.
A matéria também chama atenção para o histórico da Comtech: antes de atuar nas obras rodoviárias, a empresa tinha outro nome e atividade registrada ligada à criação de camarões e peixes. Em 2024, mudou de nome e de objeto social para atuar em construção e sinalização de rodovias.
O DNIT informou que as obras receberam cerca de R$ 397 milhões em pagamentos desde 2023, sendo R$ 38,9 milhões provenientes diretamente de emendas parlamentares. As construtoras responsáveis pelos consórcios afirmam que as subcontratações seguiram critérios técnicos e documentais e que não houve interferência de agentes públicos na escolha das empresas.
Veneziano nega qualquer ingerência. Segundo o senador, sua atuação se limitou à destinação dos recursos e ele não participa de licitações, seleção de empresas, pagamentos ou fiscalização dos contratos. Ele também afirma que antigos vínculos profissionais de terceiros com seu gabinete não significam que tenha influência sobre as atividades empresariais posteriores dessas pessoas.
Em resumo: a reportagem aponta que recursos indicados pelo senador financiaram obras que posteriormente contrataram empresas ligadas a pessoas próximas de ex-assessores, mas não apresenta prova de que Veneziano tenha escolhido essas empresas ou interferido nas contratações. O senador e as construtoras negam qualquer influência política no processo.
