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Nº de mortos pela polícia em 2020 no Brasil bate recorde; 50 cidades concentram mais da metade dos óbitos, revela Anuário

1 Em plena pandemia houve 6.416 pessoas mortas pelas forças de segurança no país no ano passado. Trata-se do maior número registrado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública desde que os dados passaram a ser coletados, em 2013. Segundo o Anuário, 50 cidades concentram 55% de todas as mortes cometidas por policiais no país.

O Brasil teve em 2020 o maior número de pessoas mortas pela polícia de toda a série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que coleta os dados desde 2013. É o que revela o 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (15).

Houve, no país, 6.416 mortos pelas polícias Civil e Militar, por agentes de folga ou em serviço. Um ligeiro aumento de 1% na comparação com 2019.

O dado é referente aos 26 estados e ao Distrito Federal. E, por isso, difere do divulgado pelo Monitor da Violência em abril, já que Goiás não informou os dados para aquele levantamento e agora aparece com a segunda maior taxa de letalidade do Brasil e com 10% de todas as mortes registradas (leia mais ao final desta reportagem).

Comparando com 2013, ano em que os números passaram a ser coletados, o crescimento nas mortes chega a 190%. De acordo com o Anuário, porém, é preciso levar em conta a melhoria da informação e da transparência a partir da cobrança da sociedade civil nestes anos todos. “Ainda assim, não deixa de chamar a atenção o crescimento das mortes por intervenções policiais em um ano marcado pela pandemia, pela reduzida circulação de pessoas, pela redução expressiva de todos os crimes contra o patrimônio e pela queda expressiva nas mortes por intervenções policiais no Rio de Janeiro”, afirmam os pesquisadores Samira Bueno, David Marques e Dennis Pacheco.

Como antecipado pelo Monitor da Violência, o Rio de Janeiro teve a maior queda no número absoluto de mortes: de 1.814 vítimas, em 2019, para 1.245, no ano passado. Uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender operações durante a pandemia da Covid-19 foi crucial para isso. Os dados mostram que a queda no registro de vítimas coincide exatamente com a decisão do STF, no dia 5 de junho.

Operação policial na favela do Jacarezinho; liminar do STF fez mortes despencarem em 2020 — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Já o Amapá teve a maior taxa de letalidade policial: 13 mortos a cada 100 mil.

“As mortes decorrentes de intervenção policial registradas ocorreram, majoritariamente, em serviço e com participação de policiais militares. Estes foram os autores de 76% das mortes”, afirma o Anuário.

“Se é fato que a essência do mandato policial reside na possibilidade de uso da força, inclusive a letal quando necessário, isto não deve ser visto como um cheque em branco ou de total discricionariedade aos agentes policiais. Neste sentido, assim como não é correto afirmar que toda ação policial que resultou em morte é ilegal ou ilegítima, tampouco é prudente afirmar que todas as ações foram legais sem que tenham sido devidamente apuradas”, dizem os pesquisadores do Fórum.

Como alguns pesquisadores avaliam a proporção de mortes por policiais sobre o total de homicídios para verificar se há um indicativo de uso desproporcional da força, três estados chamam a atenção: Amapá, Goiás e Rio de Janeiro. Nos três, o percentual de óbitos pela polícia é maior que 25% em relação ao total de mortes violentas, enquanto que, na média do país, esse percentual fica em 12,8%. Estudos sugerem que essa porcentagem não passe de 10%.

Concentração de mortes

De acordo com o Anuário, 50 cidades concentram mais da metade (55%) de todas as mortes cometidas por policiais no ano de 2020.

Elas estão distribuídas em 16 unidades da federação (AC, AL, AM, AP, BA, CE, GO, MA, MT, PA, PI, PR, RJ, RN, SE e SP), incluindo suas 16 capitais. O estado do Rio de Janeiro se destaca com 15 municípios na lista. São Paulo e Bahia possuem 7 municípios cada um. O Pará tem 5 municípios na relação.

“Tomado em conjunto, este grupo de 50 municípios possui uma taxa de mortes decorrentes de intervenção policial de 5,9 a cada 100 mil habitantes, praticamente o dobro da taxa nacional”, afirma o Anuário.

Perfil das vítimas

A maioria das vítimas da letalidade policial é formada por homens, padrão que se repete historicamente. “Chama a atenção, contudo, que o percentual de mulheres entre as vítimas dobrou, saltando de 0,8% (2019) para 1,6% (2020).”

Além disso, 78,9% das vítimas são negras, percentual semelhante ao de outros anos. “A estabilidade da desigualdade racial inerente à letalidade policial ao longo das últimas décadas retrata de modo bastante expressivo o déficit de direitos fundamentais a que está sujeita a população negra no país”, diz o Anuário.

“Essa concentração de vítimas negras é em muito superior à composição racial da população brasileira, o que demonstra uma sobrerrepresentação de negros entre as vítimas da letalidade policial. Enquanto quase 79% das vítimas de MDIP são negras, a os negros correspondem a 56,3% do total da população brasileira. Desigualdades semelhantes são verificadas nas mortes violentas intencionais em geral e no perfil da população prisional do país. Somados estes indicadores, fica evidente que a segurança pública é um dos campos fundamentais de atuação – social e estatal – para que sejam corrigidas as desigualdades raciais que mais vulnerabilizam os negros no Brasil.”

