Ex-comandante da FAB fechou contratos com Airbus antes de assumir cargo na empresa

e03241 A relação entre as Forças Armadas e a indústria da defesa voltou ao centro do debate com a movimentação do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, para a Airbus. Durante sua gestão na Força Aérea Brasileira (FAB), contratos foram firmados com a empresa europeia, incluindo a conversão de aeronaves A330 para a versão KC-30 MRTT, um projeto avaliado em centenas de milhões de reais.

Pouco tempo após deixar o cargo, em janeiro de 2023, Baptista Júnior assumiu, em novembro do mesmo ano, uma posição na Airbus como Senior Advisor for Strategy, o que levanta questionamentos sobre a influência de militares da reserva na aprovação de contratos e a falta de regulamentação clara para evitar situações que possam comprometer a transparência na administração pública, criando episódios conhecidos como “portas giratórias”.

O caso não se restringe ao ex-comandante. Seu filho, Bruno Baptista, trabalha na AEL Sistemas, uma empresa que mantém contratos milionários com a FAB. A AEL atua na área de tecnologia militar e é responsável por projetos como a comunicação segura entre aeronaves e o desenvolvimento da frota de drones RQ-900.

Apenas durante o governo Bolsonaro, a AEL recebeu mais de R$ 300 milhões em contratos, valor que corresponde a mais da metade de tudo o que a empresa faturou com o governo federal nos últimos dez anos. Além disso, a empresa foi impulsionada com investimentos diretos em equipamentos militares de última geração, consolidando-se como uma fornecedora estratégica para as Forças Armadas.

O que é porta giratória?

A chamada “porta giratória” acontece quando uma pessoa que ocupava um cargo público passa a trabalhar em uma empresa privada que se beneficiou de suas decisões enquanto ele estava no governo. Isso pode gerar favorecimentos, conflitos de interesse e o uso indevido de informações privilegiadas.

No Brasil, a lei prevê um período de quarentena para evitar que ex-gestores assumam cargos imediatamente em empresas que possam ter sido beneficiadas por suas decisões. No entanto, a eficácia dessas normas é frequentemente questionada, especialmente quando se trata de setores estratégicos, como defesa e segurança nacional.

No caso de Baptista Júnior, a situação se encaixa nesse padrão. Durante seu tempo como comandante da Aeronáutica, a Airbus fechou contratos importantes com a FAB, incluindo a conversão de aeronaves para transporte militar e o fornecimento de suporte logístico.

Após deixar o comando em janeiro de 2023, ele foi trabalhar justamente na Airbus em novembro do mesmo ano, levantando suspeitas sobre a transparência dessas negociações e se houve algum tipo de favorecimento à empresa antes de sua saída. O fato de a Airbus ter recebido contratos de grande porte durante sua gestão reforça a necessidade de um escrutínio mais detalhado sobre essas movimentações.

O papel da AEL Sistemas

A AEL Sistemas, onde o filho do ex-comandante trabalha, também tem uma relação próxima com a FAB. A empresa é fornecedora de sistemas de comunicação e vigilância usados pelas Forças Armadas. Reportagens apontam que a AEL recebeu um grande volume de contratos federais, especialmente durante o governo Bolsonaro, e continua sendo uma das principais beneficiadas pelo setor de defesa.

Além dos contratos já conhecidos, a empresa participa de projetos estratégicos para modernização das forças militares brasileiras, como o desenvolvimento de novos sistemas de controle para aeronaves e sistemas avançados de comunicação digital para o Exército.

Especialistas afirmam que esse tipo de relação entre militares da reserva e fornecedores do governo pode comprometer a transparência dos contratos públicos.

“Se um comandante assina contratos milionários com uma empresa e depois vai trabalhar para ela, como garantir que essas negociações foram feitas sem benefícios indevidos?”, questiona um especialista em governança pública. Segundo ele, a falta de fiscalização mais rígida e de regras claras facilita que acordos desse tipo ocorram sem qualquer sanção.

O que pode mudar?

A falta de regras claras para militares que deixam cargos estratégicos e vão para a iniciativa privada é um dos principais problemas apontados por analistas. Ao contrário de outros servidores públicos, oficiais de alta patente que se aposentam não enfrentam muitas restrições para atuar no setor privado, o que facilita a prática da porta giratória.

