juarezjornalista

Veículos de comunicação noticiam ligação de servidor com PCC sem base probatória suficiente e que resultam na direta desqualificação da categoria.

Eu, Jenis de Andrade, trabalhei com o Senhor José Reinaldo, na época que era conhecido apenas como o "tenentinho", foi meu chefe de plantão na carceragem, no início da década de 90 (século passado).
Esse tem o meu respeito, é admirado por todos na unidade que trabalhamos no "fundão da cadeia" e conheço seu caráter e dignidade.
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Fonte da matéria abaixo:

25 anos de PCC

Nascida nas cadeias de SP, maior facção criminosa do país enfrenta hoje disputa interna e grupos rivais 

e0209Há exatos 25 anos, oito presos integrantes de um time de futebol em um presídio do interior paulista fundavam o PCC (Primeiro Comando do Capital). Era o começo da história de uma facção criminosa diferente de qualquer outra já vista no país: uma irmandade secreta com uma prática de negócios inspirada em modelos empresariais.

Enquanto autoridades menosprezavam ou simplesmente negavam sua existência, o grupo aumentou o seu número de membros (os "irmãos") e expandiu sua presença pelas penitenciárias e ruas de todo o estado de São Paulo. Depois, foi a vez de se espalhar para locais essenciais na rota de tráfico de drogas e de armas, como o Paraná e o Mato Grosso do Sul.

Hoje, o PCC funciona também como uma "espécie de agência reguladora do crime" e atua, com diversos graus de influência, em todo o Brasil. No país vizinho Paraguai, tornou-se o maior problema de segurança pública, segundo um procurador local.

Nem mesmo o conflito interno iniciado após a morte de um dos seus líderes e a guerra contra o ex-aliado Comando Vermelho parecem deter o avanço do grupo paulista, cujo faturamento anual é estimado em R$ 400 milhões por ano. Essa partida, o crime organizado está vencendo por goleada.

A P2 (Penitenciária 2) de Presidente Venceslau, a 600 km da capital paulista, é uma das poucas unidades prisionais de São Paulo a não sofrer de superlotação. Atualmente, são 800 presos para 1.280 vagas. Lá, cumprem pena aqueles considerados os homens mais perigosos já capturados pelo estado, a exemplo de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC

Além de Marcola, os outros integrantes da cúpula da maior facção criminosa do país também estão reclusos no local, apontam investigações da Polícia Civil e do MP (Ministério Público) de São Paulo.

A unidade possui mecanismos de segurança, como bloqueadores de celular, scanner corporal e portas de celas automatizadas, informa a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) do estado. Todo esse aparato tem um custo superior ao de uma cadeia comum.

Dados obtidos com exclusividade pelo UOL, por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), revelam que o governo de São Paulo gasta --de forma direta ou indireta--, em média, R$ 280 milhões mensais para manter os 225 mil presos das 170 unidades prisionais do estado. Uma média de R$ 1.200 por preso.

O gasto com a P2 de Presidente Venceslau consome todo mês R$ 2,2 milhões: um custo de R$ 2.700 por homem recluso. Ou seja, o governo paulista gasta, mensalmente, 125% a mais para manter em funcionamento a cadeia dos chefes do PCC em comparação à média do custo por detento de outras prisões do estado. Os dados referem-se à média mensal dos últimos quatro anos.

Os gastos de qualquer presídio são variados. Referem-se, a grosso modo, a salários de funcionários e outras despesas administrativas, material de limpeza e de escritório, água, luz, telefone, lixo e esgoto, além da manutenção do prédio e dos equipamentos de segurança. Também estão embutidos no cálculo o que é gasto com alimentação, colchões, roupas de cama e uniforme dos detidos.

Por sua vez, a P2 de Presidente Venceslau tem suas particularidades, que encarecem seu custo mensal. Integrantes da cúpula do PCC permanecem mais tempo na cela durante o dia do que um preso de outra penitenciária, o que aumenta o custo com luz e água.

Voltado para agir em rebeliões, o GIR (Grupo de Intervenção Rápida) também está lotado nessa prisão e, assim, há mais despesas com diárias de servidores, manutenção de equipamentos e alojamentos e compra de uniformes.

