Pimentel intimida pessoas em situação de rua para agradar eleitorado conservador

Editorial

O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) partiu para a intimidação de pessoas em situação de rua em vídeo publicado nesta quarta-feira (6) em seu perfil no Instagram. Acompanhado por agentes da Guarda Municipal, o prefeito diz para pessoas em situação de vulnerabilidade social que para ficar em Curitiba “tem que trabalhar” e quem não quiser “tem que ir embora da cidade”.

A fala gerou uma reação do jornalista David Musso, âncora da BandNews Curitiba, nesta quinta (7). Ele comparou a fala de Pimentel a uma ação da ditadura militar, o que levou o prefeito a entrar em contato com a emissora e entrar ao vivo durante a manhã. Ele negou qualquer motivação higienista. “Nós não queremos, não há nenhum trabalho higienista, longe disso, todos sabem da minha personalidade. O que eu quero é acolher essas pessoas”, disse Pimentel à BandNews.

Sobrou pro Bolsa Família

No vídeo, Pimentel fez questão de destacar o Bolsa Família, cujo valor teria sido utilizado por uma pessoa para comprar uma barraca. “Você recebeu o Bolsa Família e comprou a barraca?”, questionou o prefeito. Mais uma fala alinhada ao eleitorado conservador, que apoiou a iniciativa nos comentários. Até o fim da tarde desta quinta-feira, o vídeo tinha 31,8 mil curtidas.

Pimentel: culpa é do Bolsa Família (Reprodução)

Ao ouvir que um homem veio de Rondônia há cerca de dois meses, o prefeito pergunta se ele já tem passagem para voltar. Em seguida, diz que a barraca dele será recolhida. Ele questiona ainda se outra pessoa “não tem vontade de voltar” para sua cidade de origem. “Se você quer ficar em Curitiba, tem que trabalhar, amigo”.

No fim do vídeo, Pimentel dá o recado: quem não quiser que vá embora.

“Quem aceita acolhimento vai pra acolhimento. Quem não quer, tem que andar. Nós queremos trabalhar pra dar oportunidade pra quem quer produzir aqui. Quem não quer tem que ir embora da cidade”.

Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba

Em janeiro, a Prefeitura de Curitiba fez a primeira internação involuntária de uma pessoa em situação de rua, o que gerou apoios nas redes sociais. O Conselho Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) emitiu uma nota lembrando que as internações involuntárias são uma medida excepcional, que não pode ser adotada como padrão, e culpou a defasagem da Rede de Atenção Psicossocial.

Outro aceno ao eleitorado conservador é a Patrulha da Vida e da Saúde criada pelo prefeito. A iniciativa da Prefeitura é descrita como “apoio operacional e reforço de segurança às atividades desenvolvidas pelas equipes da área da saúde”. \a patrulha, segundo a Prefeitura, vai atuar na fiscalização e no combate a clínicas e estabelecimentos de saúdes irregulares, com foco nas clínicas clandestinas de aborto. 

Humilhe alguém vulnerável e ganhe votos

Intimidar pessoas em situação de vulnerabilidade rende votos em Curitiba. Em dezembro de 2025, o vereador Guilherme Kilter gravou abordagens a pessoas em situação de rua e chegou a dar voz de prisão para um deles por suposto desacato. Para Kilter, um dos culpados pela situação é o Supremo Tribunal Federal (STF), que “não permite” que barracas sejam retiradas das ruas.

Os chamados “flanelinhas”, ou cuidadores de carro, também estão na mira dos vereadores. Da Costa (União Brasil) apresentou um projeto de lei para multar os flanelinhas que não têm autorização para trabalhar e Renan Ceschin (Podemos) anunciou no fim do ano passado uma “blitz” para denunciar supostos abusos e práticas de extorsão.

Em vídeo publicado em seus perfis nas redes sociais, Ceschin mostra uma abordagens em que obriga um flanelinha a devolver o dinheiro de um motorista e ameaça outro de prisão. “Você vai ficar? Então nós vamos chamar a polícia pra te prender”, ameaçou o vereador.

Fonte: Pimentel intimida pessoas em situação de rua para agradar eleitorado conservador

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