Com relação à idade, 76% das vítimas têm entre 0 e 29 anos, com maior prevalência entre os jovens de 18 a 24 anos (44,5%). “O acesso a direitos civis, os mais fundamentais, é tão regulado por marcadores sociais da diferença (raça, classe, gênero, sexualidade, idade, deficiência), que tais representações sociais legitimam mortes, majoritariamente de jovens negros e pobres como se não houvesse direito a não discriminação, à vida e à integridade física no país. Existe reconhecimento formal dos direitos civis, políticos e sociais destes grupos na letra da lei, mas o abismo entre a formalidade legal expressa no papel e a efetivação real de tais direitos permanece imenso”, pontuam os pesquisadores no Anuário.

“É possível construir estratégias de controle da atuação policial que permitam o enfrentamento de abusos e arbitrariedades ao mesmo tempo em que contribuam com a melhoria dos indicadores de violência focalizando tais concentrações.”

Perfil das polícias

Neste ano, o Anuário fez um mapeamento das polícias no Brasil. E aplicou um questionário aos policiais, perguntando, por exemplo, sobre a opinião acerca da posse e do porte de armas (10% são a favor da liberação ampla, 16% defendem a proibição total e 74% pregam o uso civil, mas com diferentes níveis de restrição).

Mais de 80% relataram ter colegas de trabalho, familiares ou amigos mortos pela Covid e 42,5% afirmaram ter "muito medo" de pegar a doença. Outros 42,5% disseram ter um pouco de medo. Mais de 70% disseram não ter recebido treinamento para lidar com o novo coronavírus. E a ampla maioria afirmou ter intenção de se vacinar.

O Brasil tem hoje mais de 406 mil PMs, 55 mil bombeiros e 93 mil policiais civis. São ainda 12 mil peritos técnicos e 96 mil policiais penais.

Policiais civis durante operação no Rio de Janeiro — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

De acordo com os dados, para cada sargento, posto que tem função de supervisão e fiscalização, existem 2,3 cabos e soldados, postos operacionais, no Brasil. Em Tocantins, Acre, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Amazonas, porém, existem mais sargentos do que soldados e cabos; ou seja, mais chefes do que chefiados. Em vários outros estados, essa proporção é de 1. "Embora não exista um parâmetro definido nacionalmente para as carreiras policiais, parece óbvio que, no serviço público ou privado, não faz sentido você ter, por exemplo, um gerente para cada vendedor. Mas a ausência de planos de carreira dentro das instituições policiais e a falta de incentivos para a carreira de praças acabou implicando em soluções de curto prazo que acabam por gerar distorções, como progressão automática por tempo de serviço. Compromete-se o planejamento e a estimação de quantitativos para novos concursos e as polícias ficam engessadas por uma estrutura das Forças Armadas. Mesmo que essas polícias sejam militares, não faz sentido no dia a dia do ser e fazer polícia. É preciso rever as estruturas e, mais, se pensar que planos de carreiras não são sinônimo de postos e patentes", afirma o Anuário.

Monitor da Violência

Sem contar com os dados de Goiás, que representam 10% do total de mortes no ano passado, o Monitor da Violência divulgou em abril que houve uma ligeira queda nas mortes pela polícia, considerando os outros 25 estados e o DF.

Com a divulgação agora, os números do estado do Centro-Oeste fizeram o índice nacional subir e ainda bater um recorde. Alguns estados também retificaram o dado passado ao Monitor da Violência, informando números maiores.

Goiás não passou os dados para o balanço do Monitor da Violência pela 4ª vez consecutiva, apesar da informação ser considerada pública.

A sonegação sistemática dos dados fez, inclusive, o Ministério Público instaurar um inquérito civil público para investigar o motivo.

Para Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum, causa estranheza o fato de Goiás continuar a ser o único estado a não informar os dados ao Monitor da Violência e divulgar apenas agora, ao Anuário, os indicadores. “O crescimento da letalidade policial no estado preocupa. E, associado à falta de transparência por parte do governo nas divulgações de dados, torna a necessidade de uma prestação de contas ainda mais urgente.”

Fonte: https://g1.globo.com

Bolsonaro promete consultar hacker, para saber como fraudar eleição

Ver a imagem de origem Imagine alguém contratar um punguista, para saber como bater a carteira de cédulas da vítima, sem ser notado.

Agora imagine alguém contratar um hacker, para ensiná-lo a fraudar o voto eletrônico de uma eleição presidencial.

Qual a diferença? Claro, um refere-se a dinheiro e o outro a votos, mas ambos agem criminosamente.

O presidente Jair Boldonaro, que admitiu não ter prova de que houve fraude na eleição presidencial em 2018, diz agora que vai consultar hackers para que eles ensinem como fraudar o sistema eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral.

Trata-se, obviamente, de desespero – e desespero duplo -, porque Bolsonaro está mal avaliado na disputa pela reeleição em 2022, e porque o TSE deu-lhe prazo de 15 dias para ele apresentar as provas das denúncias que fez – e ele não tem prova nenhuma.

O presidente ligou o modo desespero, encurralado pela CPI da Pandemia, que investiga suspeitas de corrupção na compra de vacinas. Sem dúvida que é uma situação complicada para Bolsonaro, e tanto é, que o governo já deu três explicações para o contrato suspeito para compra da vacina Covaxin, e nenhuma delas convenceu.