"Outro fator que encarece o custo da unidade é a alimentação, que é preparada em outra unidade da região, pois, tendo em vista o perfil dos presos, seria imprudente que fosse preparada por eles mesmos, dentro da unidade, com acesso a material cortante como facas", informou a secretaria, por meio de nota oficial. Por essa razão, é necessário buscar a comida duas vezes ao dia.

Na mesma resposta, a SAP afirmou que considera que o custo médio por preso em todo o estado de São Paulo é um pouco maior (R$ 1.450) do que o informado por meio da LAI, quando se considera outros itens de despesas. "Esta conta é feita com base em uma média que engloba todas as unidades da pasta, considerando o ano todo."

Apesar de estar enclausurada na P2 de Presidente Venceslau, a cúpula do PCC consegue comunicar suas ordens aos "soldados" e assim coordenar o projeto de expansão por todo o país. A Operação Echelon mapeou esse processo de crescimento.

Com base em investigações de âmbito nacional, que usaram cartas e celulares de integrantes da facção apreendidos em todo o país, o UOL obteve um levantamento exclusivo de quem são os inimigos e os aliados do grupo paulista.

O PCC tem, ao menos, dez facções inimigas e 14 aliadas no Brasil.

Quem se associa ao PCC recebe vantagens como a possibilidade de comprar carregamentos de armas e cocaína a custos inferiores do que o praticado pelos concorrentes, por exemplo.

Entre os adversários, ninguém é maior do que o Comando Vermelho. Nascida no Rio de Janeiro ainda durante a ditadura militar, a facção inspirou a criação do PCC, que tomou para si o lema dos cariocas: "Paz, Justiça e Liberdade". Ambas tinham uma aliança, que começou a fraquejar em 2013 e se rompeu de vez três anos depois.

A fissura no mundo do crime se explica pela busca da hegemonia por parte do PCC. Ao promover batismos de novos integrantes, a facção usou um discurso de "união e de luta contra o sistema", mas nem sempre foi bem recebida pelos criminosos locais. 

E quando persuasão e diplomacia não funcionaram, recorreu-se a bala nas ruas ou a facões nos presídios. As seguidas mortes em massa em prisões de vários estados nos últimos dois anos são resultado direto desse confronto.

Apesar de inspiradas no modelo paulista, gangues estaduais passaram a disputar com o PCC o domínio dos cárceres e das rotas e pontos de vendas de drogas. A amazonense Família do Norte e a paraibana Okaida surgiram nesse panorama. A primeira foi responsável pela segunda maior chacina prisional do país, atrás apenas do massacre do Carandiru, quando seus membros mataram 56 detentos, em 1º de janeiro de 2017, em um presídio de Manaus. Vinte e seis mortos eram integrantes do PCC.

"A chegada do PCC no mercado de drogas de outros estados produziu enorme instabilidade dentro e fora dos presídios, promovendo alianças e rivalidades violentas, tendo um reflexo no aumento das taxas de homicídios, como ocorreu principalmente nos estados do Norte e Nordeste", afirmam os pesquisadores Camila Nunes Dias e Bruno Paes Manso, autores do livro "A Guerra-- a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil".

No mapa e na tabela a seguir, pode-se observar os arcos de alianças e de inimizades estabelecidos pelo PCC e seu grau de influência em cada estado do Brasil.

Enquanto entra em guerra pelo país afora, o PCC precisa resolver ao mesmo tempo seus problemas internos.

Em um período de três meses, quatro homens, até então apontados como intocáveis na cúpula, foram assassinados por determinação da própria facção criminosa. As mortes geraram grande alarde e viraram tema na opinião pública.

Em dezembro do ano passado, Marcola cumpria o seu último mês de um ano em regime de isolamento. Pouco antes de ele ser liberado da solitária, seu amigo Edilson Borges Nogueira, o Biroska, foi assassinado dentro da penitenciária 1 de Presidente Venceslau.

No enterro de Biroska, houve explosão de fogos e grande presença de público. Dentro das prisões, a morte do criminoso, que havia sido expulso da cúpula do PCC porque sua companheira brigou com outras mulheres de presos dentro de um ônibus, não foi bem recebida.

