Mensagens obtidas pela Polícia Civil de São Paulo descrevem as investidas persistentes do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto contra uma soldado da Polícia Militar meses antes de ele se tornar réu por feminicídio e fraude processual na morte da esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. O oficial segue sob investigação e teve denúncia aceita pela Justiça no final de 2025, permanecendo preso preventivamente desde março de 2026.
Os diálogos fazem parte de inquérito aberto após a soldado acusar o tenente-coronel de assédio. Segundo a CNN Brasil, entre as mensagens analisadas estão pedidos de favores relacionados ao ambiente de trabalho e promessas de reconhecimento profissional em troca de atenção pessoal. Ele chegou a sugerir que a militar assumisse funções administrativas e pretendia elevar sua posição dentro da corporação.
Em uma das conversas, o tenente-coronel solicitou à soldado que preparasse café para seus colegas e ofereceu-lhe o cargo de “secretária”, convite que ela rejeitou. Os investigadores também destacaram mensagens de setembro de 2025 em que o oficial comentava ter passado pela rua onde ela mora e cogitava buscar um apartamento nas proximidades, reforçando a visão de uma perseguição.
A perícia ainda identificou convites para encontros fora do serviço e declarações de teor íntimo. Em determinado trecho, o tenente-coronel afirmou desejar ir à missa ao lado da policial após ter tido uma “conversa com Deus”. Mesmo após sucessivas recusas, ele manteve as investidas, ressaltando em suas mensagens atributos como ser “religioso”, “honesto”, “trabalhador” e “do bem”.
Diante dos episódios, a soldado pediu afastamento das funções e recebeu contato de Gisele Alves Santana pelas redes sociais. A defesa da militar protocolou na Corregedoria da Polícia Militar queixa formal por assédio sexual, assédio moral, ameaça, fraude processual e descumprimento de missão. Em nota oficial, o advogado de Geraldo Leite Rosa Neto declarou desconhecer as acusações.
O caso Gisele ganhou nova dimensão após a morte de Gisele Alves Santana em 18 de fevereiro de 2026, no apartamento do casal no bairro do Brás. Inicialmente tratado como suicídio, o episódio foi reclassificado como feminicídio qualificado e fraude processual depois que perícias apontaram disparo de arma de fogo em trajetória incompatível com autoeliminação e lesões no rosto e pescoço que sugerem possível imobilização.
O tenente-coronel permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo, enquanto o Ministério Público do Estado apresenta denúncia pelos crimes de feminicídio e fraude processual relacionados à morte de sua esposa.