Enquanto isso, os coveiros seguem sobrecarregados enterrando os mortos da Covid -19, enquanto a vacinação da população segue em passo de tartaruga.

Fonte: http://blogdobob.blogsdagazetaweb.com

História apagou o quanto os africanos escravizados enriqueceram o Brasil, diz Laurentino Gomes

Escravizados urbanos coletando água no Brasil da década de 1830 Cerca de 2 milhões de pessoas foram arrancadas de suas terras na África, marcadas a ferro quente, embarcadas em navios, e comercializadas como se fossem produtos no Brasil ao longo de 100 anos.

Não à toa, esse movimento deixou profundas cicatrizes na sociedade brasileira até hoje, mas, mesmo com tamanha importância, ainda é insuficientemente discutido.

"A escravidão é o assunto mais importante da história do Brasil, sem ela você não consegue entender nenhum acontecimento histórico", diz Laurentino Gomes, sete vezes ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura.

Prestes a lançar a segunda edição de uma trilogia sobre a escravidão no Brasil, Gomes conversou com a BBC News Brasil sobre o tema. Para o autor, que também já escreveu outros três best sellers sobre a história do Brasil, a escravidão não é assunto apenas para livros de história ou museus, mas ainda se demonstra na realidade do país em pleno século 21.

"A escravidão está nos indicadores sociais até hoje. Há um abismo entre números referentes ao Brasil branco e o Brasil negro, além do racismo, que é como uma ferida que fica abrindo a toda hora", afirma.

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"A contribuição dos africanos é enorme, não só do ponto de vista econômico, mas na formação do caráter, do comportamento, das crenças religiosas, da culinária, da música, da dança, do jeito de as pessoas se relacionarem umas com as outras; eu diria que a raiz disso é africana", conta.

O livro Escravidão - Da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de Dom João ao Brasil concentra-se entre 1700 e 1800, auge do tráfico negreiro no Atlântico, motivado pela descoberta das minas de ouro e diamantes em território brasileiro e pela disseminação, em outras regiões da América, do cultivo de cana-de-açúcar, arroz, tabaco, algodão e outras lavouras e atividades de uso intensivo de mão-de-obra africana escravizada.

"As pessoas mais ricas do Brasil no final do século 18 não eram senhores de engenho, barões do café, já não eram mais os mineradores de ouro e diamante, mas sim os traficantes de escravos. A compra e venda de pessoas se tornou o maior negócio do Brasil e do mundo nessa época", afirma.

Crédito, Divulgação

Legenda da foto,

"A escravidão é o assunto mais importante da história do Brasil", afirma Laurentino Gomes

De acordo com o autor, para além da influência social marcante, os negros escravizados também auxiliaram o desenvolvimento econômico do país, contribuindo com a tecnologia necessária para a descoberta e exploração das minas de ouro e diamantes em território brasileiro.

"A própria tecnologia de mineração de Minas Gerais aparentemente veio da África e não da Europa. Os portugueses sabiam fazer açúcar, mas não sabiam garimpar ouro e diamante. Quem sabiam eram os africanos, que conheciam essas tecnologias muito bem", afirma.

"Isso muda bem a visão da escravização e da própria construção do Brasil. A tecnologia e o conhecimento que permitiram a construção do Brasil e de seus muitos ciclos econômicos eram africanos."

Apesar da importância desse acontecimento histórico para a formação do Brasil atual, a história ainda é pouco contada pelo ponto de vista dessas pessoas escravizadas, pois há um processo de apagamento histórico da contribuição dos africanos ao país.

"Esse projeto de apagamento se reflete nos livros de história, livros didáticos, como se a construção do Brasil fosse exclusivamente branca e europeia e todos os demais agentes fossem autores secundários. Quando você mergulha de fato na história da escravidão, você vê que, na realidade, essas pessoas escravizadas são protagonistas", disse.

Segundo Gomes, a imagem de uma escravidão mais sútil e benévola ao cativo por aqui, forjando uma identidade brasileira de gente pacífica, ordeira e honesta, é uma construção imposta pelo Estado e não corresponde à realidade da época.

"A característica principal da escravidão era a violência", diz.

Confira a entrevista de Laurentino Gomes à BBC News Brasil:

BBC News Brasil - Você vendeu milhões de livros sobre a história do Brasil. Por que se dedicar agora ao recorte da escravidão?

Laurentino Gomes - Escrever sobre escravidão é resultado de um aprendizado sobre o Brasil que fui acumulando ao longo da primeira trilogia. É como se fosse um resultado natural e óbvio desse primeiro trabalho. Nos primeiros livros, eu procurei entender e descrever o Brasil em relação à formação de um Estado nacional brasileiro, ou seja, como que o Brasil se organizou do ponto de vista legal, institucional, administrativo, burocrático, desde a chegada da corte ao Rio de Janeiro, em 1808, até a proclamação da República, em 1889. Ali eu consegui ter uma noção bastante precisa sobre as características do Brasil. Mas me dei conta que tinha uma dimensão mais profunda para entender o que chamamos de identidade nacional brasileira, que são as raízes africanas e a escravidão.

