Paraná enviou ao Ministério da Justiça apenas cerca de 295 mil boletins de ocorrência em 2024, o que representa aproximadamente 20% dos cerca de 1,5 milhão de registros feitos no estado naquele ano. O problema foi apontado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (
Principais achados da auditoria
- O TCE analisou os processos de registro e envio de dados ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
- Dos 295 mil boletins enviados ao sistema federal, 80% foram considerados inválidos, indicando graves problemas de qualidade e padronização dos dados.
- A auditoria resultou em 39 recomendações à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).
Uso de recursos federais
- Em 2024, o Paraná recebeu R$ 45,6 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública para ações relacionadas à modernização tecnológica e integração de informações, mas utilizou menos da metade, cerca de R$ 21 milhões.
- Em 2025, outros R$ 22,3 milhões foram disponibilizados para modernização de sistemas, mas os recursos permaneciam sem utilização até janeiro de 2026, segundo o TCE.
Problemas identificados
A auditoria encontrou:
- Fragilidades nos fluxos operacionais;
- Falta de controle de qualidade dos dados;
- Ausência de padronização no registro e envio dos boletins;
- Falta de tratamento sistemático das inconsistências que geraram a elevada taxa de invalidação dos registros.
Também foi apontado que a infraestrutura tecnológica utilizada para transmitir os dados depende da Celepar, mas não foi localizado contrato formal atribuindo essa atividade à empresa estatal.
Resposta da Sesp
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que está analisando as observações do TCE e sustentou que o problema está relacionado ao formato de envio dos dados, não à ausência de informações. Segundo a pasta, há diálogo com os órgãos envolvidos para corrigir as inconsistências e melhorar a integração com o Sinesp.
Em uma frase: a reportagem mostra que falhas técnicas e de gestão impediram que a maior parte dos boletins de ocorrência do Paraná fosse corretamente incorporada ao sistema nacional de segurança pública, apesar da existência de recursos federais destinados justamente à modernização desses processos.