No Brasil, a legislação vigente exige quarentena de apenas seis meses para alguns casos, o que, na prática, não impede oficiais da reserva assumam rapidamente funções em empresas beneficiadas por suas decisões.

No Congresso, há discussões sobre a necessidade de ampliar as regras de quarentena e criar mecanismos mais rigorosos de fiscalização. Em outros países, como nos Estados Unidos e na União Europeia, há normas mais rígidas para evitar que militares da reserva e ex-membros do governo assumam cargos em empresas privadas que possuem contratos diretos com o setor público.

Nos Estados Unidos, por exemplo, militares da reserva de alto escalão enfrentam restrições para atuar em empresas de defesa por pelo menos dois anos, além de terem que passar por um processo de aprovação caso queiram ocupar cargos estratégicos.

Enquanto isso, Airbus e AEL Sistemas seguem como fornecedoras estratégicas da FAB. O caso reforça a necessidade de maior fiscalização e transparência na relação entre as Forças Armadas e empresas do setor de defesa. Sem mecanismos eficazes de controle, situações como essa podem se repetir, comprometendo a confiança na administração pública e nos contratos militares.

A falta de uma legislação mais rígida para ex-militares pode abrir brechas para que essa relação próxima entre oficiais da reserva e empresas privadas continue acontecendo sem qualquer restrição.

Fonte: https://iclnoticias.com.br/ex-comandante-da-fab-fechou-contratos-airbus/

Em petição absurda, advogado ataca juíza: "resquícios de senzala"

e0322 Em processo que tramita na 3ª vara Cível de Campos dos Goytacazes/RJ, o advogado José Francisco Barbosa Abud (OAB/RJ 225313) apresentou petição repleta de ataques. Um dos alvos é a juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins, titular da vara.

Em seu texto, o advogado chama a juíza de "magistrada afrodescendente" e afirma que ela tem "resquícios de senzala", sugerindo que sua decisão seria influenciada por "memória celular dos açoites". 

Em outro trecho, ele fala em "decisões prevaricadoras proferidas por bonecas admoestadas das filhas das Sinhás das casas de engenho".

E também ataca "subordinado servidor de gabinete", afirmando que destoa da "Excelentíssima em tendências reprimidas provavelmente resultante (causa e efeito) de uma infância devassada por parentes próximos que perpetuam abusos mais do que comuns a primatas ou primitivos".

O TJ/RJ informou que, de acordo com a magistrada, o advogado já vinha se comportando de forma inadequada, com e-mails debochados, irônicos e desrespeitosos, e uso de palavras de baixo calão, sobretudo dirigidos a magistradas e servidoras. "Sua conduta é ameaçadora. Temos que dar um basta a essa sensação de impunidade", disse. 

A petição do causídico é direcionada à 4ª vara e foi protocolada após a juíza declarar-se suspeita para atuar no feito (veja a decisão).

No documento, que chega a ser de difícil compreensão, o causídico ainda inclui comparações com experimentos nazistas, cita a Neuralink, empresa de Elon Musk que desenvolve implantes cerebrais, e Josef Mengele, um oficial nazista conhecido como "anjo da morte", responsável por assassinatos e experimentos

"Ainda que em breve observação a Magistrada afrodescendente com resquícios de senzala e recalque ou memória celular dos açoites assim indefira pedido em Decisum infundado em desfavor a legislação incontestável supramencionada, amparada para seu julgamento pessoalmente subjetivo em déspota infiltrado por facção criminosa denominada PCC no Supremo Tribunal Federal (stf); indivíduo que servirá apenas como uma cobaia da Empresa NEURALINK como nos experimentos do Sr. Josef Mengele, por conseguinte com sério agravante de agir coagidamente e sob forte influência de subordinado(a) servidor de Gabinete de mesmo endereçamento continental e de similares, destoando da Excelentíssima em tendências reprimidas provavelmente resultante (causa e efeito) de uma infância devassada por parentes próximos que perpetuam abusos mais do que comuns a primatas ou primitivos, nada estranho a nossa natureza perversa e indiferente; aqui fica uma "pintura" de que "ainda somos os mesmos/ e vivemos como ""Neandertais""; retornando ao que é essencial a essa ficção, reivindico o deferimento de integração na demanda."

