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'Herdeira' do tráfico no Rio de Janeiro é alvo de operação policial em Jurerê Internacional

Polícia diz que Carla Oliveira de Melo ostentava vida de luxo nas redes sociais Uma mulher apontada como "herdeira" do tráfico de drogas no Rio de Janeiro é alvo de uma operação policial contra ex-aliados de Léo do Aço, traficante assassinado em 2019, dois anos após fechar um acordo de delação. 

A ação cumpre nove mandados de busca e apreensão, um deles no endereço de Carla Oliveira de Melo. A suspeita de gerenciar os bens de Léo vive atualmente em uma casa em Jurerê Internacional, em Florianópolis. As informações são do G1.

A força-tarefa da Operação Rainha de Copas, que envolve policiais civis do Rio de Janeiro e de Santa Catarina, identificou que Carla e outros supostos laranjas movimentaram RS 15 milhões, desde 2019. 

Segundo as investigações, o grupo abriu empresas de fachada para lavar dinheiro e montou uma rede para passar ao tráfico informações sigilosas da polícia. A Justiça também determinou o sequestro de R$ 7,4 milhões em bens dos suspeitos.

Além de Carla, são alvos o ex-marido dela, o ex-PM do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Silvestre Andre da Silva Felizardo, e Hanna de Oliveira, apontada como uma laranja.

A polícia investiga duas supostas empresas de fachada montadas pelo grupo. Uma delas, um negócio de material descartável, movimentou R$ 2,5 milhões nos últimos três anos, e uma agência de aluguel de lanchas, criada em dezembro do ano passado com capital de R$ 800 mil.

Segundo a força-tarefa, os alvos ostentavam uma vida de luxo nas redes sociais publicando fotos com lanchas, motos aquáticas, Harley Davidsons e carros conversíveis, além de viagens internacionais.

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Os mandados foram expedidos pela Vara Especializada de Combate ao Crime Organizado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A polícia espera reunir documentos que expliquem a atividade financeira do grupo. Não há pedidos de prisão.

Fonte: https://www.nsctotal.com.br

Ex-mulher de traficante acusado de matar Bianca Lourenço é levada para delegacia após polícia encontrar drogas em seu quintal

A mochila com drogas encontrada no quintal da ex-mulher de Dalton Uma ex-mulher do traficante Dalton Luiz Vieira de Sant’Ana foi levada para a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), na tarde desta terça-feira, após policiais civis terem encontrado uma mochila com drogas no quintal de sua casa no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Dalton é acusado de ter matado a jovem Bianca Lourenço na favela Kelsons, na Penha, em janeiro deste ano. Policiais da Core e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) faziam uma operação no Salgueiro para tentar prender Dalton, que não foi localizado.

Segundo informações da polícia, a ex-mulher de Dalton mora no conjuntoda Marinha, que fica no Salgueiro. No quintal de sua casa, foi encontrada uma mochila com drogas. Dentro de uma bíblia que estava no quarto da jovem, foram achados ainda a identidade, CPF e um cartão bancário de Dalton. No documento de identificação do criminoso, consta a inscrição “filho de sargento”. O pai do traficante é militar.

Em depoimento prestado esta tarde na Core, a mulher afirmou que tem um filho com Dalton, mas não possui mais qualquer relação com o traficante. Ela alegou que estava na casa de uma vizinha no momento em que os policiais encontraram a droga em seu quintal. A ex-companheira do traficante ainda afirmou desconhecer a origem da droga, mas disse acreditar que alguém tenha jogado a mochila no local enquanto fugia da polícia.

Documento de Dalton encontrado em BíbliaDocumento de Dalton encontrado em Bíblia Foto: Reprodução

A mulher ainda relatou que na última semana Dalton esteve em sua casa para ver o filho. Ela negou que o traficante tenha entrado em sua casa e afirmou que o ex ficou cerca de três horas na rua com o filho.