Crédito, Divulgação

Legenda da foto,

Livro concentra-se entre 1700 e 1800, auge do tráfico negreiro no Atlântico

A escravidão é o assunto mais importante da história do Brasil: você não consegue entender nenhum acontecimento histórico, desde a chegada de Pedro Álvares Cabral e a imediata escravização dos índios, passando pelo ciclo do açúcar, do ouro, do diamante, do tabaco, do algodão, do arroz, do café, ou seja, a construção das cidades históricas, do Barroco mineiro, a marcha em direção ao oeste amazônico, sem estudar a escravidão.

O Sérgio Buarque de Holanda defende uma tese muito curiosa, de que o Brasil não estava preparado para a independência e preferia continuar como Reino Unido de Portugal e Algarves. Mas, nesse período há um sentimento de medo que funciona como um motor do processo de independência, pois a elite brasileira percebeu que o Brasil poderia mergulhar em uma guerra civil republicana, como acontecia na América espanhola.

Nessa hipótese, como o Brasil não tinha forças armadas, os caciques regionais lutariam entre si, e teriam que armar seus escravos. Esses escravos armados, imbuídos de ideias libertárias que sopravam da Europa e EUA, poderiam reivindicar a liberdade, exatamente como ocorreu no Haiti.

Ou seja, o Brasil poderia resultar em uma fragmentação nacional e em meio a uma guerra étnica. Isso fez com que a elite, para preservar seus interesses, se congregasse ao redor do herdeiro da Coroa portuguesa, rompesse o ciclo com Portugal, mas mantivesse a estrutura social vigente.

A independência não acabou com o analfabetismo, com o latifúndio, etc. Cito esse exemplo para mostrar que você não consegue entender o Brasil sem observar a escravidão. A escravidão é um assunto presente no Brasil de hoje.

BBC News Brasil -No primeiro livro você se dedica a oferecer um foco sobre a África. Por que o segundo tem um olhar sobre o Brasil?

Gomes - Existe uma mudança importante de foco geográfico entre os dois livros. O primeiro começa pela África pela razão óbvia que, para estudar escravidão no Brasil, você precisa olhar para a África. Que continente era esse com milhares de línguas, etnias e povos? Como era a própria escravidão na África antes da chegada dos portugueses? As rotas do tráfico islâmico cruzando o deserto do Saara, feiras organizadas, ou seja, qual é a origem desses milhões de seres humanos que foram arrancados de suas raízes, marcados a ferro quente, embarcados em navios negreiros e leiloados em praça pública? Então por isso o primeiro volume tem como cenário a África.

Crédito, ARQUIVO NACIONAL / DOMÍNIO PÚBLICO

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"No Brasil do século 18 ocorrem coisas muito importantes. A primeira é que a escravidão se torna algo banal e corriqueiro", diz escritor

O segundo, que tem como recorte cronológico o século 18 só poderia ter como cenário o Brasil. É o auge do tráfico negreiro no Atlântico, no período de apenas 100 anos, entram no Brasil dois milhões de pessoas escravizadas, que é um terço do total que veio ao continente americano, que compreende seis milhões de pessoas.

No Brasil do século 18 ocorrem coisas muito importantes. A primeira é que a escravidão se torna algo banal e corriqueiro. Gosto de um exemplo que chegou a tal a ponto que em um museu de Belo Horizonte tem balança de pesar queijo, farinha, boi e uma de pesar gente antes de leilões públicos -o que mostra o quanto a escravidão se tornou algo corriqueiro no Brasil. Pela descoberta do ouro e diamantes veio uma onda, um tsunami negro da África para alimentar esse comércio.

Nesse período, a população brasileira se multiplicou por dez. Há uma corrida de aventureiros, gente de todos os locais do mundo, e o Brasil dobra de tamanho, já que até meados do século 17 o território oficial da América portuguesa estava delimitado pelo Tratado de Tordesilhas, mas o Tratado de Madri, de 1750, reconhece o tamanho efetivo do Brasil e o país dobra de tamanho.

E, por isso, é o foco do segundo e do terceiro livro, que pretendo lançar no ano que vem.

BBC News Brasil - Como era, de forma geral, a vida dos africanos escravizados no Brasil?

Gomes - Com a corrida do ouro e do diamante e a ocupação do interior do Brasil, houve uma inflação no preço dos africanos escravizados. Então, da mesma forma que houve uma corrida pelas pedras preciosas, houve uma corrida por gente escravizada na África, com os preços disparando. Oitenta por cento de todas as viagens de navios negreiros foram feitas a partir do começo do século 18 até o século 19.

A característica principal da escravidão era a violência. Essas pessoas eram arrancadas de suas raízes africanas, compradas e vendidas em entrepostos, castelos e fortificações que ficavam no litoral da África, marcadas a ferro quente, embarcadas em um porão de um navio negreiro, leiloadas em praça pública em Salvador, Recife e outros portos, e aí seguiam em comboios para as minas de ouro, fazendas e para as cidades.

Crédito, ARQUIVO NACIONAL / DOMÍNIO PÚBLICO

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"A escravidão no século XVII se consolidou como o maior negócio do mundo, envolvendo milhares de pessoas", afirma Gomes

Ou seja, o principal mecanismo de controle era a violência. O escravo que fugisse era marcado com ferro quente, com a letra F no peito ou sobre o ombro, poderia ter a orelha cortada. Foi discutido na Câmara, em Mariana (MG), a possibilidade de cortar o tendão de Aquiles para quem fugisse mais de uma vez.