O TJ/RJ informou que o juiz Leonardo Cajueiro D Azevedo, a quem foi distribuído o processo após a suspeição da magistrada, oficiou ao Ministério Público, diretamente ao gabinete do Procurador-Geral de Justiça, para que seja instaurado procedimento criminal para apuração dos possíveis crimes de racismo, injúria racial e apologia ao nazismo.

A OAB/RJ também foi oficiada para que seja instaurado procedimento disciplinar para apuração das possíveis infrações disciplinares e violações aos ditames éticos da advocacia pelo advogado.

Nota de repúdio

O TJ/RJ chamou as declarações de racistas e declarou apoio à magistrada vítima de discriminação racial. Veja a íntegra da nota: 

"O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro repudia as manifestações racistas direcionadas à magistrada Helenice Rangel, titular da 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes. 

As declarações proferidas pelo advogado José Francisco Abud são incompatíveis com o respeito exigido nas relações institucionais e configuram evidente violação aos princípios éticos e legais que regem a atividade jurídica.

Tal comportamento, além de atingir diretamente a honra pessoal e profissional da magistrada, representa uma grave afronta à dignidade humana e ao exercício democrático da função jurisdicional.

O Tribunal se solidariza com a juíza Helenice Rangel e informa que encaminhou o caso ao Ministério Público e à Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio de Janeiro (OAB/RJ), para apuração rigorosa das responsabilidades nas esferas criminal e disciplinar.

Reitera-se o compromisso permanente contra qualquer forma de discriminação ou preconceito, sobretudo o racismo, prática criminosa que deve ser amplamente repudiada e combatida por toda a sociedade."

A Amaerj - Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro, manifestou apoio à juíza e repudiou "veementemente o ataque racista praticado pelo advogado". 

"Por meio de petição e e-mails, o advogado apresentou conduta discriminatória e desrespeitosa, com o uso de palavras de baixo calão, racistas e injuriosas.

Esse caso é inaceitável. Racismo é crime e deve ser combatido por toda a sociedade.

Desde o ocorrido, a AMAERJ vem atuando em defesa da magistrada na adoção das medidas judiciais cabíveis.

A Associação se solidariza com a juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins e reitera o apoio ao trabalho dedicado e de alta qualidade realizado pela magistrada."

O pedido processual

A petição envolve o processo sucessório de um homem que o advogado chama de " VoVô ou 'Véio' mesmo".

No documento, o causídico pede sua inclusão no polo passivo, tanto como parte quanto como proponente, e reclama de um testamento feito pouco menos de um mês antes do falecimento do homem, documento que teria tido como mentora "a adúltera concubina que alega ser companheira, e seu demandante filho".

No processo, ele afirma que o falecido nunca se separou da esposa, com quem teve seis filhos, e que "apenas não trepavam mais" pelos efeitos da velhice. Diz o advogado que a monogamia é "mais uma ficção da Mafiosa & Prostituída Igreja Católica Apostólica Romana ou das malignas RELIGIÕES", além de citar "milhares de 'Sacerdotes' pedófilos que continuam a prática da pedofilia e pederastia com a 'Benção PaPal'".

Ele afirma que a mulher, "concubina", arquitetou trama por interesse financeiro, e que recebeu, por quinze anos, a pensão por morte do testador, em detrimento da esposa, que teria ficado com 30% do pensionamento. Diz, ainda, que o falecido estaria acamado na data do testamento, e que o documento não foi questionado à época pelos herdeiros necessários.

"É dificil entender que ESSA PORRA !!! INCLUSIVE QUANTO A AÇÃO ANULATÓRIA ESTÁ TODA ENROSCADA E MANCOMUNADOS OS Coautores !!"

 

Mulher que deu golpe no Exército por mais de 30 anos é condenada e terá que devolver R$ 3,7 milhões

e03171 A condenação aconteceu no dia 28 de fevereiro, em última instância, não existindo mais possibilidade de recurso. Segundo o processo, Ana Lucia era sobrinha-neta de Vicente Zarate, mas fraudou documentos e recebeu pensão entre 1988 e 2022 como se fosse filha dele.

O g1 tentou contato com Ana Lucia por telefone, mas as ligações não foram atendidas.

A Defensoria Pública da União (DPU), que fez a defesa dela, informou que não representa mais Ana Lucia desde o dia 14 de dezembro de 2024 devido à 'impossibilidade de interposição de novos recursos'.