De acordo com informações da Polícia Civil, Dalton está escondido no Salgueiro, onde conta com proteção dos chefes do tráfico no complexo, Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó e Ricardo Severo, o Faustão, além de Rodrigo Teixeira Guimarães Peixoto, o Sheik e Rafael Teixeira Guimarães Peixoto, o Funil, integrantes do tráfico na localidade. A ex-mulher de Dalton negou saber sobre seu paradeiro. Após prestar depoimento, ela foi liberada, mas continuará sendo investigada pela polícia.

Durante a operação, três homens foram mortos em confronto com os policiais. De acordo com informações da polícia, dois deles foram identificados como José Erasmo de Souza Filho e Carlos Menezes Bezerra, que estavam foragidos e são do Nordeste. Ambos são apontados pela Polícia Civil como integrantes de uma quadrilha responsável por roubos em regiões do Ceará, além de tráfico de drogas e homicídios. Eles têm ligação com a maior facção criminosa do Rio.

Durante a operação foram apreendidos dois fuzis, pistolas, carregadores, munição, drogas e trajes camuflados utilizados pelos criminosos para se esconderem na mata.

A jovem Bianca Lourenço

Morte de Bianca Lourenço

Dalton, apontado pela polícia como chefe do tráfico na favela Kelsons, na Penha, é acusado de ter sido o responsável pela morte da jovem Biana Lourenço, de 24 anos, em janeiro deste ano. Após a execução, o criminoso ainda desapareceu com o corpo da ex-namorada. Parte do corpo de Bianca foi encontrado dentro de um tonel, à beira da Praia do Fundão, na Ilha do Governador.

Além de Dalton, também são acusados de envolvimento no crime os traficantes Enzo da Cunha da Silva Costa, o Da Mamãe KS, e Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefe do tráfico no Complexo da Penha. De acordo com as investigações da 22ª DP (Penha), os depoimentos de duas testemunhas foram fundamentais para se desvendar o caso, um deles, o do pai de Bianca. Ele contou que Dalton não se conformava com o fim do relacionamento, passando a perseguir a jovem onde quer que ela estivesse. Depois de ir à delegacia, o pai da vítima teve que abandonar sua casa e o emprego. O mesmo ocorreu com a outra pessoa que prestou esclarecimentos à polícia.

Dalton, Enzo e Edgar são réus pela morte de Bianca. Os três tiveram a prisão preventiva decretada e estão foragidos. Uma foto obtida pelo EXTRA mostra Doca, comparsa de Dalton, em chamada de vídeo com Faustão.

Fonte: extra.globo.com

Como o tráfico de drogas se infiltrou em empresa global de suco de laranja

https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2017/07/cabeca-branca.jpg?quality=70&strip=info&resize=680,453 O maior traficante de drogas da história do Brasil não morava no topo de um morro do Rio de Janeiro ou comandava bocas de fumo em São Paulo. Tampouco pertencia a facções criminosas conhecidas nem se envolvia em guerras pelo controle da distribuição de cocaína. O bandido, cujo patrimônio superava um bilhão de reais – entre fazendas, aviões, mais de cem carros e caminhões – não ostentava uma vida de luxo e riqueza. Embora usasse de violência para eliminar desafetos, não contava com um exército particular, mas com alguns homens de confiança. Avesso à fama, fazia questão de agir nas sombras, utilizando documentos falsos. Por todos esses fatores, durante quase três décadas, a identidade do marginal que inundou os mercados americano, europeu e também nacional de entorpecentes permaneceu oculta. Ela só foi revelada em julho de 2017, com a captura de Luiz Carlos Rocha, o Cabeça Branca, 63 anos.

A operação, batizada de Spectrum por se tratar da caçada a um “fantasma”, acabou por colocar Cabeça Branca atrás das grades, apreendendo seus bens e imóveis. Foi um duro golpe para o bando responsável pelo maior volume de vendas de drogas do país – embora ela siga atuando. Desde que o mega traficante foi capturado, cinco outras operações foram realizadas. Uma delas, deflagrada em março do ano passado, revelou como o grupo liderado por Cabeça Branca se conectava com altas organizações criminosas estrangeiras para exportar drogas para o mercado europeu. “Ele tinha ligação com a Ndrangheta, a máfia calabresa que controla o tráfico no sul da Europa, além de elos com as máfias russa, albanesa e sérvia”, diz Allan de Abreu, autor do livro Cabeça Branca (Editora Record), que será lançado na segunda-feira, 5.