Muita gente morreu. O trabalho era horroroso. Na mineração nos leitos dos rios, os escravos passavam doze, 14 horas mergulhados em águas geladas, muitos morriam. Depois que acabou esse tipo de garimpo, eles tinham que se enfiar em buracos na terra para achar os veios de ouro subterrâneo, e como era um espaço muito apertado, muitas crianças eram usadas neste trabalho devido à baixa estatura.

Neste trabalho, muita gente morria por desmoronamento, excesso de peso, doenças pulmonares dos resíduos, poeira e umidade. O trabalho era muito difícil, mas em Minas Gerais também surge a chamada escravidão urbana, ou seja, de serviço, comércio, de fornecimento de alimentos, que mudou a paisagem escravista, dando mais mobilidade aos escravos.

(Isso) deu um papel de destaque para as mulheres, favoreceu o desenvolvimento das irmandades religiosas, deu mais chances de alforria, pois o escravo em ambiente urbano poderia fazer trabalhos extras e talvez comprar a própria liberdade, o que vai mudando o escravismo brasileiro, inclusive alguns participaram da construção do barroco mineiro, como escultores, pintores, etc.

BBC News Brasil -Para além desse contexto social, a escravidão também era uma política econômica. Como a economia brasileira se organizava em torno da exploração?

Gomes - A escravidão no século 17 se consolidou como o maior negócio do mundo, envolvendo milhares de pessoas para além das pessoas escravizadas, como compradores e vendedores dos dois lados do Atlântico, a tripulação dos navios, fornecedores de crédito, armadores, fabricantes de mercadorias, de armas, etc, na Europa, na Índia, na América, na própria África.

Isso vira um negócio equivalente hoje à indústria do automóvel ou do petróleo, ou seja, uma coisa gigantesca. Isso valia também para o Brasil. As grandes riquezas, as pessoas mais ricas do Brasil no final do século 18 não eram senhores de engenho, barões do café, já não eram mais os mineradores de ouro e diamante, mas sim eram os traficantes de escravos. A compra e venda de pessoas se tornou o maior negócio do Brasil e do mundo nessa época.

A escravidão se tornou um fato natural da vida, quase que inquestionável nessa época. O abolicionismo só surgiria na Inglaterra e nos EUA no final do século 18. Até então, todo mundo aceitava a escravidão, inclusive negros que, depois de alcançar a alforria, compravam escravos, como o caso mais famoso, a Xica da Silva, que nasceu escrava e se casou com o contratador de diamantes João Fernandes, conquistando a alforria, e se tornou uma grande dama da sociedade da atual Diamantina. No final da vida, ela era dona de um enorme plantel de escravos.

BBC News Brasil -A religião também aparece como forte fator de controle sobre os cativos. Quão importante foi a participação da Igreja Católica no processo de escravidão dos africanos em solo brasileiro?

Gomes - [O Brasil] era uma colônia carola de sacristia, em que toda a vida social era regida por dias santos, feriados, procissões, missas, vias sacras, e é interessante pois há uma grande contradição. Você tem uma igreja que se compromete a catequizar os negros africanos com a mensagem do evangelho da misericórdia, do amor, do acolhimento, mas essa mesma mensagem é deturpada e usada para justificar a escravidão.

No primeiro volume, eu mostro como as bulas papais, os sermões dos padres jesuítas, tratados filosóficos a partir do século 14 serviram como alicerce para essa ideologia escravista, ao dizer que os africanos eram pessoas inferiores, eram selvagens, praticantes de religiões demoníacas e, portanto, a escravidão era boa para eles.

Há um sermão famoso que diz que os escravos deveriam agradecer Nossa Senhora do Rosário pela oportunidade de vir ao Brasil em um navio negreiro, já que isso era a oportunidade de se incorporar a uma suposta sociedade mais avançada, que era católica e europeia.

Crédito, THE NEW YORK PUBLIC LIBRARY

Legenda da foto,

Escravos trabalham em uma plantação de café no Brasil

Tem uma historiador americano chamado Donald Ramos que mostra que a igreja foi um importante elemento de controle social dentro do sistema escravista, pois ela dava oportunidade ao escravo de se incorporar dentro dessa atividade social participando de irmandades religiosas das igrejas, participando de procissão, batizando, casando seus filhos, participando de cerimônias fúnebres, etc.

Isso deu ao escravo um status social diferenciado dentro da sociedade portuguesa nos trópicos, embora ele continuasse cativo, então isso era um papel como se fosse uma válvula de escape contra a violência do cativeiro, do pelourinho e da senzala.

BBC News Brasil - Nas cidades históricas de MG, principal território onde a mão de obra escrava foi utilizada, pouco se fala sobre a escravidão. A história ainda é contada pelo ponto de vista da Igreja e elite financeira. Acha que esse recorte pode mudar no país?

Gomes - Eu acho que sim. Eu fiz um capítulo chamado de o herói invisível, sobre um personagem curiosíssimo, ninguém sabe o nome, quem era, onde nasceu ou onde morreu. O único registro sobre ele o descreve como um mulato vindo do Paranaguá (PR), onde havia uma mineração mais rudimentar, e teria achado ouro em Minas Gerais.