A fraude

Documentos aos quais o g1 teve acesso revelam que o esquema fraudulento começou quando Ana Lucia ainda era menor de idade, em 25 de setembro de 1986. Ela foi registrada em um cartório de Campo Grande como sendo filha de Vicente Zarate e Natila Ruiz. Com a nova documentação, ela obteve, também, outra Carteira de Identidade, e outro Cadastro de Pessoa Física (CPF), nestes constando o sobrenome Zarate.

Com os novos documentos, Ana Lucia requereu habilitação como pensionista de Vicente Zarate na Seção do Serviço de Inativos e Pensionistas (SSIP 9) do Exército brasileiro. O pedido foi deferido, e a mulher passou a receber, ainda em 1988, pensão integral como filha de Segundo Sargento e seguiu até 2022 quando foi denunciada. O prejuízo causado totalizou R$3,7 milhões.

A Defensoria Pública da União (DPU) chegou a pedir absolvição de Ana Lucia, alegando “ausência de intenção”, já que o registro como filha do ex-combatente foi feito quando ela ainda era menor de idade, mas o STM negou. Depois disso a DPU entrou com um novo recurso, negado agora em última instância.

Além do comparecimento de Ana Lucia ao Exército, o ministro relator, Artur Vidigal de Oliveira, elencou outros cinco motivos que levaram ao entendimento de que houve crime de estelionato. Confira abaixo:

  • Ana Lucia mantinha em uso duas identidades e dois CPFs (com o nome antigo e com o nome fraudado). Ela somente utilizava o nome Ana Lucia Zarate para receber a pensão;
  • Mesmo orientada pelo marido para que interrompesse a pensão, ela deu continuidade ao esquema;
  • Ela confessou o esquema criminoso no interrogatório;
  • Não seria possível considerar que ela foi adotada por Vicente Zarate, já que não houve trâmite legal de adoção;

Abaixo, confira a cronologia do trâmite na Justiça:

➡️ Dezembro de 2021: De acordo com a ação penal, a avó de Ana Lucia, Conceição Galache, procurou a Polícia Civil e a Administração Militar para informar que a mulher não era filha de Vicente Zarate.

Conceição denunciou que a neta utilizava o nome de Ana Lucia Zarate apenas nas tratativas com a Administração Militar, mantendo o nome Ana Lucia Umbelina Galache para todos os demais atos da vida civil, inclusive para seu casamento, celebrado em 2 de março de 1990.

➡️ 2022: Após meses de investigação, por meio de uma sindicância, foi comprovado que Ana Lucia não era filha de Vicente, sendo na verdade sobrinha-neta do militar. Ainda conforme a ação judicial, no mesmo ano o pagamento foi suspenso e a mulher foi intimada para prestar esclarecimentos.

Durante interrogatório, ré confirmou a história e disse que dividia a pensão oriunda da fraude com sua avó, que teria ajudado na obtenção dos documentos fraudulentos. Ela admitiu ainda que o caso só veio à tona após Conceição exigir que lhe fossem repassados R$ 8 mil, sob pena de denunciá-la.

Ana Lucia contou também que não vivia com seu tio-avô, Vicente Zarate, e não o tratava como pai. Ela relatou que se apresentava com o sobrenome Zarate apenas para fins de recebimento da pensão do Exército - ou seja, passando a utilizar dois nomes: o verdadeiro (Ana Lúcia Umbelina Galache de Souza), e o falso, (Ana Lucia Zarate), para manter a fraude, ao longo de 33 anos (de 1988 a 2022).

A avó, que é apontada como cúmplice do caso, faleceu em maio de 2022 e não chegou a ser ouvida nas investigações.

➡️ Fevereiro de 2023: Ana Lucia foi condenada pela Justiça Militar em Mato Grosso do Sul a devolver o valor de R$ 3.723.344,07, pelo prejuízo causado ao Exército. A pena também prevê três meses de prisão. A mulher recorreu da decisão em liberdade.

➡️ Novembro de 2024: O Superior Tribunal Militar (STM) negou o recurso apresentado por Ana Lucia. A Defensoria Pública da União (DPU), responsável pela defesa da mulher, justifica o crime pela “ausência de intenção”, visto que o registro como filha do militar foi feito quando ela era menor de idade. Na época, a ré tinha 17 anos.