VEJA teve acesso a um capítulo que revela como as garras do fantasma chegaram até à brasileira Citrosuco, a maior processadora de suco de laranja do planeta. Pela primeira vez, vem à tona que um de seus navios foi utilizado para transportar cocaína do porto de Santos até Ghent, na Bélgica – sem que a companhia soubesse, segundo apontam as investigações. Ainda assim, o monitoramento feito pela Polícia Federal, que abarcou funcionários e representantes da Citrosuco no Brasil e no exterior, leva a gente ligada de alguma forma à companhia. Um dos nomes é do belga David Van De Graaf, que responde a uma ação penal que corre na 23ª Vara Federal de Curitiba. Na investigação, ele aparece como representante da Citrosuco na Europa. A empresa nega.

Em agosto de 2018, quase duas toneladas de cocaína foram apreendidas no porto de Ghent, a bordo do Carlos Fischer, um navio tanque da Citrosuco equipado com uma pequena área para transportar containers. A droga estava escondida em um deles, no meio de um carregamento de pedras São Thomé, normalmente utilizada como piso de área externa. Os policiais identificaram que o produto seguiu a mesma rota e modus operandi de outros carregamentos de Cabeça Branca: a cocaína era trazida de países produtores, como Bolívia, Colômbia e Peru, para o Brasil em pequenos aviões que aterrissavam em fazendas no Mato Grosso. Em seguida, seguiam em carretas com fundo falso até galpões no interior de São Paulo, onde eram acondicionados em cargas de outros itens que poderiam ser exportados legalmente. 

A apreensão da droga na Bélgica aconteceu depois que a Polícia Federal monitorou a quadrilha e alertou as autoridades do país. “Os investigados brasileiros, aparentemente, ficavam encarregados das questões operacionais, como recebimento, ocultação, transporte e embarque da droga, assim como o desembaraço das questões portuárias e de comércio exterior”, diz o juiz Nivaldo Brunoni no despacho que autorizou uma das operações. Os trâmites para a exportação envolviam diversas etapas. É aí que entram em cena a Patagônia, uma empresa de comércio exterior pertencente ao argentino Fernando Verdura, e a Stroika, uma importadora de Yuksel Nurettin, um belga que possui CPF registrado no Brasil. No dia da apreensão da carga, Nurettin, o representante da Citrosuco, David Van De Graaf, e ainda um terceiro homem, o agente portuário Paul Collen, foram flagrados pela polícia no porto de Ghent e a partir daí passaram a ser monitorados. Em uma conversa telefônica, Van De Graaf desabafa e diz a Colllen que as coisas começaram a “dar para o torto” depois que eles começaram a utilizar a Patagonia nas transações, mas que haveria, sim, a possibilidade de voltar a utilizar os containers da Citrosuco no futuro. No mesmo diálogo, Collen conta que Nurettin já importava “pedras” por intermédio da Patagonia desde 2016. As acusações  contra empresa foram arquivados ao longo do processo.

Trecho da Ação Penal da operação Tifeu Trecho da Ação Penal da operação Tifeu: quadrilha internacional agia no Brasil e se conectava ao bando de Cabeça Branca reprodução/Reprodução

Um dos alvos da PF no Brasil era uma funcionária da Citrosuco responsável pelas exportações de suco de laranja. Ela viajou para a Bélgica e esteve em contato com Van De Graaf entre 1 e 14 de dezembro de 2018. Dois dias depois, a polícia belga apreendeu mais 1,1 tonelada de cocaína alojada em tonéis congelados de polpa de laranja da Citrosuco desembarcados no porto de Antuérpia, também na Bélgica. Apesar das evidências, a funcionária não foi indiciada, mas perdeu o emprego.