Ele salvou a glória de Portugal, que estava seriamente abalada no século 18, depois da guerra contra os holandeses e da União Ibérica. Isso muda bastante a narrativa, pois pela historiografia ufanista brasileira esse protagonismo caberia aos bandeirantes, como Fernão Dias Paes Leme, Borba Gato, que entraram pelo sertão, alargaram fronteiras, descobriram ouro, diamantes, etc, portanto uma história branca e do colonizador.

A própria tecnologia de mineração de Minas Gerais aparentemente veio da África e não da Europa. Os portugueses sabiam fazer açúcar, mas não sabiam garimpar ouro e diamante. Quem sabiam era os africanos, que conheciam essas tecnologias muito bem na costa do Ouro ou costa da Mina, nos atuais Togo, Costa do Marfim e Gana. Essa tecnologia de achar ouro veio da África.

O tráfico negreiro não era apenas o comércio de gente na forma de commodity, gente cujo trabalho dependia do vigor físico - havia especializações. Então os africanos que vinham dos atuais Guiné-Bissau e Costa do Marfim sabiam muito bem a pecuária. Os africanos da Nigéria entendiam de metalurgia, os de Gana conheciam a mineração de ouro e assim por diante.

Os escravos que foram para o Maranhão e para a Carolina do Norte, nos EUA, conheciam cultivo de arroz na África e ainda hoje essas regiões produzem arroz.

Crédito, LOFGREN/GOUVEA/FERREZ

Legenda da foto,

"Os traficantes e seus fornecedores não eram bobos, sabiam da especialização e o preço variava de acordo com o seu conhecimento tecnológico na própria África", detalha Gomes

Isso muda bem a visão da escravização e da própria construção do Brasil. A tecnologia e o conhecimento que permitiu a construção do Brasil e de seus muitos ciclos econômicos era africana.

O preço desses escravos era diferenciado na África de acordo com sua especialização. Os traficantes e seus fornecedores não eram bobos, sabiam da especialização e o preço variava de acordo com o seu conhecimento tecnológico na própria África.

BBC News Brasil - A história e cultura africana sempre foram deixadas em segundo plano, quando não apagadas intencionalmente. Quais as principais contribuições dos escravos para o Brasil atual?

Gomes - São muitas. Os grandes ciclos econômicos dependeram do trabalho braçal dos africanos, mas também do seu conhecimento tecnológico. Os grandes mestres construtores do Barroco mineiro, da Bahia, Pernambuco, eram negros. Até recentemente, se julgava que o Barroco era uma forma artística e arquitetônica europeia. Sim, claro, a influência é europeia, mas os elementos que estão lá são africanos.

A contribuição dos africanos é enorme não só do ponto de vista econômico, mas na formação do caráter, do comportamento, das crenças religiosas, da culinária, da música, da dança, do jeito de as pessoas se relacionarem umas com as outras, eu diria que a raiz disso é africana.

A escravidão não é um assunto de livro de história ou museu, é uma realidade concreta no século 21. Você vê a escravidão na paisagem brasileira, você vai ao Rio de Janeiro e vê quem mora na zona sul e quem mora nos morros e periferias abandonadas pelo Estado, é uma população majoritariamente descendente de africanos.

A escravidão está nos indicadores sociais até hoje. Há um abismo entre números referentes ao Brasil branco e o Brasil negro, além do racismo, que é como uma ferida que fica abrindo a toda hora, como vemos todos os dias notícias de racismo explícito nas redes sociais, no noticiário, etc.

Então, o legado da escravidão está nesse Brasil ruim que citei, mas está no Brasil bonito, plural, sorridente, generoso, da música, das festas, mas essa África infelizmente a gente despreza.

Uma África que é bonita, diferencia o Brasil do mundo, já que poucos países são tão plurais, heterogêneos e diversos como o Brasil, mas não valorizamos essa África quando temos que dar moradia, renda, estudo. É um dilema que o Brasil vive em relação ao seu passado escravagista.

BBC News Brasil - E por que não discutimos essas heranças?

Gomes - Eu acho que existe um projeto nacional de apagamento da memória. Por que não há um grande museu da escravidão? Não tem um museu como o que [o ex-presidente dos EUA], Barack Obama, inaugurou em Washington, nos EUA, por exemplo.

Esse projeto de apagamento se reflete nos livros de história, livros didáticos, como se a construção do Brasil fosse exclusivamente branca e europeia, e todos os demais agentes fossem autores secundários. Quando você mergulha de fato na história da escravidão, você vê que na realidade essas pessoas escravizadas são protagonistas.

Mas acho que isso está mudando. A história é uma ferramenta de construção de identidade, olhando o passado sabemos quem somos hoje. Essa identidade, no passado, foi imposta pelo Estado brasileiro de cima para baixo, em períodos de ditadura, como a do Estado Novo, como pelos generais, e é uma identidade que vende um Brasil de faz de conta, que teve uma escravidão patriarcal, benévola, que resultou em uma democracia racial e um Brasil pacifico, ordeiro, honesto.

Agora na democracia, que é uma coisa quase que inédita na história brasileira, estamos rediscutindo esses traços da identidade brasileira, entendendo que a imensa maioria deles era puramente mitológica.

Estamos fazendo uma reflexão muito profunda. A curto prazo é assustador o quanto somos diferentes do que imaginamos que éramos, mas a longo prazo é muito bom que isso ocorra, pois teremos uma consciência mais clara a respeito do que é o Brasil e quais as decisões teremos que tomar ao colocar o voto na urna e termos um país melhor que hoje.