O MP paulista apontou que a morte de Biroska poderia ter sido ordenada por Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue. Ele era o principal líder da facção em liberdade entre fevereiro de 2017 e fevereiro de 2018, quando foi morto, junto com Fabiano Alves de Souza, o Paca.

Investigação da Polícia Civil aponta que Gegê e Paca estariam roubando dinheiro da própria facção. Alguns envolvidos no duplo homicídio foram presos, porém, detalhes do caso permanecem envoltos em mistério. Não se sabe, por exemplo, quem exatamente da cúpula do PCC deu autorização para as mortes. No enterro deles, e dentro do sistema penitenciário paulista, diferentemente da reação à morte de Biroska, houve silêncio.

"O PCC age como se fosse uma empresa. Porém, as empresas demitem. Eles, dependendo da situação, se consideram que houve uma traição, cumprem o estatuto: dependendo do grau da falta, alguns casos são pagos com a morte. Nos últimos casos [do início de 2018], foi por desvio de dinheiro", afirma o jornalista e escritor Josmar Jozino, autor de uma trilogia sobre o crime organizado paulista: "Cobras e Lagartos" (2005), "Casadas com o crime" (2008) e "Xeque-Mate: O tribunal do crime e os letais boinas pretas – Guerra sem fim" (2012).

Após as mortes de Gegê e Paca, três homens foram fuzilados no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo. A suspeita é a de que foram assassinados numa ação de queima de arquivo. Os dois primeiros, ainda em fevereiro, foram Eduardo Ferreira da Silva, o Borel, dentro de uma Mercedes-Benz, e Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, em frente a um hotel.

Cabelo Duro, segundo o MP, estava no helicóptero que levou à morte Gegê e Paca em uma reserva indígena no Ceará. Em 23 de julho, foi a vez de Cláudio Roberto Ferreira, o Galo Cego, ser alvo de 70 tiros de fuzil dentro de um Audi Q3 blindado. Ele também estaria envolvido nas mortes de fevereiro.

Esta não é a primeira vez que o crime organizado de São Paulo mata seus membros mais renomados. Sempre que há um indício de ruptura dentro do grupo, aquele que está gerando discórdia é assassinado. Tem sido esta a regra.

A última crise interna relevante, antes da atual, aconteceu em novembro de 2005, quando o então número 2 da facção, Sandro Henrique da Silva Santos, o Gulu, e outras seis pessoas morreram a tiros em um período de dois dias. 

"Em novembro de 2002, quando o Marcola assumiu a liderança do PCC, junto a ele tinha o Gulu --o grande traficante da Baixada. Os dois eram as duas lideranças iminentes. Depois dos sete mortos, o irmão de Gulu foi assassinado, a mãe teve de fugir e Marcola saiu fortalecido como o principal nome do PCC", relembra o pesquisador Bruno Paes Manso, do NEV-USP (Núcleo de Estudos da Violência da USP).

Quase todo mês, noticia-se sucessivas operações policiais e do Ministério Público que levam à prisão dezenas de membros do PCC.

Porém, a facção não se enfraquece. Nos últimos quatro anos foram "batizados" (admitidos no grupo) 60% dos atuais 30 mil membros. Boa parte deles foi filiada dentro de um presídio. O sistema penitenciário tornou-se não apenas o "home office  das organizações criminosas", como já disse o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, como é também a principal fonte de recrutamentos de bandidos.

Se apenas prender é oferecer "mão de obra para o crime", como afirma Bruno Paes Manso, pesquisador do do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade São Paulo, o que se deve fazer para enfrentar o PCC?

"Um conjunto de ações que englobem inteligência, monitoramento constante, bloqueio de bens e de dinheiro", afirma a desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Para a magistrada, a robustez do PCC, 25 anos depois de sua fundação, é prova da "falência do Estado".

A facção poderia ser combatida e vencida, na visão de quem já a investigou. Mas as autoridades perderam diversas oportunidades de diminuir o poder dos comparsas de Marcola.

