Familiares de presos políticos iniciam greve de fome na Venezuela

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Familiares de presos políticos iniciaram, neste sábado (14), uma greve de fome em Caracas para pressionar por mais libertações, após o adiamento há dois dias da aprovação de uma histórica lei de anistia.

Durante a madrugada, 17 presos políticos foram libertados das celas da Polícia Nacional conhecidas como Zona 7, na capital da Venezuela.

De máscara, cerca de dez mulheres deitaram em fila na entrada da Zona 7, onde familiares acampam há mais de um mês. Ao lado, deixaram uma lista com os nomes das grevistas escrita à mão.

Elas pedem celeridade na libertação de seus familiares como parte de um processo de solturas que a presidente interina Delcy Rodríguez anunciou em 8 de janeiro, sob forte pressão de Washington.

“Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo. Já temos muitíssimo tempo nisso”, disse à AFP Evelin Quiaro, 46 anos, funcionária do serviço de migração e mãe de um preso político.

Quiaro comeu pela última vez depois da 1h da manhã: biscoitos com presunto. “Realmente não estamos preparadas, nunca fiz isso na vida”, confessou Quiaro sobre a greve.

Seu filho, de 30 anos, está detido desde novembro de 2025. Ele foi acusado de terrorismo, associação criminosa e financiamento ao terrorismo.

“O significado principal e o único é que finalmente nos deem respostas concretas sobre a libertação de todos os rapazes que estão ali dentro, todos”, explicou Quiaro.

Entre os libertados neste sábado estava José Elías Torres, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV), preso desde novembro sem ordem judicial, informou o Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos na rede social X.

– “Repercussões” –

No poder desde a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, em uma intervenção militar americana, Rodríguez propôs uma lei de anistia em 30 de janeiro. A discussão final para sua aprovação foi adiada duas vezes.

Em teoria, abrangerá os 27 anos do chavismo e espera-se que essa legislação resulte na liberdade plena de centenas de detidos.

“O que está acontecendo na Venezuela é gigantesco em termos de repercussões”, afirmou neste sábado a líder opositora venezuelana e prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, durante a Conferência de Segurança de Munique, Alemanha. 

“Uma vez que desmantelemos o regime criminoso na Venezuela, Cuba será a próxima, a Nicarágua virá em seguida. Pela primeira vez na história, teremos as Américas livres do comunismo e da ditadura”, prosseguiu em inglês durante sua intervenção.

Tanto Cuba quanto a Nicarágua são aliadas do chavismo governante na Venezuela. 

Rodríguez, que era vice-presidente de Maduro, assumiu o poder de forma temporária. Ela está fazendo avançar uma agenda de acordos petrolíferos e soltura de presos políticos, além de promover uma guinada na relação com os Estados Unidos, rompida desde 2019. 

– “Medida drástica” –

O dirigente Emil Brandt, coordenador regional do partido de Machado, chegou neste sábado à sua cidade, Barinas, após ser liberto em 8 de fevereiro. Ele ficou quase dois anos preso.

De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional e 644 permanecem na prisão.

“O que estamos pedindo com isso é que todos sejam libertados, como nos foi prometido”, afirmou outra grevista, Sachare Torrez, de 23 anos.

Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento e irmão da presidente interina, esteve nas imediações das celas da Zona 7 em Caracas em 6 de fevereiro.

“Vamos reparar todos os erros que tenham sido cometidos”, prometeu então Rodríguez, durante um encontro com familiares de detidos por motivos políticos, e adiantou que a lei de anistia seria aprovada pela Assembleia Nacional em 10 de fevereiro.

No entanto, a aprovação foi adiada para a próxima semana por divergências entre os deputados sobre seu alcance e o papel do Poder Judiciário em sua aplicação.

Pouco depois, vários familiares de presos políticos se acorrentaram uns aos outros em frente à entrada da prisão Zona 7.

Neste sábado, optaram por aumentar a pressão com a greve de fome.

“É óbvio que vamos nos esgotar muito mais (…) mas já é uma medida drástica que consideramos necessária para acabar com tudo isso”, afirmou Quiaro, deitada e com um guarda-sol para se proteger do calor intenso.

A próxima sessão legislativa está prevista para 19 de fevereiro.

atm/nn/lm-jc/icUm familiar de um preso político está deitado no chão durante um protesto em frente à prisão Zona 7 da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), em Caracas, em 14 de fevereiro de 2026

Um familiar de um preso político está deitado no chão durante um protesto em frente à prisão Zona 7 da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), em Caracas, em 14 de fevereiro de 2026 © Federico PARRA

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Fonte: Familiares de presos políticos iniciam greve de fome na Venezuela

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