A Citrosuco afirma que a empresa foi vítima de organizações criminosas e que as investigações contra ela já estão arquivadas. Dois brasileiros foram condenados e seis réus estrangeiros ainda aguardam julgamento, entre eles Collen, Van de Graaf e Nuretin. “Há outras fases em andamento acerca de mais braços financeiros ligados ao Cabeça Branca no Brasil e no exterior. Essas fases têm como ponto central buscar identificar esquemas de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas”, diz Elvis Secco, delegado da Polícia Federal que prendeu o mega traficante brasileiro. Mesmo preso, o “fantasma” ainda ronda o mundo do crime.

Veja a nota da Citrosuco:

A Citrosuco esclarece que jamais compactuou com qualquer conduta ilícita. A empresa, infelizmente, foi mais uma vítima de organizações criminosas que se aproveitam das exportações de mercadorias para clandestinamente transportar drogas ilícitas para outros países.

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Assim que tomou conhecimento dessas ocorrências, a Citrosuco se colocou totalmente à disposição das autoridades do Brasil e da Bélgica, contribuindo com as investigações por meio de depoimentos de seus funcionários e o envio de documentos e informações. Após a devida análise e condução do inquérito criminal, a Citrosuco foi excluída das investigações por não ter tido nenhuma relação com os fatos.

A Citrosuco informa que o cidadão estrangeiro Sr. David Van de Graaf nunca figurou em seu quadro de funcionários ou teve autorização para representá-la, seja no Brasil ou no exterior.

Assim, atualmente, não há nenhuma acusação contra a empresa ou contra algum de seus funcionários pelos fatos tratados na operação Tifeu, deflagrada pela Polícia Federal.

A Citrosuco segue em constante aperfeiçoamento de medidas de segurança para impedir que organizações criminosas utilizem clandestinamente as exportações regulares da empresa para o transporte de drogas.

Após publicação da reportagem, a Patagônia entrou em contato com a VEJA para esclarecer que as acusações contra a empresa foram arquivadas do processo. A empresa enviou a seguinte nota: 

A Patagônia quer deixar claro a Vv. Ss., e a quem interessar possa, que jamais e em momento algum ao longo de seus mais de seis anos de existência veio a praticar ou colaborar com qualquer conduta delituosa, quanto mais, compactuar com narcotraficantes e organizações
criminosas do gênero.Fatidicamente, a Patagônia nada mais foi que vítima do mencionado grupo criminoso o qual, se valendo das nuances que cercam os processos de exportação no país, forjaram uma operação clandestina de tráfico de drogas utilizando os serviços da Patagônia para tal, sem que em momento algum a mesma viesse a ter conhecimento das práticas criminais ocorridas.

Ademais, desde o instante em que tomou conhecimento da situação, a Patagônia, na pessoa do senhor Fernando Verdura, se colocou à disposição da Justiça e das autoridades policiais brasileiras, apresentando todos os documentos solicitados, prestando esclarecimentos,
depoimentos, etc., sendo que, após profunda e detida análise de todas essas provas, as autoridades competentes concluíram não existir nenhum indício que sustentasse a implicação da Patagônia com a mencionada organização criminosa e os crimes praticados, tendo o inquérito em relação a empresa, representada pelo Sr. Fernando Verdura, sido arquivado conforme sentença proferida pelo juiz Nivaldo Brunoni. Dessa forma, sobre os crimes investigados no contexto da Operação Tifeu, nenhuma acusação, indício ou suspeita recai na pessoa jurídica da Patagônia e seus funcionários, sendo certo que todos têm se esforçado para esquecer os traumas, prejuízos e dissabores que a fatalidade desse episódio causou a imagem da empresa e seu proprietário.