A Justiça entende que a mulher cometeu crime de estelionato ao se passar por falsa dependente do ex-combatente para obter vantagens, tendo plena consciência de que estava enganando o serviço militar para receber a pensão.

Fonte: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2025/03/13/com-recursos-esgotados-mulher-que-deu-golpe-no-exercito-por-mais-de-30-anos-e-condenada-e-tera-que-devolver-r-37-milhoes.ghtml

MP-PR acusa ex-promotor de ter advogado escondido por dez anos

Screenshot 2025 03 10 174852 O Ministério Público do Paraná ajuizou ação contra o ex-promotor Haroldo Nogiri por ter exercido advocacia enquanto era membro do Parquet. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo o MP-PR, Nogiri advogou por dez anos enquanto era membro da instituição e recebeu indevidamente R$ 5 milhões em salários do Estado. Ele atuou como promotor em São Miguel do Iguaçu (PR) ao mesmo tempo em que trabalhava como advogado em processos criminais e de improbidade administrativa.

Na ação, o MP-PR acusa Nogiri de improbidade e de enriquecimento ilícito. E também solicita que o ex-promotor repare o prejuízo provocado por sua conduta às cidades de São Miguel do Iguaçu e Itaipulândia, abrangidas pela comarca em que ele atuava.

“As condutas ilícitas de Haroldo Nogiri macularam de forma indelével a imagem do Ministério Público, colocando-o como uma instituição vulnerável à desconfiança pública na Comarca. Fomenta a percepção de que o Poder Judiciário pode ser instrumentalizado para a prática de atos ilegais”, diz trecho da inicial, conforme citado pelo jornal. 

Em nota enviada à revista eletrônica Consultor Jurídico, o promotor afirma que não atua na comarca de São Miguel do Iguaçu há quase 14 anos, desde abril de 2011. Entre 2013 e 2021, afirma que esteve afastado do cargo, e diz que as acusações de ter exercido advocacia têm relação com este período.

Leia a nota na íntegra:

“Venho, respeitosamente, requerer o direito de resposta e apresentar esclarecimentos em relação à matéria intitulada “MP-PR acusa ex-promotor de ter advogado escondido por dez anos”, publicada em 4 de março de 2025, na página eletrônica do Consultor Jurídico.

Inicialmente, compreendo que o site em questão apenas reproduziu a matéria originalmente publicada em outra fonte jornalística. Contudo, dada a relevância e credibilidade desse veículo de comunicação, é imperativo esclarecer alguns aspectos importantes para ajustar o conteúdo à realidade, evitando equívocos e impressões incorretas ao leitor.

Saliento que o processo mencionado tramita sob segredo de Justiça, devendo, portanto, as questões nele tratadas serem debatidas exclusivamente no âmbito judicial competente, evitando-se conclusões precipitadas ou informações parciais que possam distorcer a realidade.

Esclareço que Haroldo Nogiri não atua como promotor de justiça na comarca de São Miguel do Iguaçu há quase 14 anos, desde abril de 2011.

Exerceu suas funções nessa comarca entre abril de 1999 e abril de 2011, sendo posteriormente titular da promotoria em Matelândia (PR), no período de abril de 2011 a 05.05.2013.

Entre 06.05.2013 e 02.12.2021 esteve afastado do cargo (em disponibilidade/inatividade), tendo sido exonerado, a pedido, em 03.12.2021.

Desde então, apenas reside em São Miguel do Iguaçu com sua família. A acusação de advocacia oculta refere-se precisamente ao período em que esteve afastado de suas funções, questão ainda a ser devidamente analisada e esclarecida no âmbito judicial.

A matéria veiculada, da forma como apresentada (reproduzida), gera erroneamente a impressão ao público de que o promotor estaria em “atividade” na Comarca de São Miguel do Iguaçu (PR) concomitantemente com o exercício irregular da advocacia, o que não corresponde aos fatos concretos.

Entendo perfeitamente que uma notícia nua e crua não gera engajamento ou curiosidade suficientes, entretanto, é fundamental que os fatos sejam apresentados com fidelidade e responsabilidade jornalística, especialmente em veículos renomados e amplamente respeitados.

Por isso, solicito respeitosamente a publicação destes esclarecimentos para preservar a integridade da informação divulgada, ajustando-a à realidade e evitando equívocos prejudiciais à compreensão do leitor.