Fonte: https://www.bbc.com/

Lázaro Barbosa fez cursos de 'empatia, sexualidade e para se colocar no lugar das vítimas' durante passagem na Penitenciária da Papuda

Fotos de Lázaro Barbosa divulgadas pela Polícia Civil — Foto: Montagem G1 Quatro anos após cumprir pena pelos crimes de roubo e estupro praticados em 2009, no Distrito Federal, Lázaro Barbosa de Sousa, de 32 anos, chegou a participar de vários cursos para ressocialização, no Complexo Penitenciário da Papuda.

Segundo informações do processo que o G1 teve acesso, antes de passar do regime fechado para o semiaberto, em 2014, o detento fez cursos de "empatia, sexualidade e para se colocar no lugar das vítimas". Lázaro também participou "satisfatoriamente de todos os encontros do grupo de relações pessoais" (veja detalhes mais abaixo) e recebeu atestado de "bom comportamento".

A formação na penitenciária é voltada "para sensibilização, orientação e educação no âmbito do comportamento sexual".

Foragido, Lázaro Barbosa tem extensa ficha criminal e, desde o dia 9 de junho, também é procurado pelo assassinato da família Marques Vidal, no Incra 9, em Ceilândia. As buscas por ele chegaram ao 10º dia, nesta sexta-feira (18).

'Colocar-se no lugar da vítima'

Segundo relatório de 26 de setembro de 2014, ao deixar a Penitenciária II e passar para o Centro de Internamento e Reeducação (CIR) do presídio, Lázaro "trabalhou as temáticas relativas à Lei Maria da Penha e Estatuto da Criança e do Adolescente; sexualidade saudável e parafilias [fantasias sexuais]".

O réu também participou de formações voltadas às estratégias para "assumir, entender, mudar; de empatia: colocar-se no lugar da vítima; compreensão de fatores de risco e fatores protetores".

No vídeo abaixo, uma mulher feita refém por Lázaro relata momentos de terror. Assista:

Mulher feita refém por Lázaro Barbosa relata momentos de terror: 'Fica na cabeça'

Mulher feita refém por Lázaro Barbosa relata momentos de terror: 'Fica na cabeça'

Mulher feita refém por Lázaro Barbosa relata momentos de terror: 'Fica na cabeça'

Os crimes de estupro e roubo que o levaram à prisão na capital federal foram praticados em 15 de novembro de 2009, segundo a investigação. Nove meses depois, em 26 de agosto de 2010, ele foi preso e, logo após, condenado a 12 anos, 8 meses e 19 dias de reclusão.

Três anos após a prisão, Lázaro participou dos cursos para progressão da pena para o regime semiaberto e, assim, conseguir benefícios externos, como direito ao trabalho.

A progressão da pena foi concedida pela Justiça mesmo após o laudo criminológico atestar características de personalidade de Lázaro, como "agressividade, ausência de mecanismos de controle, dependência emocional, impulsividade, instabilidade emocional, possibilidade de ruptura do equilíbrio, preocupações sexuais e sentimentos de angústia".

O documento, de 22 de novembro de 2013, foi elaborado por três psicólogos do Centro de Observação (CO), órgão vinculado à antiga Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Sesipe).

Os técnicos concluíram que "Lázaro deveria ser submetido à frequência de cursos antes de ter deferido em seu favor a fruição de benefícios externos" e que se fosse "inserido no contexto social e ambiental ao qual pertencia antes de sua reclusão, provavelmente retornaria a delinquir".

Atestado de 'bom comportamento'

Ainda segundo documento, após cumprir o tempo necessário da pena imposta no regime fechado e de conseguir um "atestado de bom comportamento" emitido pela direção do presídio, Lázaro passou a cumprir pena no regime semiaberto, em 14 de março de 2014.

O detento, então, foi transferido da PDF II para o Centro de Internamento e Reeducação (CIR), "a fim de que pudesse ser incluído nos tratamentos sugeridos no laudo criminológico, com a finalidade de analisar posteriormente a concessão dos benefícios externos".

À época, ele também participou do Programa de Sensibilização para Usuários de Substâncias Psicoativas. O relatório foi expedido em 28 de julho de 2015.

Lázaro fez cursos sobre a Lei Antidrogas, os efeitos das drogas e as consequências biológicas, além de aulas sobre "dependência física e psicológica, fatores de risco e fatores de proteção, auto imagem e autoestima, consequências sociais do uso de drogas e síndrome de abstinência e compulsão e sobre os tipos de tratamento".

Policiais se mobilizam para capturar Lázaro Barbosa, suspeito de assassinatos em série e que está foragido há 10 dias, em Girassol, distrito do município de Cocalzinho de Goiás (GO) — Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Nome falso

No processo iniciado em 2009 foi anexada outra condenação à pena de três anos de reclusão por porte de arma de fogo em Corumbá de Goiás (GO). Com isso, a sentença de Lázaro foi aumentada para 15 anos, 8 meses de 19 dias de prisão, em regime fechado.

A nova decisão saiu em 19 de julho de 2013. Nessa época, quando foi pego, Lázaro se apresentou aos policiais com o nome falso de Gabriel Barbosa de Souza.