Por fim importa destacar que a Patagônia faz parte de um grupo econômico que tem o senhor Fernando Verdura como presidente; grupo esse o qual movimenta em torno de 1.2 bilhões de reais anualmente, eis que atua em diversos setores da indústria, comércio e serviços no Brasil, sendo imensurável o prejuízo à sua imagem que essa reportagem possa vir a causar, por sinal, com conteúdo que até então se encontrava em segredo de justiça, desconhecendo-se, guardado o direito de proteção às fontes jornalísticas, como Vv. Ss. obtiveram acesso aos autos do processo.

reproução reprodução/Reprodução

Fonte: https://veja.abril.com.br

Traficante que fugiu da polícia por 30 anos usava técnicas para se esconder

O narcotraficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido no mundo do crime como "Cabeça Branca", utilizava diferentes técnicas para fugir da polícia - Reprodução/TV Globo Luiz Carlos da Rocha, conhecido no mundo do crime como "Cabeça Branca", fugiu por mais de 30 anos da polícia e criou um patrimônio bilionário. O narcotraficante, hoje com 61 anos e mais de 100 anos de pena a cumprir, utilizava tintura no cabelo, fazia cirurgias plásticas e até usou um RG falso para não ser preso pela polícia, além de ter acesso às informações vazadas sobre investigações.

"Nós investigávamos alguém que não tinha nome e não tinha rosto. Durante 30 anos, Cabeça Branca foi caçado pela Polícia Federal, em nenhum momento ele chegou a ser preso", disse Elvis Aparecido Secco, delegado da PF (Polícia Federal), à TV Globo.

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De acordo com o "Fantástico", Luiz nasceu em uma família de contrabandistas. Quando morava em Londrina, no Paraná, por volta dos anos 80, o homem era responsável pelo transporte de café ilegal para o Paraguai.

Segundo o jornalista Allan de Abreu, os contrabandistas já aproveitavam a logística disponível para realizar o tráfico de cocaína dos países andinos. Abreu lançará esta semana o livro "Cabeça Branca - A Caçada ao Maior Narcotraficante do Brasil", fruto de três anos de pesquisa e entrevistas sobre o narcotraficante.

O jornalista apurou que a Polícia Federal estimava que Cabeça Branca enviava pelo menos cinco toneladas de cocaína por mês ao Brasil.

"E ele [Cabeça Branca] tinha um poder de oferecer logística para grandes organizações criminosas. Colocou no mercado internacional uma enxurrada de centenas de toneladas de cocaína", explicou Secco.

O narcotraficante recebia rapidamente as informações de quando alguma de suas cargas eram interceptadas pela polícia e a prisão dele quase ocorreu em 2004, durante a comemoração do aniversário da mãe dele em uma pizzaria em Londrina, no Paraná.

Oficiais se vestiram de garçons, mas, no último momento, Cabeça Branca desistiu de comparecer ao evento dizendo que precisava ir a uma fazenda. No entanto, a polícia suspeita que a desistência do homem pode ter ocorrido através de um informante que revelou a operação.

Em 2005, o ex-radialista paraguaio Enrique Ramon Galeano começou a denunciar o trabalho e os crimes de Cabeça Branca após "acontecerem assassinatos inexplicáveis" no país. Em fevereiro de 2006, Galeano foi sequestrado, torturado e ameaçado de morte por comparsas do narcotraficante para que falasse sobre o que ele sabia acerca do tráfico.

Após ser torturado, o homem foi abandonado pelos criminosos. Do Paraguai, Galeano fugiu para São Paulo e depois para a Europa, temendo por sua vida. Hoje, o ex-radialista se sustenta limpando prédios na Europa após abandonar a profissão depois da tortura que sofreu e ainda teme ser vítima de uma vingança, já que os comparsas de Cabeça Branca seguem soltos e ele foi um dos primeiros a revelar os crimes do narcotraficante.

Ainda em 2005, o narcotraficante chegou a ser um dos bandidos mais procurados no Brasil e no Paraguai. Com o aumento da procura por Cabeça Branca, ele começou a fazer cirurgias plásticas para modificar o rosto, pintar o cabelo de preto para se diferenciar do seu codinome no mundo do crime e usar um RG falso com o nome Vitor Luis de Moraes. Além disso, o narcotraficante pouco se expunha para evitar que o achassem.

