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Assassinatos de PMs podem aumentar em até cinco vezes as mortes de civis no mesmo local

Rafael Soares

assassinatospmO assassinato de um policial militar em confronto pode aumentar em até cinco vezes o número de mortes de civis em tiroteios com a polícia, no mês seguinte, na mesma região. É o que revela um levantamento feito pelo EXTRA, corroborado pelo estudo de uma cientista social: em 2017, mortes de suspeitos em trocas de tiros aumentaram em 70% dos assassinatos de policiais militares que estavam em serviço.

O EXTRA cruzou dados do Ministério Público, da Polícia Civil e do Instituto de Segurança Pública (ISP). Só foram levadas em conta mortes de PMs em serviço e que participavam de confrontos com criminosos. Ao todo, são 22 casos desse tipo ao longo de 2017 em áreas cobertas por 12 batalhões na Região Metropolitana do Rio.

Em seguida, foi contabilizado o número de mortes em confronto na região do assassinato de cada policial, no mês posterior ao crime. Para comparação, o EXTRA também levantou a média mensal de suspeitos mortos na área coberta por cada batalhão analisado nos últimos dez anos.

Com o assassinato do soldado Gilberto Guimarães, na área do 24º BPM (Queimados), o número de mortes no mês seguinte foi cinco vezes maior do que a média mensal de suspeitos mortos na região. Foto: Reprodução

Num dos casos, o número de mortes no mês seguinte ao assassinato do policial foi cinco vezes maior do que a média mensal de suspeitos mortos na região. Após o assassinato do soldado Gilberto Guimarães Pereira Corrêa, de 25 anos, num tiroteio no Morro dos 40, em Japeri, seis pessoas foram mortas em confrontos na região coberta pelo 24º BPM (Queimados) — três mortes foram logo na semana seguinte. A média mensal de suspeitos mortos na área do batalhão é 1,2. O soldado foi baleado no dia 1º de abril, mas só morreu quatro dias depois em decorrência dos ferimentos.

O caso que desencadeou o maior número de mortes foi o do soldado Alan Joubert Silva e Paula, de 26 anos. Lotado no 7º BPM (São Gonçalo), o praça levou um tiro no

pescoço na Favela do Brejal, em 10 de novembro. No mês seguinte, ocorreram 11 homicídios em confronto com a polícia na região. A média de mortes de suspeitos nos últimos dez anos na área do 7º BPM é 4,3.

Até a área de batalhão com a maior média de mortes de suspeitos no Estado do Rio apresentou número de homicídios em confrontos maior no mês seguinte à morte de um PM. Na região coberta pelo 15º BPM (Duque de Caxias), foram seis vítimas por mês nos últimos dez anos. Nos 30 dias seguintes à morte do sargento Olivar Teixeira dos Santos, em 2 de julho, sete pessoas perderam a vida em confrontos.

Modelo de comando gera fenômeno, diz cientista social

A relação entre assassinatos de PMs e aumento da letalidade policial foi objeto de estudo da tese de mestrado da cientista social Terine Husek Coelho. Segundo ela, no dia seguinte as chances de um civil ser morto aumentam em 350%. Entre cinco e sete dias depois, 125%. No mesmo dia, 1.150%. Para Terine, a forma de atuação da PM desencadeia o fenômeno:

— Essas mortes não são ligadas a vinganças pessoais dos policiais. O modelo de atuação da polícia gera isso. Quando um comandante chama a tropa para a guerra, mais mortes acontecem.

No último dia 3, após o assassinato do capitão Stefan Cruz Contreiras, do 18º BPM (Jacarepaguá), numa tentativa de assalto, o comandante da unidade, coronel Marcos Netto, convocou o batalhão para uma “guerra sem trégua”.

“Quero pedir a todos vocês que se empenhem ao máximo, buscando quem quer que seja, em qualquer buraco, viela, casa, seja lá onde for, os assassinos do Contreiras”, escreveu o comandante no WhatsApp poucas horas após o crime. Ao final do dia, uma operação da PM na Cidade de Deus terminou com quatro mortos.

Fonte: extra

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