Trabalho externo e fugas

Fachada do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) — Foto: TV Globo / Reprodução

Após cumprir as exigências determinadas no laudo, Lázaro foi beneficiado com trabalho externo, via Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), em 8 de janeiro de 2016. O direito está previsto na legislação.

Segundo processo do Tribunal de Justiça do DF, "o sistema de cumprimento de pena vigente no ordenamento jurídico brasileiro é progressivo", o que significa que "a pessoa progride do regime mais grave para o menos grave, na medida em que for atingindo os lapsos temporais previstos na Lei de Execução Penal". O texto cita ainda que "o Brasil não contempla pena de prisão perpétua e nem pena de morte".

Lázaro foi beneficiado com trabalho externo e transferido para o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) em 26 de janeiro de 2016, mas fugiu dois meses depois.

"Desta forma, de acordo com o lapso temporal entre a entrada no CPP e a fuga, é possível afirmar que Lázaro usufruiu de pelo menos três saídas antes de empreender fuga do estabelecimento prisional", destacou o Tribunal de Justiça do DF.

Buraco no teto da cela aberto para a fuga de Lázaro Barbosa da cadeia de Águas Lindas de Goiás, em 2018 — Foto: Reprodução/Polícia Militar

A Vara de Execuções Penais expediu o mandado de prisão para recaptura do foragido, em 20 de abril de 2016, que resultou na captura de Lázaro, em Águas Lindas de Goiás, em 7 de março de 2018.

Na época, a Justiça cumpriu o mandado de prisão da Comarca de Barra do Mendes, na Bahia, onde Lázaro foi condenado por homicídio qualificado. Antes de ser novamente transferido para o DF, ele conseguiu abrir um buraco no teto e fugir do presídio de Águas Lindas, quatro meses depois, em 23 de julho de 2018.

 

Fonte: https://g1.globo.com/

Luciano Huck faz documentário sobre pandemia parecer reportagem do Caldeirão

Luciano Huck no lado esquerdo em detalhes de cena do documentário 2021: O Ano Que Não Começou Analisar problemas e tentar discutir soluções é um processo sério. Se já é algo difícil quando se trata de situações menores, imagine em pautas sobre questões gigantes. O documentário 2021: O Ano Que Não Começou, que estreou nesta semana no Globoplay, tem a pretensão de viajar pelos grandes obstáculos nacionais e globais que a pandemia da Covid-19 trouxe à tona.

Luciano Huck é produtor e apresentador do filme, e o estilo do comunicador deixa a obra com cara de reportagem especial do Caldeirão do Huck, em vez de algo mais sério, como um Globo Repórter, por exemplo.

A ideia é analisar os problemas socioeconômicos do Brasil e como eles se refletem pelo mundo no último ano e além. Temas como capitalismo, desigualdade, pobreza, política, racismo e tecnologia são explorados e interligados. A duração curta, de cerca de 40 minutos, e a edição ágil fazem com que a jornada seja mais simplória do que realmente se espera.

REPRODUÇÃO/GLOBOPLAY

Novo normal é uma das pautas

O destaque fica por conta das entrevistas com renomados especialistas, casos do historiador holandês Rutger Bregman, do jornalista norta-americano Thomas Friedman, da economista francesa Esther Duflo e da ativista Graça Machel, de Moçambique. Suas presenças dão credibilidade, e as falas escolhidas conseguem esmiuçar análises complexas.

O resultado é um levantamento de informações que lembra aulas especiais, como as exibidas no canal educativo Futura. Nos próximos anos, o filme pode inclusive ser apresentado nas salas do ensino fundamental e médio para discussões sobre as possibilidades de mudanças imaginadas durante a pandemia --que ainda não terminou, apesar do tom utilizado pelo apresentador ao longo do documentário.

A presença do apresentador é marcante demais, e a dinâmica com personagens desconhecidos faz o material parecer uma atração de seu programa. A cada pausa mais longa fica a impressão de que algum dos entrevistados anônimos irá aparecer no palco do Caldeirão para participar de um dos quadros e ganhar uma reforma na casa ou ter o carro restaurado.

REPRODUÇÃO/GLOBOPLAY

Apresentador em cena do filme

Talvez a participação de Huck cause estranheza para parte do público que acostumou a vê-lo na TV há mais de 20 anos. Ele se sai bem na chamada para as entrevistas feitas por vídeo e aparece em momentos em que um off (recurso onde apenas a voz da pessoa é ouvida) funcionaria sem qualquer problema.

Em geral, 2021: O Ano Que Não Começou realiza um apanhado de reflexões e comparações que faz o espectador juntar alguns pontos mais complexos do que a discussão entre problemas e soluções. Para os céticos e melhor informados, pouco acrescenta nas lembranças. O público comum, grande foco do projeto, pode ter uma experiência um pouco mais esclarecedora.

Na última segunda-feira (7), Huck esteve no programa Papo de Segunda, do GNT, para falar sobre o projeto. Veja a chamada do documentário e um trecho da entrevista:

Em tempos de pandemia e distanciamento social, um novo mundo totalmente interligado começou a se desenhar. O doc 2021: O Ano Que Não Começou, do @LucianoHuck, retrata essa conexão, abordando temas como desigualdade, educação, política, pobreza e tecnologia. Estreia hoje à 0h. pic.twitter.com/HYbLdMfXd4

— Canal GNT em

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