"O Estado falhou em compreender a magnitude da ameaça que enfrentava. Apesar de esforços individuais e heroicos, a grandeza da expansão ainda não é percebida com a relevância e a urgência necessárias", afirma o procurador de Justiça em São Paulo Márcio Sérgio Christino. Ele é um dos autores do livro "Laços de Sangue-- A história secreta do PCC".

"A expansão do PCC será sempre inversamente proporcional à ação do Estado para repressão e controle. Levando-se em consideração que não haja qualquer tipo de mudança profunda nas ações que foram empreendidas até hoje, parece-me correto avaliar que o PCC continuará crescendo e assumirá um papel preponderante na América do Sul", acrescenta.

Os grupos criminosos do Brasil se distinguem dos de outros países por sua origem prisional. Foi assim com o Comando Vermelho, o PCC e as outras gangues surgidas durante os anos 2000. Mudar a política carcerária seria o primeiro passo para um enfrentamento consistente desse tipo de organizações criminosas.

"Enquanto a questão penitenciária no Brasil não fizer parte das políticas de segurança pública, e enquanto não incorporar a agenda política do país, esta e outras organizações criminosas que atuam de dentro das cadeias continuarão a solapar do Estado a prerrogativa própria de um poder soberano, qual seja, a execução da pena", diz o presidente dos agentes penitenciários federais no Paraná, Carlos Augusto Machado.

Para quem acompanha a facção desde seu começo, como o jornalista Josmar Jozino e o promotor Lincoln Gakyia, o nível de organização interna do PCC só cresceu com o tempo. Eles afirmam que ela está a um passo de se transformar em máfia.

"O controle é o mesmo: tudo de dentro da cadeia. Mas a facção expandiu os negócios pelo país, partiu para o ramo de exportação de drogas e só não é uma máfia porque não lava dinheiro no exterior", afirma o jornalista e escritor Josmar Jozino.

"A atuação transnacional, a organização empresarial, o PCC já tem. É uma pré-máfia. O que eu acho é que, para se estabelecer como máfia, o PCC ainda não conseguiu realizar a lavagem de capitais. Ainda há apreensões de dinheiro enterrado e escondido", opina o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado), de Presidente Venceslau.

Quem melhor poderia responder a respeito dos planos do PCC, ao completar 25 anos de fundação, é aquele tido como seu maior líder. Porém, ao UOL, Marcola se negou a fazer qualquer prognóstico. Disse, por meio de seu advogado:

"Silêncio total. De minha parte, creio que não posso ajudar."

Fonte: UOL

Após apreender 40 mil celulares nas prisões, França cogita instalar telefones nas celas

Direção francesa de Administração Penitenciária (DAP) já declarou que 'lutar contra a presença de celulares é uma batalha perdida'. Autoridades ampliam equipamentos que interferem no sinal e querem instalar linhas fixas para não isolar detentos de suas famílias.

e2608 Mais de 40 mil celulares e acessórios, como carregadores e chips, foram apreendidos nas 180 prisões francesas em 2017. Diante da dificuldade para conter a proliferação, as autoridades preveem instalar telefones fixos dentro das celas.

O número de aparelhos apreendidos nas prisões do país não parou de crescer nos últimos dez anos. A tal ponto que a Direção francesa de Administração Penitenciária (DAP) já declarou que “lutar contra a presença de celulares é uma batalha perdida”.

Segundo as autoridades do país, os aparelhos são introduzidos nas prisões durante as visitas ou são lançados na zona de banho de sol a partir do exterior. Além disso, muitos telefones contêm poucos componentes feitos de metal, o que torna mais difícil encontrá-los durante as revistas.

A presença de celulares nas penitenciárias preocupa pois ela abre a porta para outros crimes. “A radicalização (islâmica), a preparação de fugas e todos os tipos de tráficos são feitos por meios das redes (via telefone)”, explica Emmanuel Baudin, do sindicato FO para as penitenciárias. Além disso, com a entrada dos aparelhos nas prisões, se multiplicaram também os vídeos feitos pelos próprios detentos, que são divulgados em seguida nas redes sociais. O caso mais recente foi o do rapper Kaaris, preso após uma briga com seu rival Booba no aeroporto de Paris.