"Ele [Cabeça Branca] costumava andar no interior do Paraguai com uma maleta recheada de dólares para que se, eventualmente, a polícia o prendesse, ele oferecesse suborno e esse seria o seu 'kit liberdade'", explicou o jornalista que entrevistou mais de 30 pessoas entre juízes, promotores, policiais e outras autoridades para escrever o seu livro.

De acordo com a apuração do jornalista, Cabeça Branca tinha acesso às informações privilegiadas, sendo que algumas eram vazadas de dentro da própria PF para ele. Apesar disso, após dois anos de investigação, uma equipe da PF de Londrina começou a identificar os parentes e comparsas de Cabeça Branca e quebrar o sigilo telefônico de todos, descobrindo o número de celular usado pelo criminoso e o uso do RG falso.

O narcotraficante foi preso no município de Sorriso, em Mato Grosso, em 2017. "Foi uma sensação de dever cumprido e de um desafio muito grande que foi realizado", ponderou Secco. Dois anos depois da detenção, o homem apareceu em filmagens muito mais magro e careca.

Os bens do narcotraficante, avaliados em mais de R$ 1 bilhão no Brasil, estão bloqueados pela Justiça. A estimativa é que o homem tenha mais outros bens estimados em cerca de R$ 300 milhões no Paraguai.

"São 97 imóveis na zona urbana, mais de 100 veículos, uma série de fazendas e cabeças de gado. Estamos falando de 11 mil cabeças de gado, aproximadamente", explicou Lorena Ledesma, promotora de justiça do Paraguai.

Hoje, com 61 anos de idade, o narcotraficante está condenado a mais de 100 anos de prisão e cumpre pena em um presídio de segurança máxima.

Fonte: https://noticias.uol.com.br

Josmar Jozino - Maior sequestrador do país quer ir para casa mesmo condenado até 2282

O sequestrador Pedro Ciechanovicz - André Sarmento/Folhapress - 10.fev.2003 Pedro Ciechanovicz, 66, apontado como o maior sequestrador do Brasil, condenado a 296 anos e 11 meses por crimes hediondos, ainda mantém esperança de ir para casa. Segundo boletim informativo da Secretaria Estadual da Administração Penitenciária, a pena dele vence em 20 de março de 2282.

No ano passado, a Justiça de São Paulo negou todos os pedidos de prisão domiciliar para o detento - o último foi em junho - por entender que o histórico prisional dele não permite benefício. Para a Polícia Civil, o prisioneiro tem ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Colunistas do UOL

Chamado de Pedrão no sistema carcerário, o criminoso foi acusado por ao menos 15 sequestros no estado de São Paulo. Ele se especializou nessa modalidade de crime na Penitenciária do Estado, no Carandiru, zona norte da capital, em meados dos anos 1990.

Os "professores" dele foram os sequestradores do empresário Abílio Diniz, dono da rede Pão de Açúcar. A vítima foi arrebatada em 11 de dezembro de 1989. Os criminosos pertenciam ao grupo guerrilheiro MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), do Chile.

Eram quatro chilenos, três argentinos, dois canadenses e um brasileiro. Pedrão conviveu com parte da quadrilha entre 12 de janeiro de 1993 a 19 de dezembro de 1995. Os chefes do bando eram o canadense David Spencer e o argentino Humberto Paz. Os estrangeiros foram extraditados.

Em 19 de dezembro de 1995, Pedrão foi transferido para o regime semiaberto no CPP (Centro de Progressão Penitenciária) de Mongaguá (SP), e fugiu em 24 de janeiro de 1996. Essa foi a segunda fuga dele. No total, ele ficou nove anos foragido.

A prisão dele era questão de honra para a polícia paulista, mas isso demorou a acontecer. Pedrão só foi recapturado sete anos depois, em 10 de fevereiro de 2003, em Curitiba (PR), por policiais civis do Denarc (Departamento Estadual de Narcóticos), de São Paulo.

