Deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), condenados por assaltar verbas de emendas Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados e Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A Justiça tarda e, quando chega, vem pela metade. No primeiro julgamento de um caso envolvendo o roubo de verbas de emendas orçamentárias, o crime saiu barato para os seus autores. A Primeira Turma do Supremo condenou sete pessoas. Entre elas três políticos do PL: os deputados Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, e o suplente Bosco Costa.
Não assaltaram um cofre qualquer. Surripiaram verbas da Saúde. Sentenciados a menos de oito anos, se livraram da cana dura. Vão para o semiaberto. O castigo mais draconiano ficou em 6 anos e cinco meses. A progressão para o regime aberto chegará em 13 meses. É um tempo mais curto do que a espera por uma cirurgia eletiva no SUS, que pode demorar mais de dois anos.
O Supremo optou por não cassar os mandatos de Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil. Passou a bola para a Câmara. Como o semiaberto autoriza o trabalho fora da cadeia, vem aí a bancada presidiária: Papuda à noite, Congresso de dia.
Os condenados ficaram inelegíveis. Mas Maranhãozinho e Gil pegarão em lanças para permanecer dentro da folha da Câmara. Em fevereiro de 2027, quando terminar a legislatura, estarão na bica de ganhar o meio-fio. Até lá, devem fazer companhia à deputada Gorete Pereira, que passou a arrastar tornozeleira no âmbito do inquérito sobre o assalto contra os aposentados.
Presidente da Primeira Turma, Flavio Dino disse outros julgamentos do gênero estão por vir. Chamou os parlamentares e seus cúmplices de “atacadistas de emendas”. Disse que “a rede em que emendas são compradas e vendidas” aparece em inúmeros inquéritos. O barateamento das condenações impulsiona o atacadão. O Orçamento de 2026 levou à vitrine R$ 61 bilhões em emendas. Um recorde.