Diante da situação, as autoridades lançam duas operações. A primeira delas a ampliação do uso de sistemas que provocam interferências nos telefones celulares, impedindo as comunicações. Atualmente, 804 equipamentos do gênero estão instalados, mas apenas 10% funcionam corretamente. Os demais se tornaram obsoletos com os avanços tecnológicos da telefonia celular.

A ministra francesa da Justiça, Nicole Belloubet, já havia anunciado o desbloqueio de uma verba de € 15 milhões para reforçar o sistema de interferência das linhas de celulares dentro dos presídios.

Mas a medida que suscita mais debate é a instalação de 50 mil telefones fixos dentro das celas. O objetivo, segundo os idealizadores do projeto, é não isolar os detentos de seus familiares.

O governo já validou a iniciativa, que vinha sendo solicitada há anos pelas associações de apoio detentos. Um programa piloto já foi testado em 2016 e 2017 em prisão de Montmédy, no leste do país. Os resultados do teste foram considerados “muito positivos”, pois teriam reduzido as tensões dentro das penitenciárias e também o número de celulares apreendidos.

Fonte: G1

 

Diretor da PF conta como autoridades se uniram para descumprir a ordem judicial para libertar Lula

Do Estadão

e1508Trecho da entrevista de Rogério Galloro, diretor da Polícia Federa, a Andreza Matais

Como foi o episódio da prisão do ex-presidente Lula?

Foi um dos piores dias da minha vida. Quando eles (interlocutores de Lula) pediram detalhes da logística da prisão, nos convenceram de que havia interesse do ex-presidente de se entregar ainda na sexta (6 de abril, prazo dado pelo juiz Sérgio Moro). Acabou o dia e ele não se apresentou. Nós não queríamos atrito, nenhuma falha.

Chegou o sábado, Moro exigiu que a gente cumprisse logo o mandado. A missa (improvisada no sindicato) não acabava mais. Deu uma hora (da tarde) e eles disseram: ‘Ele vai almoçar e se entregar’.

O sr. perdeu a paciência em algum momento?

No sábado, nós fizemos contato com uma empresa de um galpão ao lado, lá tinha 30 homens do COT (Comando de Operações Táticas) prontos para invadir. Ele (Lula) iria sair em sigilo pelo fundo quando alguém, lá do sindicato, foi para a sacada e gritou para multidão do lado de fora, que correu para impedir a saída. Foi um susto. A multidão começou a cercá-lo e eu vi que ali poderia acontecer uma desgraça. Ele retornou.

Qual era o risco? 

Quando tem multidão, você não tem controle. Aquele foi o pior momento, porque eu percebi que não tinha outro jeito. A pressão aumentando. Quando deu 17h30, eu liguei para o negociador e disse: ‘Acabou! Se ele não sair em meia hora nós vamos entrar’. E dei a ordem para entrar. Às 18h, ele saiu.

Houve alguma exigência?

Eles pediram para não haver muita exposição, que não humilhasse o ex-presidente, nós usamos tudo descaracterizado. Ele estava quieto o tempo todo, bastante concentrado.

Por que o ex-presidente está na superintendência da PF?

Isso não nos agrada. Nunca tivemos preso condenado numa superintendência. É uma situação excepcional. O juiz Moro me ligou, pediu nosso apoio, ele sabe que não temos interesse nisso. Mas, em prol do bom relacionamento, nós cedemos.

Recentemente, Lula mandou chamar dirigentes do PT para discutir, dentro da superintendência, a eleição presidencial. É um tratamento diferenciado? 

Não somos nós que organizamos isso (as regras para visitas), mas o juiz da Vara de Execuções Penais. O Lula está lá de visita, de favor. Nas nossas novas superintendências não vão ter mais custódia. No Paraná, não vamos mexer agora. Só depois da Lava Jato.

O sr. conversou com o ex-presidente na prisão?