Fonte: https://www.conjur.com.br/2025-mar-04/mp-pr-processa-ex-promotor-que-advogou-escondido-por-dez-anos/

Corregedoria afasta mais 4 policiais em SP após cena com tapa e ameaça

e03031 A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo decidiu afastar mais quatro policiais envolvidos em uma cena gravada na madrugada do último sábado (22). Nas imagens, um PM aparece dando um tapa na cara, ameaçando, coagindo e insultando um suspeito rendido.

Com isso, o número de policiais afastados chega a seis. Todos eles são soldados do 21º Batalhão, da Vila Prudente. O homem que foi alvo da agressão por parte do policial militar prestou depoimento nessa quinta (27) e identificou o agressor.

O depoimento dos seis policiais militares envolvidos na situação é esperado para esta sexta-feira (28). Todos permanecerão afastados até a conclusão do inquérito militar.

Em nota à CNN, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) havia dito que “A Polícia Militar analisa as imagens para adoção das providências cabíveis e reforça que não compactua com desvios de conduta de seus agentes, punindo exemplarmente aqueles que infringem a lei e desobedecem aos protocolos da Instituição”.

Relembre o caso

O caso ocorreu na madrugada do último sábado, dia 22 de fevereiro. No vídeo, quatro homens aparecem rendidos ao lado de um muro.

“Vai tomar no seu c*. Você já me conhece e sabe como o bagulho funciona”, afirma o policial no início da gravação. Depois do tapa, o PM acrescenta: “eu já falei que eu não gosto de mentiroso. Põe a mão pra trás”. E questiona: “quem mais estava no movimento com você?”.

Instantes depois, o policial saca uma pistola e pressiona contra o rosto do homem. “Você é moleque, você tá entendendo? Tem que ser na cara pra estragar o velório. Você tá entendendo? Você vai querer trocar ideia ou eu vou ter que te lembrar quem eu sou?”

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/pedro-duran/nacional/sudeste/sp/corregedoria-afasta-mais-4-policiais-em-sp-apos-cena-com-tapa-e-ameaca/

“Racismo reverso” no Paraná: homem branco diz ser vítima de injúria racial na Alep

e02282 Ellen Chatarine Proccop da Silva foi presa sob acusação de racismo na segunda-feira (24), em Curitiba, depois de uma confusão na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). De acordo com a acusação, ela mencionou que o assessor parlamentar Kenny Brayan estava “rindo como macaco” durante a sessão e uma terceira pessoa, uma mulher preta que também é assessora parlamentar, chamada Esthefanny Thainá Campos, se sentiu ofendida.

Ellen acompanhava a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na qual o deputado Renato Freitas (PT) pediu para que Kenny, que é lotado no gabinete do deputado Marcio Pacheco (PP) mantivesse a compostura e parasse de rir.  Deputados rebatarem e houve bate-boca.

Neste ínterim, Ellen fez as falas direcionadas a Kenny. Ao fim da sessão, o deputado delegado Tito Barichello (União), prendeu Ellen em flagrante sob acusação de injúria racial.

“Racismo reverso”

Kenny Brayan, que é um homem branco, procurou o Gabinete Militar para informar que tinha sido vítima de injúria, o que resultou no encaminhamento da mulher para a delegacia. Em nota a Alep informou que “reafirma seu compromisso com a liberdade de expressão e o amplo debate de ideais e reforça que conta com mecanismos regimentais para coibir excessos e responsabilizar eventuais quebras de decoro”.

Tanto o deputado delegado Tito Barichello, quanto membros do Gabinete Militar, não compreenderam a lei que versa sobre crimes raciais, apesar de trabalhem com segurança pública. Em janeiro deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STF), por meio do ministro Og Fernandes, explicou que a tipificação de injúria racial visa proteger grupos minoritários, ou seja, não se aplica a pessoas brancas, a quem a frase foi dirigira.

. “A interpretação das normas deve considerar a realidade concreta e a proteção de grupos minoritários, conforme diretrizes do Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)”, declarou o ministro.

“Não é possível acreditar que a população brasileira branca possa ser considerada como minoritária“, continuou o ministro.

O que acontece agora?

A acusada de “racismo reverso” foi solta e se for denunciada pelo Ministério Público (MPPR) deve responder em liberdade, conforme informou o advogado Jackson Bhals.

 
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