Foi durante a segunda fuga que Pedrão cometeu os piores crimes, todos registrados em sua extensa ficha de antecedentes. No dia em que foi preso pela equipe do delegado Everardo Tanganelli, ele confessou oito sequestros.

Muitas vítimas enfrentaram meses de terror nas mãos da quadrilha de Pedrão. Ficavam encapuzadas em quartos escuros com luz de lampião e sem ventilação. Eram obrigadas a fazer a necessidade fisiológica em balde. Ele mandava às famílias das pessoas sequestradas fotos delas com fuzis e metralhadoras apontados para a cabeça.

Eis os sequestros confessados por Pedrão, segundo a Polícia Civil:

  1. Girz Aronson, dono da rede de lojas G Aronson, sequestrado aos 82 anos em 17 de julho de 1998. Ficou 14 dias em cativeiro;
  2. Paula Cristina de Antonio, filha do dono da Paulimar, sequestrada aos 21 anos em abril de 1999. Ficou 29 dias em cativeiro;
  3. Abraão Zarzur, dono do Banco Mercantil de Descontos e acionista da Ripasa, multinacional de celulose, sequestrado aos 82 anos em 22 de janeiro de 2000. Ficou 44 dias em cativeiro;
  4. Eduardo Tonin, 18, filho do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Indaiatuba (PMDB), José Carlos Tonin, sequestrado em 26 de junho de 2000. Ficou 30 dias em cativeiro;
  5. Samira, 40 e Vanessa Salete Santana Martos, 17, mulher e filha do pecuarista Mauro Martos, sequestradas em 16 de novembro de 2000. Ficaram 54 dias em cativeiro;
  6. José Lanaro, filho de dono de lotéricas em Sorocaba, sequestrado e morto aos 24 anos com 14 tiros em 27 de junho de 2001 quando tentava fugir dos criminosos;
  7. Roberto Benito Júnior, herdeiro das Lojas Cem, sequestrado aos 35 anos em 2 de outubro de 2001. Ficou 120 dias no cativeiro;
  8. João Bertin, dono do frigorífico Bertin, sequestrado aos 82 anos em 8 de setembro de 2002. Ficou 155 dias (cinco meses) em cativeiro. Foi o sequestro mais longo até então registrado no Brasil;

A Polícia Civil apurou que o bando de Pedrão tinha 38 integrantes e era dividido em várias células nas regiões de Campinas, Ribeirão Preto, Bauru e Presidente Prudente. Investigadores calculam que Pedrão arrecadou US$ 1,1 milhão (R$ 6,1 milhões na cotação atual) com os resgates pagos pelos familiares das vítimas.

Pedrão está recolhido na Penitenciária 1 de Avaré (SP). Ele foi preso pela primeira vez em 11 de maio de 1977. O advogado dele, Eduardo Diamante, disse que somando o tempo em que o cliente ficou preso - antes e depois das fugas - ultrapassa 30 anos e, por isso, ele tem direito à prisão domiciliar.

Segundo o advogado, Pedrão sofre de diabetes, hipertensão e problemas respiratórios, é do grupo de alto risco e suscetível a pegar covid-19, necessitando ser solto. Diamante explicou que cuida apenas da execução criminal do preso e que não era defensor dele nos processos de sequestros.

Para a Justiça, o histórico prisional de Pedrão não permite benefício porque ele cometeu crimes gravíssimos, sendo um roubo e oito sequestros - um deles seguido de homicídio - somente no segundo período em que ficou foragido.

Além disso, Pedrão foi acusado pela Justiça de ter praticado quatro faltas graves na prisão, a última em 6 de fevereiro de 2007, e só poderia ter direito à progressão de regime em 2044.

Em relação ao risco de Pedrão contrair coronavírus na cadeia, a Justiça entende que a Secretaria Estadual da Administração Penitenciária tem adotado medidas articuladas para impedir a disseminação da doença no sistema prisional.

Fonte: noticias.uol.com.br

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