Eu estive na superintendência, mas não fui vê-lo. É um simbolismo muito ruim. O segundo momento tenso para a PF envolveu a ordem de soltar Lula dada pelo desembargador Rogério Favreto e a contraordem de Moro e dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, do TRF-4. Eu estava no Park Shopping, em Brasília, dei uma mordida no sanduíche, toca o telefone. Avisei para a minha mulher: ‘Acabou o passeio’. 

Em algum momento a PF pensou em soltar o ex-presidente? 

Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. Falei para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nós vamos soltar’. Em seguida, a (procuradora-geral da República) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura.

‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema.

Fonte: diariodocentrodomundo

"Em 18 anos, eu vi o sistema prisional mudar", diz socióloga que estuda o PCC

e1308Ela é socióloga, professora, pesquisadora, escritora e uma das principais especialistas no sistema penitenciário brasileiro -- o que inclui profundo conhecimento sobre a guerra de facções no país. Doutora em sociologia, Camila Nunes Dias, 41, se dedica a destrinchar um ambiente em que machismo, violência e crimes são temas constantes.

Professora na UFABC (Universidade Federal do ABC, em SP) e colaboradora do NEV (Núcleo de Estudos da Violência), da USP, Camila teve o primeiro contato com o universo do sistema prisional em 2000, quando foi ser voluntária na Casa de Detenção, no Complexo do Carandiru, zona norte da capital. O PCC já existia, mas ela "nem ligava muito". Mas a facção criminosa se tornaria, nos anos seguintes, um dos pilares de seu trabalho como pesquisadora.

Depois de se dedicar às pesquisas sobre presos evangélicos, "apareceu o PCC", ao tratar da regulação das prisões. O doutorado, em 2007, já foi todo dedicado a desvendar expansão e consolidação da dominação do PCC no sistema carcerário em São Paulo.

"Eu vi como o sistema prisional foi mudando", conta ela. "Em 2000, eu entrava na Casa de Detenção sozinha, com os presos juntos, no banho de sol, que era o dia inteiro. Lembro de me perder às vezes vezes para chegar até o pavilhão em que eu precisava ir", lembra. Depois de visitar com frequência cinco prisões no estado, ela conta que não existe mais essa circulação de pessoas de fora em meio aos presos. "Há cada vez mais um fosso entre quem está dentro e quem está fora. Isso, em boa parte, é resultado da atuação das facções", afirma.

Para ela, ser mulher "ajuda muito mais do que atrapalha" nas pesquisas desenvolvidas no sistema penitenciário brasileiro, mesmo num ambiente predominantemente ocupado por homens e "repleto de machismo". No entanto, Camila diz que houve "pouquíssimas" vezes em que se deparou com casos de assédio.

Em uma delas, um preso perguntou: "Você quer só uma entrevista mesmo, não quer mais nada?". A socióloga respondeu que não e foi respeitada. "Ele [preso] está dentro de uma ética em que sabe a que está sujeito. Ele não pode transgredir", afirma.

Camila diz que, quando vai entrevistar um preso, um agente penitenciário ou um policial, muitos deles falam: "Ah, é mulher, vamos explicar para ela como é". "Tem essa coisa meio paternalista de 'vou explicar para ela o que é o crime, falar o que é a prisão', enfim. Isso acaba facilitando, porque a gente quer que as pessoas falem mesmo", diz a socióloga.

Por conta desse machismo, que está muito presente nesses espaços, facilita. É você deixar o outro explicar aquilo que você não sabe."

Camila Nunes Dias

Um outro caso desconfortável pelo qual ela passou na carreira foi numa cidade do interior, com um agente a convidou para uma cerveja. "Eu fiquei meio assustada. E pensei: 'Eu tenho que lembrar que eu estou em um lugar muito machista'. Há alguns limites", complementou. "O Bruno [Paes Manso, pesquisador] pode sentar para tomar cerveja numa pesquisa. Para eu fazer isso, é mais difícil, o cara já vai pensar outra coisa", disse.

Ao lado do jornalista Bruno Paes Manso, a pesquisadora lançou neste mês o livro "A Guerra --A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil (Editora Todavia)". Juntos, eles explicam a nacionalização da principal facção criminosa do país e como ocorre a dinâmica atual do mercado de drogas no Brasil.

Fonte: UOL

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